{"id":240124,"date":"2026-02-28T13:00:00","date_gmt":"2026-02-28T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=240124"},"modified":"2026-02-28T13:00:00","modified_gmt":"2026-02-28T17:00:00","slug":"pesquisador-brasileiro-esclarece-estudo-sobre-o-sudario-de-turim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=240124","title":{"rendered":"Pesquisador brasileiro esclarece estudo sobre o Sud\u00e1rio de Turim"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/02\/25214955\/sudario-turim-exibicao-2015.jpg.webp\" \/><span>O Sud\u00e1rio de Turim durante exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica em 2015. (Foto: Alessandro di Marco\/EFE\/EPA)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O pesquisador C\u00edcero Moraes procurou o <strong>Tubo de Ensaio<\/strong> para enviar suas observa\u00e7\u00f5es a respeito da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/tubo-de-ensaio\/resposta-designer-brasileiro-santo-sudario-farsa\/\">coluna<\/a> de duas semanas atr\u00e1s, quando noticiei a publica\u00e7\u00e3o de um artigo em que tr\u00eas sindonologistas contestavam a teoria do brasileiro, segundo a qual o Sud\u00e1rio de Turim n\u00e3o seria o pano que envolveu o corpo de Jesus, mas uma obra medieval, feita por meio do contato do tecido com um baixo-relevo. O texto dele vem a seguir:<\/p>\n<h2>Pesquisa \u00e9 replic\u00e1vel, transparente e n\u00e3o foi refutada<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Primeiramente, \u00e9 importante esclarecer que em nenhum momento, no meu <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/arcm.70030\">estudo<\/a> publicado na <em>Archaeometry<\/em>, classifiquei o Sud\u00e1rio de Turim como uma \u201cfarsa\u201d. Indiquei que, \u00e0 luz dos resultados obtidos, trata-se possivelmente de uma obra de arte crist\u00e3 medieval. O t\u00edtulo da mat\u00e9ria, portanto, n\u00e3o corresponde ao conte\u00fado efetivamente apresentado no artigo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Embora alguns ve\u00edculos tenham apresentado o <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/arcm.70109\">coment\u00e1rio<\/a> de Casabianca <em>et al.<\/em> como uma refuta\u00e7\u00e3o do meu estudo, publiquei uma <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/arcm.70112\">resposta<\/a> cient\u00edfica detalhada, tamb\u00e9m revisada por pares, na qual abordei objetivamente cada um dos pontos levantados pelos autores.<\/p>\n<p>Quanto ao escopo, \u00e9 fundamental lembrar que a delimita\u00e7\u00e3o de um estudo pertence ao pesquisador. Meu artigo teve como foco espec\u00edfico a an\u00e1lise geom\u00e9trica da deforma\u00e7\u00e3o produzida pela proje\u00e7\u00e3o de um corpo tridimensional sobre um tecido, comparando esse padr\u00e3o com o gerado por um baixo-relevo compat\u00edvel com a arte tumular medieval. Os resultados indicaram maior compatibilidade morfol\u00f3gica com o modelo art\u00edstico em relevo do que com a geometria tridimensional completa de um corpo humano real.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA demonstra\u00e7\u00e3o da deforma\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica independe da duplica\u00e7\u00e3o dorsal, e diversos trabalhos sindonol\u00f3gicos tamb\u00e9m analisaram apenas a por\u00e7\u00e3o frontal.\u201d<\/p>\n<p><cite>C\u00edcero Moraes<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>A op\u00e7\u00e3o por analisar exclusivamente a regi\u00e3o frontal n\u00e3o constitui omiss\u00e3o da imagem dorsal, mas escolha metodol\u00f3gica coerente com o objetivo do estudo. A demonstra\u00e7\u00e3o da deforma\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica independe da duplica\u00e7\u00e3o dorsal, e diversos trabalhos sindonol\u00f3gicos tamb\u00e9m analisaram apenas a por\u00e7\u00e3o frontal quando o foco era o padr\u00e3o de proje\u00e7\u00e3o da imagem.<\/p>\n<p>Sobre cr\u00edticas relacionadas ao material do tecido ou \u00e0 varia\u00e7\u00e3o de alguns cent\u00edmetros na altura estimada, \u00e9 importante observar que tais par\u00e2metros n\u00e3o alteram o padr\u00e3o geom\u00e9trico central da proje\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a estrutural entre um corpo tridimensional completo e um relevo superficial permanece evidente independentemente desses ajustes. Al\u00e9m disso, todos os arquivos tridimensionais utilizados no estudo foram disponibilizados publicamente, permitindo que qualquer pesquisador replique o experimento ou ajuste vari\u00e1veis como tipo de tecido, dimens\u00f5es corporais ou posicionamento, testando a robustez dos resultados dentro dos par\u00e2metros desejados.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Sturp [Shroud of Turin Research Project], frequentemente se afirma que teria sido provada definitivamente a aus\u00eancia de pigmenta\u00e7\u00e3o. Contudo, os pr\u00f3prios pesquisadores do grupo reconheceram que a aus\u00eancia de determinados compostos detect\u00e1veis n\u00e3o implica necessariamente que tais subst\u00e2ncias nunca tenham estado presentes. A interpreta\u00e7\u00e3o posterior de certeza absoluta vai al\u00e9m do que foi afirmado originalmente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Sturp n\u00e3o \u00e9 interpretativamente homog\u00eaneo. H\u00e1 pesquisadores associados ao grupo que defendem hip\u00f3teses de origem medieval, inclusive com propostas t\u00e9cnicas alternativas, o que demonstra que o debate cient\u00edfico permanece aberto.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>No campo hist\u00f3rico-art\u00edstico, demonstrei inicialmente a exist\u00eancia de representa\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com a iconografia corporal observada no Sud\u00e1rio, como no caso do Epit\u00e1fio do Rei Est\u00eav\u00e3o Uro\u0161 II (Jesus), e posteriormente apresentei exemplos documentados de gravuras e arte tumular em baixo-relevo dos s\u00e9culos 11 ao 14 que evidenciam dom\u00ednio t\u00e9cnico suficiente para produzir imagens com caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas semelhantes. Trata-se de uma sequ\u00eancia hist\u00f3rica coerente, e n\u00e3o de uma justaposi\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de estilos. O fato de os exemplares preservados n\u00e3o representarem especificamente Jesus n\u00e3o invalida a possibilidade hist\u00f3rica de adapta\u00e7\u00e3o art\u00edstica para fins simb\u00f3licos ou devocionais, considerando a flexibilidade iconogr\u00e1fica presente na arte medieval.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Quanto \u00e0 data\u00e7\u00e3o por carbono-14, \u00e9 importante destacar que o pr\u00f3prio <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/arcm.12467\">artigo<\/a> de Casabianca <em>et al.<\/em> (2019) reconhece explicitamente: \u201c<em>Our statistical results do not imply that the medieval hypothesis of the age of the tested sample should be ruled out<\/em>\u201d. Ou seja, os pr\u00f3prios autores afirmam que seus resultados estat\u00edsticos n\u00e3o implicam o descarte da hip\u00f3tese medieval, mantendo o tema em aberto no campo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Por fim, no que se refere \u00e0 chamada tridimensionalidade da imagem, os pr\u00f3prios dados cl\u00e1ssicos (Sturp) indicam varia\u00e7\u00f5es de profundidade relativamente baixas, compat\u00edveis com padr\u00f5es gerados por relevo superficial, e n\u00e3o com a geometria tridimensional completa de um corpo humano.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, meu trabalho n\u00e3o foi refutado. Ele apresenta uma hip\u00f3tese test\u00e1vel, baseada em modelagem tridimensional, com dados replic\u00e1veis e metodologia transparente, contribuindo para ampliar o debate cient\u00edfico sobre o Sud\u00e1rio de Turim.<\/p>\n<\/div>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sud\u00e1rio de Turim durante exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica em 2015. 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