{"id":239422,"date":"2026-02-28T05:01:00","date_gmt":"2026-02-28T09:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=239422"},"modified":"2026-02-28T05:01:00","modified_gmt":"2026-02-28T09:01:00","slug":"uma-politica-externa-a-altura-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=239422","title":{"rendered":"Uma pol\u00edtica externa \u00e0 altura do Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Tive, nas \u00faltimas semanas, a oportunidade de acompanhar meu irm\u00e3o, o senador <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/flavio-bolsonaro\/\">Fl\u00e1vio Bolsonaro<\/a>, em uma s\u00e9rie de compromissos internacionais que nos levou a Israel, Emirados \u00c1rabes Unidos, Bahrein, Fran\u00e7a e Estados Unidos. Foi uma agenda intensa, repleta de reuni\u00f5es com chefes de Estado, lideran\u00e7as pol\u00edticas, empresariais e diplom\u00e1ticas, carregada de significados que v\u00e3o muito al\u00e9m do protocolo. O que vimos e ouvimos nesses pa\u00edses confirma um diagn\u00f3stico claro e convergente que muitos brasileiros j\u00e1 sabem, mas que o atual governo se recusa a admitir: o Brasil est\u00e1 perdendo espa\u00e7o no mundo, e esse espa\u00e7o precisa ser recuperado com urg\u00eancia.<\/p>\n<p>Com varia\u00e7\u00f5es m\u00ednimas, interlocutores de diferentes culturas, com interesses distintos e perspectivas variadas, convergiam para um mesmo ponto: o Brasil continua sendo visto como um gigante com enorme potencial, mas hoje carece de previsibilidade e dire\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. O mundo reconhece nossas dimens\u00f5es continentais, nossa abund\u00e2ncia de recursos naturais, nossa capacidade agr\u00edcola, energ\u00e9tica e mineral, nossa juventude empreendedora e nossa singular posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica privilegiada no Hemisf\u00e9rio Sul.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O Brasil que o mundo quer de volta \u00e9 um Brasil est\u00e1vel, respons\u00e1vel e comprometido. Um Brasil que honra seus compromissos, que trata seus parceiros com respeito, e que entende que a diplomacia \u00e9 um instrumento de desenvolvimento e n\u00e3o um palanque para discursos ideol\u00f3gicos<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O que causa perplexidade \u00e9 a dificuldade recorrente do pa\u00eds em transformar essas vantagens estruturais em influ\u00eancia concreta, investimentos consistentes e protagonismo duradouro, desperdi\u00e7ando essas vantagens ao subordinar sua pol\u00edtica externa a uma agenda ideol\u00f3gica que privilegia ditadores, enfraquece alian\u00e7as estrat\u00e9gicas e afasta parceiros que poderiam contribuir genuinamente para o desenvolvimento brasileiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ser especialista em rela\u00e7\u00f5es internacionais para perceber os danos que o governo <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/lula\/\">Lula<\/a> tem causado \u00e0 imagem do Brasil no exterior. A aproxima\u00e7\u00e3o com regimes autorit\u00e1rios, o sil\u00eancio conivente diante de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas por aliados ideol\u00f3gicos, a hostilidade velada \u2013 e \u00e0s vezes n\u00e3o t\u00e3o velada \u2013 a parceiros de longu\u00edssima data do pa\u00eds, e a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da diplomacia para fins partid\u00e1rios constituem o que s\u00f3 se pode chamar de delinqu\u00eancia diplom\u00e1tica.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o externa \u00e9 menos ideol\u00f3gica do que pr\u00e1tica: parceiros querem saber qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do Brasil em temas estrat\u00e9gicos, quais s\u00e3o suas prioridades de longo prazo e quais compromissos s\u00e3o permanentes \u2013 e n\u00e3o circunstanciais. Quando essa clareza falta, a confian\u00e7a diminui. E sem confian\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 grandes acordos, n\u00e3o h\u00e1 investimentos estruturantes e n\u00e3o h\u00e1 lideran\u00e7a regional. O resultado \u00e9 um pa\u00eds que perdeu credibilidade, que n\u00e3o \u00e9 levado a s\u00e9rio como parceiro confi\u00e1vel e que v\u00ea sua influ\u00eancia minguando exatamente quando o contexto global criaria oportunidades \u00fanicas para o Brasil.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio internacional atual oferece oportunidades raras. A reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias globais de valor, a busca por seguran\u00e7a alimentar e energ\u00e9tica, a transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e as tens\u00f5es geopol\u00edticas entre grandes pot\u00eancias abrem espa\u00e7o para pa\u00edses com estabilidade institucional, capacidade produtiva e diplomacia consistente. O Brasil, em tese, poderia reunir todas essas condi\u00e7\u00f5es. Mas falta dire\u00e7\u00e3o e capacidade.<\/p>\n<p>Esse padr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novidade. O lulopetismo, desde seus primeiros governos, sempre encarou a pol\u00edtica externa n\u00e3o como um instrumento a servi\u00e7o do Brasil, mas como um ap\u00eandice da milit\u00e2ncia pol\u00edtico-partid\u00e1ria. Ap\u00f3s 23 anos de eros\u00e3o sistem\u00e1tica, interrompidos apenas pelos quatro anos do governo do presidente <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/jair-bolsonaro\/\">Jair Bolsonaro<\/a> (2019-2022), o capital diplom\u00e1tico do Brasil est\u00e1 praticamente esgotado, e os custos da irresponsabilidade s\u00e3o sentidos em acordos que n\u00e3o se fecham, em investimentos que n\u00e3o chegam e em parcerias estrat\u00e9gicas que se tornam cada vez mais distantes.<\/p>\n<p>O que encontramos nos pa\u00edses visitados foi, ao mesmo tempo, decepcionante e encorajador. Decepcionante porque a percep\u00e7\u00e3o negativa sobre a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa brasileira \u00e9 clara e est\u00e1 consolidada nos c\u00edrculos que mais importam. Encorajador porque a disposi\u00e7\u00e3o para trabalhar por um Brasil diferente, com pol\u00edtica externa pragm\u00e1tica, voltada aos interesses de Estado que construir\u00e3o os fundamentos do desenvolvimento nacional, com \u00eanfase especial ao combate contra o crime organizado e com a seriedade nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, \u00e9 igualmente clara e genu\u00edna. H\u00e1 uma demanda real por um Brasil \u00e0 altura de seu potencial \u2013 e essa demanda n\u00e3o vem apenas dos parceiros tradicionais do mundo ocidental, mas tamb\u00e9m de pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio que buscam rela\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e de longo prazo e que muito podem aportar ao Brasil.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Israel, por exemplo, \u00e9 um parceiro estrat\u00e9gico de enorme relev\u00e2ncia para o Brasil em \u00e1reas como tecnologia, agroneg\u00f3cio, defesa e inova\u00e7\u00e3o, entre outros. Os Emirados \u00c1rabes Unidos e o Bahrein representam portas de entrada para um mercado de elevad\u00edssimo poder aquisitivo, com apetite real por produtos e servi\u00e7os brasileiros, e constituem <em>hubs<\/em> financeiros e log\u00edsticos de import\u00e2ncia crescente na economia global, com capacidade de aportar capital em infraestrutura e energia exatamente nos setores em que o Brasil mais precisa. A Fran\u00e7a, parceiro hist\u00f3rico, \u00e9 uma ponte essencial para o aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es com a Europa e para acordos que podem impulsionar a competitividade da ind\u00fastria e do agroneg\u00f3cio brasileiros, sobretudo no que diz respeito \u00e0 eventual vig\u00eancia eficaz do Acordo de Livre Com\u00e9rcio Mercosul-Uni\u00e3o Europeia, que tem justamente na Fran\u00e7a seu principal opositor. E os Estados Unidos, maior economia do planeta e parceiro insubstitu\u00edvel em termos comerciais, tecnol\u00f3gicos e de seguran\u00e7a, representam uma rela\u00e7\u00e3o que o Brasil simplesmente n\u00e3o pode se dar ao luxo de negligenciar, muito menos de antagonizar, como tem sido a t\u00f4nica do atual governo.<\/p>\n<p>Em todos esses pa\u00edses, ficou evidente que o interesse no Brasil existe e \u00e9 s\u00f3lido \u2013 o que falta \u00e9 previsibilidade e confian\u00e7a na atual gest\u00e3o. Quando interlocutores experientes perguntam, com vis\u00edvel desconforto, em que lado o Brasil est\u00e1 em determinados conflitos ou que crit\u00e9rios orientam as posi\u00e7\u00f5es do governo brasileiro em f\u00f3runs multilaterais, n\u00e3o se trata de curiosidade ret\u00f3rica. \u00c9 a express\u00e3o de uma incerteza real sobre se o Brasil pode ser tratado como parceiro confi\u00e1vel ou se suas posi\u00e7\u00f5es variam ao sabor de c\u00e1lculos ideol\u00f3gicos e de conveni\u00eancias partid\u00e1rias, caso este que \u00e9 a marca registrada da diplomacia lulopetista e indicativo de que o atual governo \u00e9 incapaz de identificar os interesses nacionais de longo prazo.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que a candidatura de Fl\u00e1vio Bolsonaro \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ganha uma dimens\u00e3o que vai al\u00e9m da pol\u00edtica dom\u00e9stica. Um futuro governo comprometido com uma pol\u00edtica externa s\u00e9ria, pautada pelos interesses do Brasil, articulados em uma grande estrat\u00e9gia de Estado \u2013 e n\u00e3o pelos de um partido e seus aliados ideol\u00f3gicos, ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de reposicionar o pa\u00eds adequadamente no cen\u00e1rio internacional. A experi\u00eancia do p\u00e9riplo que realizamos deixou claro que as portas est\u00e3o abertas.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa do presidente Fl\u00e1vio Bolsonaro se guiar\u00e1 por princ\u00edpios simples, mas que t\u00eam sido sistematicamente ignorados: primazia dos interesses nacionais clara e objetivamente identificados, prioriza\u00e7\u00e3o de parcerias estrat\u00e9gicas que beneficiem o Brasil no curto, m\u00e9dio e longo prazo, respeito aos valores democr\u00e1ticos e ao estado de direito, e fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses que compartilham esses valores, sem ceder nem um mil\u00edmetro da soberania e da autonomia estrat\u00e9gica nacionais. Isso n\u00e3o significa, naturalmente, fechar os olhos para oportunidades em diferentes regi\u00f5es do mundo, mas ter clareza sobre com quem o Brasil quer caminhar, como e por que \u2013 e ter a coragem de afirmar essa orienta\u00e7\u00e3o com transpar\u00eancia e coer\u00eancia.<\/p>\n<p>Mais do que isso, ser\u00e1 uma pol\u00edtica externa de Estado \u2013 e n\u00e3o de governo \u2013 concebida e implementada como um dos eixos estruturantes de projeto de desenvolvimento nacional, que dever\u00e1 formular, executar e gerir uma diplomacia pragm\u00e1tica, orientada \u00e0 defesa intransigente da soberania nacional e dos interesses estrat\u00e9gicos permanentes do Estado brasileiro, \u00e0 abertura de mercados, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias comerciais e negociais eficazes, \u00e0 atra\u00e7\u00e3o de investimentos estrangeiros diretos, \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a brasileira nas cadeias globais de valor e ao resgate do protagonismo pol\u00edtico, econ\u00f4mico e cultural do Brasil no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>O Brasil que o mundo quer de volta \u00e9 um Brasil est\u00e1vel, respons\u00e1vel e comprometido. Um Brasil que honra seus compromissos, que trata seus parceiros com respeito, e que entende que a diplomacia \u00e9 um instrumento de desenvolvimento e n\u00e3o um palanque para discursos ideol\u00f3gicos. Os pa\u00edses que visitamos sabem que esse Brasil existe e que pode voltar. A pergunta \u00e9 quando \u2013 e a resposta, confiamos, ser\u00e1 dada nas urnas.<\/p>\n<p><em><strong>Eduardo Bolsonaro<\/strong> \u00e9 ex-deputado federal (PL-SP).<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tive, nas \u00faltimas semanas, a oportunidade de acompanhar meu irm\u00e3o, o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro, em uma s\u00e9rie de compromissos internacionais&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":239423,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-239422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/239422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=239422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/239422\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/239423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=239422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=239422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=239422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}