{"id":237128,"date":"2026-02-27T05:00:00","date_gmt":"2026-02-27T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=237128"},"modified":"2026-02-27T05:00:00","modified_gmt":"2026-02-27T09:00:00","slug":"gastar-bem-o-metodo-paranaense-para-o-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=237128","title":{"rendered":"Gastar bem: o m\u00e9todo paranaense para o SUS"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Quando se discute a melhoria da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil, geralmente a conversa acaba diante de um falso dilema: ou se amplia o gasto ou se aceita a precariedade. O caso do Paran\u00e1 mostra que h\u00e1 um terceiro caminho \u2013 o da efici\u00eancia administrativa. Segundo uma pesquisa realizada pela Genial\/Quaest em 2025, o Paran\u00e1 \u00e9 l\u00edder no Brasil em satisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos servi\u00e7os de sa\u00fade, com 47% de avalia\u00e7\u00e3o positiva, \u00e0 frente de grandes economias, como Minas Gerais (35%) e S\u00e3o Paulo (32%).<\/p>\n<p>Um dado, por\u00e9m, chama aten\u00e7\u00e3o: entre os quatro estados mais bem avaliados, o Paran\u00e1 foi o que utilizou o menor percentual do or\u00e7amento em sa\u00fade \u2013 12,24% da receita l\u00edquida, enquanto o piso constitucional \u00e9 de 12%. Ou seja, estamos falando de uma gest\u00e3o que prioriza satisfa\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio do SUS, organiza\u00e7\u00e3o da rede e uso racional do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O SUS \u00e9 um dos maiores sistemas p\u00fablicos do mundo e deve ser valorizado por sua capilaridade e por seu papel constitucional. Mas isso n\u00e3o significa que ele n\u00e3o precise de melhorias<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mas como isso funciona na pr\u00e1tica? Um dos problemas hist\u00f3ricos do SUS \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o da alta complexidade nas capitais ou em grandes centros regionais. Esse modelo cria o que muitos gestores e usu\u00e1rios conhecem bem: o \u201cturismo de ambul\u00e2ncia\u201d. Pacientes do interior percorrem centenas de quil\u00f4metros para realizar exames, cirurgias ou interna\u00e7\u00f5es que poderiam ser feitos mais perto de casa. O efeito negativo \u00e9 duplo: de um lado, sobrecarrega hospitais de refer\u00eancia e provoca filas de meses; de outro, imp\u00f5e custos sociais e emocionais \u00e0s fam\u00edlias, que precisam se deslocar, afastar-se do trabalho e enfrentar longas esperas em ambientes desconhecidos. Trata-se de uma l\u00f3gica ineficiente do ponto de vista financeiro e desgastante do ponto de vista humano.<\/p>\n<p>A diretriz adotada pelo governo Ratinho Junior foi desatar esse n\u00f3 com uma estrat\u00e9gia de regionaliza\u00e7\u00e3o que priorizou parcerias \u2013 com prefeituras, secretarias e cons\u00f3rcios regionais \u2013 e coordena\u00e7\u00e3o entre os entes. O principal exemplo \u00e9 o Opera Paran\u00e1, programa que reorganizou a oferta de cirurgias eletivas no estado. Em quatro anos, o n\u00famero de procedimentos saltou de cerca de 330 mil para 786 mil por ano \u2013 ou seja, o Paran\u00e1 realiza hoje quase 2,2 mil cirurgias por dia.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque o estado passou a contratar e financiar cirurgias em hospitais regionais, filantr\u00f3picos e municipais, integrando a rede e distribuindo a capacidade de atendimento. A solu\u00e7\u00e3o foi ampliar o atendimento onde h\u00e1 demanda e estrutura instalada, em vez de continuar direcionando para onde j\u00e1 existe satura\u00e7\u00e3o. Poucas pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o t\u00e3o transformadoras quanto devolver autonomia e qualidade de vida a quem esperou meses ou at\u00e9 anos por uma cirurgia.<\/p>\n<p>Esse mesmo princ\u00edpio orienta a expans\u00e3o de leitos e a constru\u00e7\u00e3o de novos hospitais no interior. O Paran\u00e1 investiu R$ 751 milh\u00f5es em 90 obras hospitalares, com foco na oferta de servi\u00e7os de m\u00e9dia e alta complexidade. S\u00e3o 12 novos hospitais em cidades do interior e na regi\u00e3o metropolitana, e outros oito planejados para 2026. O Paran\u00e1 tamb\u00e9m tem um modelo pioneiro para descentralizar o acesso \u00e0 sa\u00fade: o Pronto Atendimento Municipal (PAM), que hoje segue o mesmo padr\u00e3o em todas as novas unidades, com capacidade para 2,1 mil atendimentos di\u00e1rios em urg\u00eancia e emerg\u00eancia 24 horas, assim como cuidado pr\u00e9-hospitalar integrado \u00e0 rede de sa\u00fade. S\u00e3o 52 novos PAMs previstos \u2013 dois j\u00e1 foram entregues em 2025.<\/p>\n<p>O SUS \u00e9 um dos maiores sistemas p\u00fablicos do mundo e deve ser valorizado por sua capilaridade e por seu papel constitucional. Mas isso n\u00e3o significa que ele n\u00e3o precise de melhorias. O desafio agora \u00e9 fazer com que a sa\u00fade p\u00fablica entre definitivamente na l\u00f3gica da gest\u00e3o. O que o Paran\u00e1 oferece \u00e9 um m\u00e9todo: regionalizar, integrar, medir produtividade e financiar a partir de dados. E \u00e9 essa experi\u00eancia que temos condi\u00e7\u00f5es de compartilhar, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel atender mais e melhor, com responsabilidade e com respeito ao dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p><em><strong>Beto Preto<\/strong> \u00e9 secret\u00e1rio de Estado da Sa\u00fade do Paran\u00e1.<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se discute a melhoria da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil, geralmente a conversa acaba diante de um falso dilema: ou&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":237129,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-237128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/237128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=237128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/237128\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/237129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=237128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=237128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=237128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}