{"id":225314,"date":"2026-02-20T07:00:00","date_gmt":"2026-02-20T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=225314"},"modified":"2026-02-20T07:00:00","modified_gmt":"2026-02-20T11:00:00","slug":"fim-da-escala-6x1-como-faz-falta-um-javier-milei-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=225314","title":{"rendered":"Fim da escala 6\u00d71 \u2013 como faz falta um Javier Milei no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2021\/04\/31101613\/50d7807c-734f-11e9-ad2f-00505697492c-wp-crop-20211125144118-crop-20230831131625.jpg\" \/><span>Reduzir jornada por lei ignora incentivos: pode elevar custos, pre\u00e7os e desemprego num pa\u00eds j\u00e1 pouco produtivo. (Foto: Albari Rosa\/Arquivo Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Est\u00e1 para ser votado pelo Congresso Nacional o fim da escala 6&#215;1, projeto enviado pelo governo para reduzir a escala de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas (5&#215;2) ou 36 horas (4&#215;3) por semana.<\/p>\n<p>Um erro comum de pol\u00edticos e burocratas \u00e9 acreditar que altera\u00e7\u00f5es nas leis n\u00e3o trar\u00e3o mudan\u00e7as na realidade. Analisam o cen\u00e1rio de maneira est\u00e1tica, sem prever efeitos de segunda ordem, desconsiderando que as pessoas reagem a incentivos \u2013 regra b\u00e1sica da economia. A discuss\u00e3o acerca da redu\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria da jornada de trabalho \u00e9 um exemplo t\u00edpico desse pensamento.<\/p>\n<p>Para muitas pessoas, h\u00e1 a falsa cren\u00e7a de que as pessoas v\u00e3o trabalhar menos e ganhar exatamente o mesmo sal\u00e1rio. Tampouco, para elas, haver\u00e1 aumento de pre\u00e7os ou eleva\u00e7\u00e3o do desemprego.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no mundo real, se o indiv\u00edduo trabalhar menos e receber o mesmo sal\u00e1rio, isso significa um aumento do custo da hora trabalhada. Geralmente, a empresa lida com o aumento de custo de duas formas: i. repassa a eleva\u00e7\u00e3o para o pre\u00e7o final das mercadorias \u2013 o que depende da elasticidade-pre\u00e7o da demanda (como o consumidor \u00e9 capaz de absorver o aumento) \u2013, ou ii. corta despesas, o que significa demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, onde a redu\u00e7\u00e3o salarial \u00e9 juridicamente bem complicada, as firmas poder\u00e3o demitir seus funcion\u00e1rios e recontratar outros por um valor menor. Entretanto, demiss\u00f5es e contrata\u00e7\u00f5es envolvem custos legais e de treinamento, tornando esse processo complicado na pr\u00e1tica. Assim, a redu\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria da jornada de trabalho poder\u00e1 acarretar aumento de custos, levando as empresas a diminuir seu quadro de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia poss\u00edvel do fim da escala 6&#215;1 seria a de muitas firmas recorrerem ainda mais \u00e0 pejotiza\u00e7\u00e3o ou \u00e0 informalidade, preferindo assumir riscos jur\u00eddicos trabalhistas futuros \u00e0 certeza do aumento de custos da m\u00e3o de obra no presente.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Os defensores da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho v\u00e3o argumentar que nenhuma dessas consequ\u00eancias (infla\u00e7\u00e3o ou desemprego) vai ocorrer, pois o maior tempo de descanso do trabalhador acarretar\u00e1 aumento da sua produtividade.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que esse argumento n\u00e3o se sustenta nos dados. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia de que haver\u00e1 ganhos de produtividade. Pelo contr\u00e1rio, de acordo com a FGV, a produtividade do trabalho cresceu pouco, em m\u00e9dia 0,8% ao ano, de 1995 a 2004.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, na pr\u00e1tica, de acordo com dados da PNAD do IBGE, a jornada de trabalho efetiva no Brasil \u00e9 de 38,2 horas semanais, j\u00e1 abaixo da escala 5&#215;2 (40 horas) defendida pelo governo.<\/p>\n<p>Copiar o modelo europeu, acreditando que aqui \u00e9 exatamente a mesma realidade, \u00e9 um equ\u00edvoco. Primeiro, porque l\u00e1 a mudan\u00e7a no mercado de trabalho foi gradual, e n\u00e3o imposta de repente pela lei, de cima para baixo. Segundo, porque a produtividade deles \u00e9 maior que a nossa.<\/p>\n<p>Em vez de replicar o modelo europeu, por que n\u00e3o copiar os modelos dos pa\u00edses asi\u00e1ticos que rapidamente apresentaram um crescimento muito forte da renda per capita? Na Coreia do Sul, por exemplo, a carga de trabalho \u00e9 de 40 horas semanais, podendo chegar a 52 horas, se ocorrer acordo entre empregador e empregado. Pergunte a eles se o caminho da prosperidade \u00e9 mais ou menos trabalho. Talvez, na cultura asi\u00e1tica, essa pergunta nem fa\u00e7a muito sentido.<\/p>\n<p>Por que, em vez de impor uma redu\u00e7\u00e3o da jornada, n\u00e3o adotamos uma flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, nos moldes americanos, ou como Javier Milei prop\u00f5e na Argentina, com uma livre negocia\u00e7\u00e3o entre empregado e empregador sobre a quantidade de trabalho semanal? Assim, o trabalhador \u00e9 remunerado pelas horas trabalhadas e pelo seu n\u00edvel de produtividade. Quem quiser trabalhar mais, que labute. Quem quiser trabalhar menos, que o fa\u00e7a.<\/p>\n<p>Por fim, num pa\u00eds cuja produtividade \u00e9 baixa \u2013 94\u00ba de um total de 184 pa\u00edses, de acordo com dados da OIT, e 62\u00ba de 97 na\u00e7\u00f5es, conforme o ranking da IMD \u2013, onde mais de 65 milh\u00f5es de pessoas t\u00eam idade ativa e n\u00e3o trabalham por op\u00e7\u00e3o, e 90 milh\u00f5es de indiv\u00edduos recebem algum tipo de aux\u00edlio do governo, \u00e9 um absoluto contrassenso discutir redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho.<\/p>\n<p>Como faz falta um Javier Milei no Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reduzir jornada por lei ignora incentivos: pode elevar custos, pre\u00e7os e desemprego num pa\u00eds j\u00e1 pouco produtivo. 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