{"id":222654,"date":"2026-02-22T14:03:29","date_gmt":"2026-02-22T18:03:29","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=222654"},"modified":"2026-02-22T14:03:29","modified_gmt":"2026-02-22T18:03:29","slug":"os-cristaos-do-iraque-uma-igreja-muito-viva-e-muito-proxima-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=222654","title":{"rendered":"Os crist\u00e3os do Iraque: uma igreja muito viva e muito pr\u00f3xima de n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Uma Igreja muito viva que est\u00e1 muito perto de n\u00f3s<\/p>\n<p>Foi em 2013 quando come\u00e7aram a chegar at\u00e9 mim not\u00edcias de que, em alguns lugares do mundo, os crist\u00e3os estavam sofrendo persegui\u00e7\u00e3o por causa da sua f\u00e9. Essas hist\u00f3rias n\u00e3o apareciam nos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o; eu as lia em alguns jornais digitais cat\u00f3licos. Naquela \u00e9poca, eu ainda pensava que, se algo n\u00e3o sa\u00eda nas manchetes principais, \u00e9 porque n\u00e3o estava realmente acontecendo. Com o tempo, descobri que as coisas importantes s\u00e3o, precisamente, as que n\u00e3o aparecem na imprensa.<\/p>\n<p>Minha primeira rea\u00e7\u00e3o diante dessas hist\u00f3rias foi de ceticismo. Olho ao meu redor e vejo que o normal \u00e9 zombar da Igreja e rir de Cristo. E, mais triste ainda, em n\u00e3o poucas ocasi\u00f5es somos n\u00f3s, os pr\u00f3prios crist\u00e3os, que nos envergonhamos de nos reconhecer diante do mundo como tais. E claro, vendo como as coisas est\u00e3o, eu iria acreditar que, n\u00e3o muito longe da minha casa, havia homens dispostos a morrer pelo Senhor?<\/p>\n<p>Eu estava convencido de que eram os jornalistas que trabalhavam naqueles jornais que exageravam as hist\u00f3rias desses crist\u00e3os. Ing\u00eanuo de mim, pensava que haviam transformado um insulto ou um pequeno confronto numa terr\u00edvel e cruel hist\u00f3ria de persegui\u00e7\u00e3o, a fim de que n\u00f3s, ocidentais que l\u00edamos aquelas not\u00edcias, cresc\u00eassemos no nosso amor a Deus.<\/p>\n<p>Mas o tempo passou e essas not\u00edcias come\u00e7aram a aparecer em cada vez mais lugares, e mais pessoas \u2014 muito relevantes \u2014 come\u00e7aram a falar de persegui\u00e7\u00e3o e de genoc\u00eddio. E isso j\u00e1 me incomodava mais, porque\u2026 se essas hist\u00f3rias eram verdade, o que eu estava fazendo com a hist\u00f3ria da minha vida?<\/p>\n<p>Eu acabara de descobrir crist\u00e3os com verdadeiros motivos para renunciar \u00e0 sua f\u00e9 (pois, do contr\u00e1rio, poderiam perder tudo aquilo em que eu coloco meu conforto e minha felicidade: uma boa casa, um bom trabalho, boas economias\u2026 at\u00e9 a pr\u00f3pria vida!) que preferiam perder tudo isso e assumir o mandamento evang\u00e9lico: &#8220;De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?&#8221;.<\/p>\n<p>E, no entanto, n\u00f3s, que s\u00f3 colocamos em jogo a nossa reputa\u00e7\u00e3o, passar um pouco de vergonha e parecer os \u201cestranhos\u201d do trabalho que acreditaram num \u201cconto de fadas\u201d, passamos a vida dizendo, de mil e uma maneiras diferentes, que n\u00e3o somos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Uns, renunciando a tanto por Deus! E outros, renunciando a Deus por t\u00e3o pouco!<\/p>\n<p>E claro, depois de descobrir isso, s\u00f3 me restava ir conhec\u00ea-los, certificar-me de que suas vidas eram reais, toc\u00e1-los, e ver que aquelas pessoas de quem meu av\u00f4 sempre me dizia que, na Barcelona de 1936, estavam dispostas a entregar a vida pelo Senhor, ainda existiam hoje, embora em outros lugares do mundo.<\/p>\n<p>Assim, em 2014 fui ao L\u00edbano, em 2015 ao Iraque em guerra e em 2017 ao Iraque j\u00e1 libertado.<\/p>\n<p>Lembro que, na primeira viagem, fui para l\u00e1 pensando: &#8220;Pobres crist\u00e3os do Oriente, que sorte que agora poder\u00e3o respirar mais tranquilos porque chegaram crist\u00e3os do Ocidente para fazer um document\u00e1rio que melhorar\u00e1 suas vidas&#8221;. Enorme soberba e enorme ingenuidade. N\u00e3o demorou muito para que a realidade me desse um bom tapa \u2014 como costuma acontecer \u2014 e eu descobrisse que era exatamente o contr\u00e1rio do que eu havia imaginado. A realidade era: &#8220;Pobres de n\u00f3s, crist\u00e3os do Ocidente! Quem dera que algo da f\u00e9 dos crist\u00e3os do Oriente se contagiasse em n\u00f3s!&#8221;. Demos pouqu\u00edssimo; recebemos tudo.<\/p>\n<p>N\u00f3s podemos rezar por eles (o mais importante e eficaz que est\u00e1 ao nosso alcance) e talvez ajud\u00e1-los economicamente, algo sempre pequeno por mais elevada que seja a quantia, mas esses crist\u00e3os nos ensinaram o mais importante que algu\u00e9m pode aprender em casa, na escola, na par\u00f3quia ou lendo uma revista: que vale a pena viver e morrer por Cristo. Vale a pena entregar a vida inteira a Cristo. E essa verdade, a mais sublime e a que deve configurar nossas vidas, n\u00e3o nos ensinam com palavras e serm\u00f5es; ensinam-nos com a alegria e a paz com que vivem e morrem.<\/p>\n<p>Lembro, por exemplo, a hist\u00f3ria de Aida, m\u00e3e de tr\u00eas filhos, casada com um homem cego. Viviam em Qaraqosh, a maior cidade crist\u00e3 do Iraque (sessenta mil habitantes), situada na Plan\u00edcie de N\u00ednive. No dia 6 de agosto de 2014, de madrugada, foram avisados da iminente chegada do Daesh (Estado Isl\u00e2mico) e a maioria dos habitantes fugiu. Os que tinham carro colocavam dentro quantos podiam, dinheiro em esp\u00e9cie e documentos, com a esperan\u00e7a de voltar logo, embora dez anos depois muitos ainda n\u00e3o tenham podido regressar \u00e0s suas casas. E os que n\u00e3o tinham ve\u00edculo fugiram a p\u00e9 pela estrada, arrastando suas vidas consigo.<\/p>\n<p>O trajeto entre Qaraqosh e Erbil (para onde muitos fugiram) normalmente levava quarenta minutos, mas naquele dia demoraram mais de doze horas para percorr\u00ea-lo. O medo era t\u00e3o grande que muitos perderam o controle do pr\u00f3prio corpo, as estradas ficaram cheias de carros acidentados, e o congestionamento era t\u00e3o enorme que alguns abandonaram os carros para continuar a fuga a p\u00e9. E, como se isso n\u00e3o bastasse, enquanto escapavam de suas casas, come\u00e7aram a voar m\u00edsseis sobre suas cabe\u00e7as com o objetivo de matar aqueles que fugiam desarmados.<\/p>\n<p>Mas nem todos fugiram. Houve idosos, doentes e pessoas que confiavam que o Daesh nunca chegaria \u00e0s suas casas, que decidiram ficar. Cerca de sessenta pessoas ficaram sequestradas pelos terroristas em suas casas naquele mesmo dia e durante outros vinte. Entre elas, Aida com seu marido e Cristina, a filha pequena de tr\u00eas anos, pois os filhos mais velhos haviam fugido para Erbil.<\/p>\n<p>Durante aqueles dias, os terroristas entravam nas casas dos cativos e os amea\u00e7avam de morte se n\u00e3o se convertessem ao isl\u00e3. N\u00e3o tiveram sucesso em nenhuma das visitas, que eram di\u00e1rias. Havia dias em que entravam nas casas onde os vizinhos estavam sequestrados e destru\u00edam todos os objetos religiosos ou saqueavam tudo. E, se algum doente morria, arrastavam o corpo at\u00e9 a rua e o deixavam se decompor \u00e0 vista de todos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s vinte dias, deram-lhes tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: converter-se ao isl\u00e3, pagar a jizya ou abandonar tudo e fugir \u2014 e foi isso que fizeram: fugir. N\u00e3o houve uma \u00fanica apostasia, que teria sido a solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s vinte dias, deram-lhes tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: converter-se ao isl\u00e3, pagar a jizya ou abandonar tudo e fugir \u2014 e foi isso que fizeram: fugir. N\u00e3o houve uma \u00fanica apostasia, que teria sido a solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil. Convocaram-nos ao centro de sa\u00fade da cidade, onde dois micro-\u00f4nibus os esperavam e que, teoricamente, os levariam at\u00e9 Erbil.<\/p>\n<p>Aida chegou com a fam\u00edlia, mas, quando se preparava para subir no \u00f4nibus, um membro do DAESH arrancou-lhe a filha. Chorando, ela suplicou que lhe devolvessem a menina, mas o soldado a levou diante do olhar de terror e da impot\u00eancia da m\u00e3e. Pouco depois, Cristina voltou, sentada nos ombros do chefe do DAESH daquela regi\u00e3o, que disse a Aida que, se n\u00e3o subisse no \u00f4nibus, mataria primeiro sua filha e depois a ela. Diante dessa amea\u00e7a, Aida n\u00e3o teve outra escolha sen\u00e3o sentar-se no \u00f4nibus e afastar-se de sua aldeia e de sua filha, at\u00e9 chegar ao deserto, onde o \u00f4nibus os abandonou \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p>Ali passaram por incont\u00e1veis dificuldades para chegar com vida a Erbil. A fauna, o clima e a idade avan\u00e7ada de muitos tornaram tudo muito dif\u00edcil. Alguns estiveram \u00e0 beira da morte, outros adoeceram gravemente e as extremidades de alguns chegaram a gangrenar.<\/p>\n<p>Ao chegar a Erbil, Aida contou o que havia acontecido com sua filha. A hist\u00f3ria de Cristina come\u00e7ou a dar a volta ao mundo, e as ora\u00e7\u00f5es pedindo sua liberta\u00e7\u00e3o chegaram aos milhares.<\/p>\n<p>Pouco depois disso, chegamos n\u00f3s a Erbil, onde pudemos conhecer Aida, seu marido e seus filhos mais velhos. Perguntamos a Aida se ela perdoava aqueles que lhe haviam tirado Cristina. Mas, antes de escrever sua resposta literal, creio que \u00e9 bom dizer algo sobre Aida, pois isso demonstra ainda mais a grandeza do Senhor.<\/p>\n<p>Aida \u00e9 uma mulher simples, provavelmente analfabeta, de apar\u00eancia desleixada e que mal possui as capacidades necess\u00e1rias para levar uma vida normal. Enfim, o que aos olhos do mundo seria uma pobre coitada. Pois bem, \u00e0 nossa pergunta respondeu: &#8220;Assim como Jesus na cruz, digo: \u201cPai, perdoa-lhes, porque n\u00e3o sabem o que fazem&#8221;. E era um perd\u00e3o sincero. Vimos como se tornava realidade o pref\u00e1cio da missa dos m\u00e1rtires: &#8220;Em sua fraqueza manifestas a tua pr\u00f3pria gl\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>Aida tinha poucas coisas, mas estava cheia do Senhor, que no meio de todo aquele sofrimento havia consolado seu cora\u00e7\u00e3o e a sustentava. Aida, provavelmente desprezada pelo mundo, era a preferida do Senhor. E Ele colocou em sua boca palavras pr\u00f3prias de um santo. A mais pobre e humilde de todos nos ensinou o caminho a seguir.<\/p>\n<p>A conversa com Aida foi uma das muitas ocasi\u00f5es em que pudemos encontrar pessoalmente o Senhor. Ele estava ali, com ela, e isso era muito evidente para todos os que est\u00e1vamos naquela pequena sala.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pudemos conhecer o padre Benoka, de Bartela, a segunda cidade crist\u00e3 do Iraque, que ao chegar a Erbil a primeira coisa que fez, junto com a irm\u00e3 Diana, foi montar uma tenda no meio de um terreno vazio e transform\u00e1-la em dispens\u00e1rio para todos aqueles que vinham doentes de casa ou que haviam adoecido ap\u00f3s a longa fuga sob cinquenta graus de calor. Compravam medicamentos com o dinheiro que conseguiam e sempre se formavam filas quilom\u00e9tricas diante daquela humilde tenda.<\/p>\n<p>Tinham poucos medicamentos porque n\u00e3o dispunham de muito dinheiro, mas nos contaram que nunca ningu\u00e9m ficou sem o necess\u00e1rio. Compravam algumas dezenas de rem\u00e9dios, mas centenas de pessoas voltavam para casa todos os dias com o seu. Esse foi o milagre que o Senhor realizou e que eles viveram. O padre Benoka dizia claramente: &#8220;Se dependesse de mim, eu n\u00e3o estaria aqui, j\u00e1 teria ido embora, mas a for\u00e7a que tenho n\u00e3o \u00e9 minha, \u00e9 de Deus; por minhas pr\u00f3prias for\u00e7as eu n\u00e3o teria aguentado nem dois dias&#8221;, e j\u00e1 leva uma d\u00e9cada. Mais uma vez o Senhor se fazia presente no meio de toda aquela mis\u00e9ria e realizava o milagre.<\/p>\n<p>O padre Benoka tamb\u00e9m nos contou que, com o passar do tempo, o dispens\u00e1rio foi crescendo at\u00e9 se tornar algo mais do que um hospital de campanha. E come\u00e7aram a chegar as fam\u00edlias mu\u00e7ulmanas que haviam expulsado aqueles crist\u00e3os de suas casas. Porque essa foi a triste realidade em muitos lugares: os vizinhos mu\u00e7ulmanos foram os que expulsaram \u00e0 for\u00e7a os crist\u00e3os de suas casas para depois saque\u00e1-las.<\/p>\n<p>E claro, quando chegaram a Erbil \u2014 porque at\u00e9 para eles tudo havia se complicado \u2014 os crist\u00e3os disseram que n\u00e3o queriam ajudar seus inimigos. Algo mais do que compreens\u00edvel, mas que preocupava muito o padre Benoka. Assim, ele n\u00e3o se cansou de rezar para reverter essa situa\u00e7\u00e3o e conversou com seu povo, at\u00e9 que finalmente entenderam que o \u00fanico modo de continuar sendo crist\u00e3os era ajudar e aliviar os sofrimentos daqueles que haviam sido seus perseguidores.<\/p>\n<p>Como o pr\u00f3prio padre Benoka nos disse: &#8220;As palavras de Jesus s\u00e3o bonitas, mas \u00e0s vezes muito dif\u00edceis de seguir; se quer\u00edamos continuar sendo crist\u00e3os, n\u00e3o havia outro caminho&#8221;. E novamente aconteceu outro milagre incompreens\u00edvel aos olhos da l\u00f3gica deste mundo.<\/p>\n<p>Mas, se eu tivesse que guardar algo de tudo o que vivemos ali, ficaria com a alegria e a paz com que viviam aquele inferno. N\u00e3o era uma alegria superficial, mas a que nasce do cora\u00e7\u00e3o. Lembro-me de estar atr\u00e1s das c\u00e2meras ouvindo desgra\u00e7as n\u00e3o apenas imposs\u00edveis de viver, mas tamb\u00e9m inimagin\u00e1veis e, ao mesmo tempo, invejar a alegria dos protagonistas. Como podia ser que eu, que tenho tudo \u2014 e muito do que tenho me sobra \u2014 desejasse a paz e a alegria daqueles crist\u00e3os? Eles estavam cheios do Senhor, e seu amor se derramava por toda parte.<\/p>\n<p>N\u00e3o gostaria de terminar este artigo sem destacar que, no Iraque, a Igreja est\u00e1 muito viva. Em 2015, muitos crist\u00e3os queriam deixar o pa\u00eds; pouco lhes importava que um dia a guerra terminasse, suas casas haviam sido destru\u00eddas. Mas para eles era imposs\u00edvel conseguir sair, n\u00e3o os deixavam entrar em outros pa\u00edses. Os \u00fanicos que, se quisessem, poderiam ter ido sem dificuldade para algum pa\u00eds europeu eram os sacerdotes e as religiosas.<\/p>\n<p>Mas, longe de partir, escolheram ficar em sua terra e viver com, como e para aqueles crist\u00e3os. E n\u00e3o s\u00f3 isso: em muitas ocasi\u00f5es colocaram-se \u00e0 frente dos centros de deslocados que, longe de serem um pr\u00eamio, eram um grande sacrif\u00edcio que exigia quinze ou vinte horas di\u00e1rias de trabalho.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7o o caso do padre Emmanuel, que no dia 10 de junho de 2014 fugiu de Mossul para Qaraqosh junto com milhares de crist\u00e3os depois que a cidade caiu. Em Qaraqosh montou o primeiro centro de deslocados. Dois meses depois, ap\u00f3s ter fugido e perdido tudo, teve que fugir novamente, desta vez para Erbil, onde construiu o maior campo de deslocados do Iraque, que acolhia cinco mil crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Poderia ter ido alguns meses para a Europa descansar \u2014 teria sido mais do que compreens\u00edvel \u2014, mas n\u00e3o apenas ficou, como permaneceu trabalhando dia e noite para que aqueles crist\u00e3os pudessem dormir tranquilos e tivessem o necess\u00e1rio para levar uma vida digna.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os do Iraque viram como seus pastores (sacerdotes e religiosas) permaneciam ali por eles, dispostos a perder a vida, e seguramente essa seja a principal raz\u00e3o pela qual, em 2017, quando voltamos, j\u00e1 n\u00e3o era majorit\u00e1rio o sentimento de querer deixar o pa\u00eds. Agora queriam voltar \u00e0s suas casas para reconstru\u00ed-las, com a esperan\u00e7a de repovoar novamente a b\u00edblica e bela Plan\u00edcie de N\u00ednive. Essa \u00e9 a Igreja viva que conheci no Iraque.<\/p>\n<p>E considero importante n\u00e3o ver essa persegui\u00e7\u00e3o apenas como um drama \u2014 que \u00e9 \u2014, mas tamb\u00e9m como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o \u2014 que tamb\u00e9m \u00e9. Dizia Tertuliano que o sangue dos m\u00e1rtires \u00e9 semente de novos crist\u00e3os, e a f\u00e9 desses 360 milh\u00f5es de crist\u00e3os que sofrem persegui\u00e7\u00e3o no mundo \u00e9 a que mant\u00e9m viva a nossa. Pela comunh\u00e3o dos santos, a entrega desses crist\u00e3os \u00e9 um bem que repercute em toda a Igreja, ainda que n\u00e3o os conhe\u00e7amos, n\u00e3o saibamos seus nomes e nem sequer sua exist\u00eancia. Diante de Deus, nunca ser\u00e3o her\u00f3is an\u00f4nimos.<\/p>\n<p>E n\u00e3o pensemos tamb\u00e9m que, por acontecer longe de nossas casas, o tema n\u00e3o nos diz respeito e o Senhor n\u00e3o nos pede o mesmo. &#8220;Por causa do meu nome sereis perseguidos&#8221;. Todos somos chamados ao mart\u00edrio, como esses crist\u00e3os do Iraque. A viver e a morrer por Ele. Embora nem sempre do mesmo modo.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que a n\u00f3s n\u00e3o nos \u00e9 pedido o sangue que a tantos outros \u00e9 pedido \u2014 ao menos por agora \u2014, mas \u00e9-nos pedida a vida. E a pergunta que devemos fazer \u00e9: &#8220;Estou disposto a entreg\u00e1-la?&#8221;. D\u00e1 medo, mas o testemunho de tantos crist\u00e3os perseguidos nos ensina que \u00e9 uma entrega acompanhada de grande alegria.<\/p>\n<p>O Senhor n\u00e3o abandonou aqueles crist\u00e3os que vivem pior do que os ratos que correm por nossas cidades. Eles mesmos n\u00e3o se cansam de repetir: &#8220;Nunca nos sentimos abandonados por Deus&#8221;. Por que nos abandonaria a n\u00f3s? Mas, claro, se corremos na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a Ele, pouco pode fazer. Corramos para os seus bra\u00e7os como nossos irm\u00e3os do Oriente.<\/p>\n<p>A f\u00e9 \u00e9 confian\u00e7a, e para que algu\u00e9m possa confiar na esposa, nos amigos ou em Deus, antes de tudo precisa abandonar-se. Porque \u00e9 no abandono que descobrimos que o outro permanece ali e o nosso amor cresce. Abandonemo-nos, pois, no Senhor, porque assim at\u00e9 a vida mais infeliz se transforma numa vida cheia de luz.<\/p>\n<p><strong>\u00a92026 Revista Suroeste. Original em espanhol: <a href=\"https:\/\/revistasuroeste.cl\/2026\/02\/16\/los-cristianos-de-irak\/\">Los cristianos de Irak<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Igreja muito viva que est\u00e1 muito perto de n\u00f3s Foi em 2013 quando come\u00e7aram a chegar at\u00e9 mim not\u00edcias&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":51316,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-222654","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/222654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=222654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/222654\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/51316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=222654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=222654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=222654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}