{"id":222508,"date":"2026-02-22T13:00:00","date_gmt":"2026-02-22T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=222508"},"modified":"2026-02-22T13:00:00","modified_gmt":"2026-02-22T17:00:00","slug":"o-carnaval-e-o-interior-das-nossas-obras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=222508","title":{"rendered":"O carnaval e o interior das nossas obras"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>\u00c9 uma fila de pessoas. Muita gente, um atr\u00e1s do outro, esbarrando-se e \u00e0s vezes empurrando-se, v\u00e3o caminhando para a frente, num longo caminho, numa longa via. Est\u00e3o todos inebriados de uma alegria airada, muitos vestidos com roupas coloridas ou fantasias, o corpo coberto de brilhos. Ressoa no ar uma m\u00fasica alta e festiva, batidas de percuss\u00e3o condicionam o ritmo do corpo. \u00c9 <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/carnaval\/\">carnaval<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 uma fila de pessoas. Muita gente, um atr\u00e1s do outro, num passo lento e com a cabe\u00e7a baixa, v\u00e3o caminhando para a frente, num longo caminho, numa longa via. Est\u00e3o todos circunspectos, vigilantes, mas alegres interiormente de uma doce esperan\u00e7a. Se os antigos se vestiam de sacos, os penitentes de hoje revestem-se apenas de um prop\u00f3sito, enquanto ouvem ressoar no ar as palavras \u201cLembra-te de que \u00e9s p\u00f3, e em p\u00f3 te h\u00e1s de tornar\u201d, at\u00e9 que chegue sua vez de ter a testa marcada por um punhado de cinzas. \u00c9 Quaresma.<\/p>\n<p>S\u00e3o as mesmas pessoas aquelas que, dias antes, festejavam nas ruas ou nos sal\u00f5es, e que ent\u00e3o adentram o templo para o in\u00edcio da caminhada quaresmal? Atualmente, a intersec\u00e7\u00e3o entre esses grupos \u00e9 certamente menor do que antigamente. Isso s\u00f3 revela que, assim como foram-se perdendo, evanescendo no ambiente cultural, o sentido verdadeiro das festas crist\u00e3s do Natal e da P\u00e1scoa \u2013 reduzidas, como todos sabem, a um \u201cesp\u00edrito\u201d gen\u00e9rico de bondade e paz, a um Papai Noel m\u00e1gico e \u00e0 compra de presentes no com\u00e9rcio, ou, no segundo caso, ao consumo de muito chocolate, trazido, quem sabe, por um grande coelho m\u00e1gico \u2013, do mesmo modo perdeu-se tamb\u00e9m o sentido dessa data de carnaval.<\/p>\n<p>Ouvi outro dia um coment\u00e1rio fortuito, que me fez refletir a respeito. O genro dizia \u00e0 sogra que, infelizmente para os filhos e para os programas divertidos que poderiam ter programado, trabalharia normalmente, afinal, pelo calend\u00e1rio oficial os dias de carnaval n\u00e3o s\u00e3o dias de feriado. E a mulher, desapontada, atribuiu o ocorrido \u2013 a \u201cn\u00e3o celebra\u00e7\u00e3o\u201d do carnaval \u2013 ao fato de a empresa onde o genro trabalha ter donos de religi\u00e3o cat\u00f3lica. Que sintom\u00e1tica confus\u00e3o! Ela compreende que o carnaval \u00e9 uma festa inimiga da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/religiao\/\">religi\u00e3o<\/a>, inimiga da Quaresma que vem em seguida, que \u00e9 algo oposto e contr\u00e1rio ao calend\u00e1rio da Igreja.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Assim como foram-se perdendo, evanescendo no ambiente cultural, o sentido verdadeiro das festas crist\u00e3s do Natal e da P\u00e1scoa, do mesmo modo perdeu-se tamb\u00e9m o sentido da data de carnaval<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Infelizmente, ela n\u00e3o est\u00e1 de todo errada. O fato de a intersec\u00e7\u00e3o entre os grupos que pula carnaval com vigor e que ingressa na Quarta-Feira das Cinzas com semelhante interesse ser pequeno e decrescente tem muito que ver justamente com o fato de o carnaval estar sendo, j\u00e1 de muito tempo, transformado numa festa anticrist\u00e3. No in\u00edcio da semana passada, muita gente ficou ofendida e chocada com a representa\u00e7\u00e3o da \u201cfam\u00edlia conservadora\u201d na escola de samba de Niter\u00f3i. Notem que a ideia \u00e9 fraca, a piada \u00e9 boboca, e a execu\u00e7\u00e3o do figurino, pobre (n\u00e3o sei dizer que nota tiraram, mas, se foi boa, deve-se apenas a apoio ideol\u00f3gico). Mas quem tem boa mem\u00f3ria h\u00e1 de lembrar-se de que, perto do que j\u00e1 viu em anos anteriores, essa bobagem pueril quase n\u00e3o chega a ser uma ofensa. J\u00e1 vimos dem\u00f4nios gigantes tentando curar, na avenida, o recalque milenar que ainda sentem por terem perdido a parada para o Salvador. N\u00e3o \u00e9 impr\u00f3prio dizer que vivemos j\u00e1 numa civiliza\u00e7\u00e3o \u201cp\u00f3s-crist\u00e3\u201d ou \u201cneopag\u00e3\u201d, como chamava Bento XVI.<\/p>\n<p>E esses grupos e partidos fazem mesmo o que podem para ligar, historicamente, o carnaval a ritos b\u00e1quicos e outras celebra\u00e7\u00f5es pag\u00e3s. Bem, n\u00e3o deveria ser novidade para ningu\u00e9m que, antes do <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/cristianismo\/\">cristianismo<\/a>, a humanidade vivia em situa\u00e7\u00f5es culturais e rituais de imensa degrada\u00e7\u00e3o, que inclu\u00edam desde o sacrif\u00edcio aos \u00eddolos at\u00e9 o canibalismo e a pedofilia. Isso s\u00f3 n\u00e3o deveria ser orgulho para ningu\u00e9m. Mas este n\u00e3o \u00e9 o carnaval.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca em que n\u00e3o existia geladeira \u2013 nem m\u00e1quina de lavar, nem ferro el\u00e9trico, nem micro-ondas, nem autom\u00f3vel, nem computador, nem internet, nem intelig\u00eancia artificial&#8230; \u2013, a carne nas casas era armazenada no sal ou na gordura animal, e assim era preservada, para que o abate de um mesmo animal pudesse ser consumido ao longo do tempo.<\/p>\n<p>O nome da festa, carnaval, tem raiz no latim cl\u00e1ssico: <em>carnem levare<\/em> ou <em>carnis levale<\/em>, que, em tradu\u00e7\u00e3o literal, quer dizer \u201cabsten\u00e7\u00e3o da carne\u201d. No latim medieval se dizia <em>carnelevarium<\/em>, <em>carnilevaria <\/em>ou <em>carnilevamen<\/em>. A palavra foi criada com a jun\u00e7\u00e3o dos termos <em>carnis<\/em>, \u201ccarne\u201d, e o verbo <em>levare<\/em>, que quer dizer \u201ctirar\u201d, \u201clevar\u201d ou \u201cafastar\u201d. Outros estudiosos sustentam a hip\u00f3tese de que a palavra tenha se formado, na verdade, a partir de <em>vale<\/em>, que significa \u201cadeus\u201d ou \u201ctchau\u201d: <em>Bye<\/em>,<em> bye<\/em>, churrasco. Por um caminho ou por outro, fica rapidamente patente que o carnaval \u00e9 a festa em que se retirava toda a carne da conserva, em que se consumia toda ela \u2013 o que \u00e9, sem d\u00favida, uma del\u00edcia, uma festan\u00e7a, uma pequena alegria mundana \u2013, e em que se dizia \u201cadeus\u201d \u00e0 sua presen\u00e7a, ao seu consumo, visto que se entra, logo em seguida, no per\u00edodo do Grande Jejum, o da Quaresma. Isso \u00e9 assim no Ocidente e no Oriente, com a \u00fanica diferen\u00e7a que, no Oriente, o <em>carnem levare<\/em> n\u00e3o \u00e9 festa na ter\u00e7a-feira, e sim na sexta, visto que l\u00e1 a Quaresma tem in\u00edcio no pr\u00f3prio domingo, com a segunda-feira de cinzas. Por isso a verdade \u00e9 que, em sua origem, o carnaval \u00e9 uma festa da Igreja.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Mas, como dizem tantas can\u00e7\u00f5es, o carnaval acaba, assim como a nossa vida neste mundo acaba, e h\u00e1 de acabar, e tornaremos ao p\u00f3 de onde viemos. N\u00f3s, ao p\u00f3? N\u00e3o, apenas este nosso corpo mortal \u2013 por ora \u2013, e todas, todas, todas as nossas vaidades. \u00c9 por isso que fazemos, todo ano, uma salutar caminhada quaresmal.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que um dos tr\u00eas pilares da Quaresma \u00e9 o jejum: ele marca, de maneira inequ\u00edvoca e inescap\u00e1vel, o contraste entre o p\u00f3 e a vida, entre o que morrer\u00e1 e o que permanecer\u00e1 vivo; ele real\u00e7a o que n\u00e3o \u00e9 p\u00f3, e que por isso sobreviver\u00e1 ao p\u00f3. Quando dizemos \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o mais b\u00e1sica e necess\u00e1ria do corpo, o alimento, sublinhamos, com a a\u00e7\u00e3o da vontade, que n\u00e3o somos o nosso corpo, que somos mais do que ele; que \u00e9 ele quem serve \u00e0 nossa vida, a qual n\u00e3o virar\u00e1 p\u00f3 com ele. Ao lado do jejum est\u00e3o, como os outros dois trip\u00e9s, a esmola e a ora\u00e7\u00e3o, que confluem no mesmo sentido. Quando tomamos do bolso o que \u00e9 nosso \u2013 que seria para nosso sustento, ou para nossa seguran\u00e7a, ou para o nosso conforto \u2013 e damos \u00e0quele que pede ou que precisa mais, esta a\u00e7\u00e3o material e concreta faz com que morra, de antem\u00e3o, um pouquinho de n\u00f3s, um pouquinho do que somos neste mundo. Esse gesto faz contrastar o homem do p\u00f3.<\/p>\n<p>Essa marca de <em>quarenta<\/em> dias se repete muitas e muitas vezes na B\u00edblia, tantas que \u00e9 f\u00e1cil compreender o seu sentido, sempre relacionado ao arrependimento e \u00e0 expia\u00e7\u00e3o, ao retiro e \u00e0 prova\u00e7\u00e3o, a uma renova\u00e7\u00e3o que passa pelo p\u00f3, como o de uma f\u00eanix. Tempo de purifica\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es, convers\u00e3o \u2013 para dentro, em primeiro lugar, e ent\u00e3o para o caminho ascendente. Quarenta dias ficaram No\u00e9 e a fam\u00edlia na arca, quando as \u00e1guas lavavam o mundo; quarenta dias ficou Mois\u00e9s no alto da montanha, at\u00e9 que recebesse as t\u00e1bulas com a lei; os israelitas tiveram de suportar a aud\u00e1cia de Golias a desafi\u00e1-los por quarenta dias, at\u00e9 que Davi o pusesse por terra; Elias, o grande profeta, foi sustentado quarenta dias no deserto pelo alimento que recebera do anjo; e os habitantes da cidade de N\u00ednive, quando ouviram a prega\u00e7\u00e3o do projeta Jonas (o que ficou tr\u00eas dias na barriga do peixe), revestiram-se de sacos e cinza e jejuaram por quarenta dias. Era o tempo de purifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3e que havia dado \u00e0 luz, depois do qual o menino Jesus, como todos os meninos judeus, foi apresentado no Templo. E foi tamb\u00e9m, muito especialmente, o tempo pelo qual o mesmo Cristo jejuou no deserto, para vencer as tenta\u00e7\u00f5es do Dem\u00f4nio e s\u00f3 ent\u00e3o dar in\u00edcio \u00e0 sua prega\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>E por isso n\u00f3s o repetimos ritualmente todos os anos, cumprindo esse per\u00edodo de jejum do alimento corporal, em benef\u00edcio do alimento espiritual; em que se d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo e especialmente ao pobre, dando do que \u00e9 nosso como esmola; e sobretudo \u00e9 o per\u00edodo em que se foca na <em>ora\u00e7\u00e3o<\/em>, que \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o de nossa alma, de nossos pensamentos e afetos, a Deus.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Nossa vida interior deve ser como um tronco repleto de uma seiva robusta, da qual nossas obras n\u00e3o sejam mais que as flores<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na verdade, \u00e9 este pilar da ora\u00e7\u00e3o o que sustenta as outras duas obras de piedade, ou, dito inversamente, as outras duas obras de piedade, o jejum do alimento e a esmola, servem para contribuir, para fortalecer a uni\u00e3o com Deus que almejamos na ora\u00e7\u00e3o. Sobre este ponto, a saber, sobre a preval\u00eancia da chamada \u201cvida contemplativa\u201d sobre a \u201cvida ativa\u201d, ou ainda, sobre a transforma\u00e7\u00e3o das nossas obras num transbordamento ou numa express\u00e3o da vida interior, muitos e muitos s\u00e1bios, santos e doutoras j\u00e1 falaram. Mas valeria a pena vermos juntos umas pinceladas sobre o tema, para que essa reflex\u00e3o nos orientasse e guiasse na caminhada quaresmal a que somos convidados pela Igreja.<\/p>\n<p>Guardadas todas as propor\u00e7\u00f5es, o modo como o pr\u00f3prio Deus opera deve ser o crit\u00e9rio, a regra da nossa vida interior e exterior. E j\u00e1 sabemos que Deus \u00e9 abundantemente generoso, espalhando com profus\u00e3o seus benef\u00edcios sobre todos os seres, e ainda mais especialmente sobre o ser humano \u2013 sem, contudo, perder ou diminuir nada de Si mesmo ou de seu esplendor. Nossa vida interior deve ser assim: como um tronco repleto de uma seiva robusta, da qual nossas obras n\u00e3o sejam mais que as flores. As nossas a\u00e7\u00f5es, mesmo as mais nobres, nossos gestos de piedade, nossas obras de caridade, devem proceder da vida contemplativa, do interior, do crescimento do amor dentro de nosso cora\u00e7\u00e3o; a vida ativa deve traduzir a vida interior, continu\u00e1-la do lado de fora, por assim dizer, separando-se dela o menos poss\u00edvel.<\/p>\n<p>S\u00e3o Bernardo dizia sempre um mesmo conselho \u00e0queles que pretendiam ser ap\u00f3stolos: \u201c<em>Si sapis, concham te exhibebis, non canalem<\/em>\u201d, o que quer dizer, \u201cSe forem s\u00e1bios, sejam como reservat\u00f3rios, e n\u00e3o como canais\u201d. O canal transporta a coisa de um lado para o outro, at\u00e9 \u00e9 capaz de fazer muito bem. Mas nada nele permanece, nada daquilo que ele veicula enriquece o pr\u00f3prio canal. J\u00e1 o reservat\u00f3rio, n\u00e3o. O reservat\u00f3rio deve primeiro encher-se inteiramente, para que, quando transbordar, a superabund\u00e2ncia do seu bem se expanda e alastre para os outros que estiverem pr\u00f3ximos, sem que ele perca nada da sua riqueza, pois continua sempre cheio at\u00e9 o topo. Como a m\u00e3e s\u00f3 pode amamentar seu filho na medida em que tamb\u00e9m se alimenta primeiro, assim todas as nossas obras de bondade t\u00eam de ser um transbordamento da bondade que primeiro encheu nosso interior.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Como fazer isso, ent\u00e3o? Como viver desse modo, sempre, mas especialmente no per\u00edodo forte da Quaresma, em que somos chamados \u00e0 convers\u00e3o? Um dos mestres mais famosos sobre esse assunto \u00e9 o abade trapista dom Jean-Baptiste Chautard. Numa passagem de seu famoso livro, ele diz que, para empreendermos qualquer obra boa com verdadeiro proveito e sucesso, \u00e9 preciso tomarmos uma s\u00e9rie de precau\u00e7\u00f5es comumente negligenciadas. E aqui vou reproduzi-las em forma de lista, para que nos possam ajudar e guiar.<\/p>\n<p>Nada empreender al\u00e9m de suas for\u00e7as.<\/p>\n<p>Ver em tudo, habitualmente, mas simplesmente, a vontade de Deus.<\/p>\n<p>Comprometer-se apenas com as obras que Deus deseja, e na medida exata em que lhe agrada ver-nos dedicados a elas, e pelo \u00fanico desejo de exercer a caridade.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, oferecer-lhe nosso trabalho e, ao longo de nossos labores, reanimar constantemente, com pensamentos e ora\u00e7\u00f5es breves, nossa resolu\u00e7\u00e3o de agir somente para Ele e por Ele.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante toda a aten\u00e7\u00e3o que devemos dar a nossos trabalhos, conservar-nos sempre na paz, perfeitamente senhores de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Para o sucesso, entregarmo-nos unicamente a Deus, e s\u00f3 aspirar a sermos libertos de toda preocupa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o nos unirmos a ele, numa profunda e amorosa ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim se chega, promete ele, apoiado em mestres espirituais ainda mais antigos, ao sucesso na uni\u00e3o da vida ativa e da contemplativa, quer dizer, \u00e0 vida interior que d\u00e1 origem \u00e0s boas obras (e \u00e0s boas obras de piedade, como a esmola e o jejum quaresmais), que aprofunda e vivifica a ora\u00e7\u00e3o que nos une a Deus. Assim poder\u00e1 um dia ser dito de n\u00f3s o que foi dito certa vez sobre aquele mesmo S\u00e3o Bernardo:<\/p>\n<p><em>\u201cEle mudava de lugar, mas n\u00e3o mudava de cora\u00e7\u00e3o, nem seu cora\u00e7\u00e3o de amor, nem seu amor de objeto&#8230; Ao contr\u00e1rio do camale\u00e3o, que recebe as cores dos lugares onde se encontra, ele n\u00e3o recebia as cores dos assuntos e das conversas, mas permanecia sempre unido a Deus, sempre branco em pureza, sempre vermelho de caridade e sempre cheio de humildade.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Boa caminhada na dire\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa!<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma fila de pessoas. 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