{"id":212974,"date":"2026-02-18T20:10:49","date_gmt":"2026-02-19T00:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=212974"},"modified":"2026-02-18T20:10:49","modified_gmt":"2026-02-19T00:10:49","slug":"por-que-angola-esta-cedendo-terras-para-produtores-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=212974","title":{"rendered":"Por que Angola est\u00e1 cedendo terras para produtores brasileiros"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O governo federal mant\u00e9m tratativas avan\u00e7adas com autoridades de Angola para um acordo de coopera\u00e7\u00e3o voltado \u00e0 expans\u00e3o do setor agr\u00edcola no pa\u00eds africano por meio da transfer\u00eancia de tecnologias do agroneg\u00f3cio brasileiro.<\/p>\n<p>As tratativas envolvem a participa\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios e institui\u00e7\u00f5es financeiras brasileiras, que devem investir cerca de US$ 120 milh\u00f5es em projetos na prov\u00edncia angolana do Cuanza-Norte, com foco inicial na produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e alimentos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Ao todo, ser\u00e3o disponibilizados cerca de 60 mil hectares de terras \u2014 \u00e1rea equivalente a 85 mil campos de futebol \u2014 para produtores brasileiros, segundo anunciou o governador provincial Jo\u00e3o Diogo Gaspar durante um encontro recente com uma comitiva de empres\u00e1rios brasileiros.<\/p>\n<p>O objetivo, de acordo com o governo local, \u00e9 atrair a experi\u00eancia e tecnologia brasileira para aumentar a produ\u00e7\u00e3o nacional, promover exporta\u00e7\u00f5es, gerar empregos e tornar Angola autossuficiente do ponto de vista alimentar.<\/p>\n<p>O modelo discutido prev\u00ea parcerias com produtores locais, transfer\u00eancia de tecnologia tropical e eventual financiamento por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil.<\/p>\n<p>Segundo apurou o jornal <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, os recursos do BNDES ser\u00e3o emprestados para a aquisi\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas agr\u00edcolas fabricadas no Brasil e de insumos de empresas brasileiras para o pa\u00eds africano.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Banco do Brasil participaria do arranjo para operacionalizar recursos repassados por meio do Programa de Financiamento \u00e0s Exporta\u00e7\u00f5es (Proex). A ideia \u00e9 que o Fundo Soberano de Angola participe com 17% do montante total.<\/p>\n<p>O custeio das lavouras ser\u00e1 feito por meio de bancos angolanos, com aporte de 5% do valor e cobertura das garantias, e com a contrapartida financeira dos agricultores que participarem do programa, com recursos pr\u00f3prios, estimada em 10% do total.<\/p>\n<h2>Brasil pode ganhar com exporta\u00e7\u00e3o de equipamentos e insumos<\/h2>\n<p>Para o ministro da Agricultura e Pecu\u00e1ria, Carlos F\u00e1varo, o Brasil se beneficiaria com a amplia\u00e7\u00e3o de oportunidades de venda de m\u00e1quinas, equipamentos, sementes, insumos e transfer\u00eancia de tecnologia.<\/p>\n<p>Agricultores e investidores brasileiros tamb\u00e9m podem se beneficiar do acesso a \u00e1reas agricult\u00e1veis ainda pouco exploradas e com custos operacionais potencialmente menores do que em regi\u00f5es consolidadas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAvan\u00e7ar nessa parceria \u00e9 beneficiar ambos os pa\u00edses e promover oportunidades para os nossos produtores\u201d, disse F\u00e1varo durante miss\u00e3o no pa\u00eds africano no fim de janeiro. \u201cO Brasil tem muito a contribuir com sua experi\u00eancia em pesquisa agropecu\u00e1ria e em tecnologias de baixo carbono.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o ministro, foram identificadas oportunidades para a produ\u00e7\u00e3o de milho, soja, algod\u00e3o, carne bovina e su\u00edna. Al\u00e9m disso, as tratativas preveem aportes em infraestrutura, como armaz\u00e9ns e sistemas de irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na visita de F\u00e1varo a Angola, a proposta de coopera\u00e7\u00e3o brasileira foi protocolada junto a autoridades do setor econ\u00f4mico de Angola, incluindo o interesse de mais de 30 produtores brasileiros que j\u00e1 formalizaram disposi\u00e7\u00e3o para investir em projetos agr\u00edcolas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A entidade Corpora\u00e7\u00e3o Financeira Internacional (IFC), bra\u00e7o do Banco Mundial voltado ao setor privado em mercados emergentes, tamb\u00e9m demonstrou interesse em financiar as opera\u00e7\u00f5es previstas no acordo.<\/p>\n<h2>Experi\u00eancia com o Cerrado brasileiro interessa angolanos<\/h2>\n<p>Produtores angolanos t\u00eam grande interesse em sementes brasileiras em raz\u00e3o da semelhan\u00e7a de parte das terras do pa\u00eds com o Cerrado, segundo o adido agr\u00edcola do Brasil em Angola, Jos\u00e9 Guilherme Leal.<\/p>\n<p>O Cerrado, que ocupa cerca de 25% do territ\u00f3rio brasileiro e era considerado pouco produtivo at\u00e9 a segunda metade do s\u00e9culo passado, foi transformado em uma das principais \u00e1reas agr\u00edcolas do mundo em raz\u00e3o do investimento em tecnologia, cr\u00e9dito e infraestrutura.<\/p>\n<p>Por outro lado, entre os riscos da iniciativa que precisar\u00e3o ser trabalhados est\u00e3o incertezas regulat\u00f3rias, desafios log\u00edsticos em regi\u00f5es com infraestrutura ainda limitada e a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es \u00e0s condi\u00e7\u00f5es institucionais e produtivas locais.<\/p>\n<h2>China tamb\u00e9m investe em produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em Angola<\/h2>\n<p>O movimento brasileiro ocorre em paralelo \u00e0 expans\u00e3o de investimentos semelhantes da China no pa\u00eds africano. No ano passado, o conglomerado estatal chin\u00eas Citic anunciou projetos de grande escala para produ\u00e7\u00e3o de soja e milho, com investimentos estimados em cerca de US$ 250 milh\u00f5es ao longo de cinco anos e planos de cultivo em at\u00e9 100 mil hectares.<\/p>\n<p>No caso da China, no entanto, o objetivo \u00e9 garantir uma fonte de abastecimento estrat\u00e9gico de gr\u00e3os, reduzindo a depend\u00eancia de fornecedores externos tradicionais.<\/p>\n<p>Diferentemente do modelo brasileiro, que tende a ser liderado por empresas privadas com apoio do governo, os projetos chineses contam com forte coordena\u00e7\u00e3o estatal e financiamento de bancos p\u00fablicos, muitas vezes integrados a iniciativas de infraestrutura e log\u00edstica.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre China e Angola j\u00e1 produziu resultados expressivos nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, principalmente na reconstru\u00e7\u00e3o de estradas, ferrovias e obras de energia financiadas por cr\u00e9dito chin\u00eas, frequentemente estruturado em acordos de longo prazo vinculados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. A entrada de projetos agr\u00edcolas amplia essa coopera\u00e7\u00e3o para a \u00e1rea de seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<h2>Angola pode se tornar nova fronteira agr\u00edcola mundial<\/h2>\n<p>Apesar das diferen\u00e7as, tanto Brasil quanto China buscam ampliar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola local, introduzir tecnologia e participar do crescimento do setor agroindustrial angolano.<\/p>\n<p>O interesse crescente de Brasil, China e outros pa\u00edses \u00e9 impulsionado pelo potencial agr\u00edcola ainda pouco explorado de Angola. O pa\u00eds re\u00fane extensas \u00e1reas agricult\u00e1veis, clima favor\u00e1vel \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os tropicais e localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para exporta\u00e7\u00f5es ao Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Com aproximadamente 35 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas agricult\u00e1veis ainda n\u00e3o exploradas, o pa\u00eds \u00e9 considerado estrat\u00e9gico em termos globais, com potencial para se tornar uma nova fronteira agr\u00edcola mundial.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem cerca de 37 milh\u00f5es de habitantes, popula\u00e7\u00e3o que deve chegar a 70 milh\u00f5es at\u00e9 2050, mas ainda depende da importa\u00e7\u00e3o de alimentos \u2013 a produ\u00e7\u00e3o local supre apenas 37% da demanda interna.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo federal mant\u00e9m tratativas avan\u00e7adas com autoridades de Angola para um acordo de coopera\u00e7\u00e3o voltado \u00e0 expans\u00e3o do setor&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":211099,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-212974","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/212974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=212974"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/212974\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/211099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=212974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=212974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=212974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}