{"id":210447,"date":"2026-02-18T12:36:25","date_gmt":"2026-02-18T16:36:25","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=210447"},"modified":"2026-02-18T12:36:25","modified_gmt":"2026-02-18T16:36:25","slug":"40-do-feijao-brasileiro-vem-de-sementes-do-parana-como-o-estado-virou-lider-em-melhoramento-genetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=210447","title":{"rendered":"40% do feij\u00e3o brasileiro vem de sementes do Paran\u00e1: como o estado virou l\u00edder em melhoramento gen\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>As cultivares paranaenses v\u00eam consolidando o estado como refer\u00eancia nacional em <strong>melhoramento gen\u00e9tico vegetal<\/strong>. Por tr\u00e1s de nomes t\u00e9cnicos e siglas est\u00e1 um trabalho cont\u00ednuo de pesquisa que combina ci\u00eancia, sustentabilidade e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es reais da agricultura brasileira.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/H7ozD2alPDA1a3twUX7jw7\">Receba as principais not\u00edcias do Paran\u00e1 pelo WhatsApp<\/a><\/p>\n<p>Cultivares s\u00e3o variedades de plantas desenvolvidas a partir de cruzamentos e sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para apresentar caracter\u00edsticas superiores, como maior produtividade, resist\u00eancia a doen\u00e7as, toler\u00e2ncia a estresses clim\u00e1ticos e melhor qualidade comercial e nutricional. No Paran\u00e1, esse trabalho \u00e9 desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paran\u00e1 (IDR), que j\u00e1 disponibilizou mais de 240 cultivares registradas no Minist\u00e9rio da Agricultura, abrangendo mais de 30 esp\u00e9cies anuais e perenes.<\/p>\n<p>Embora o <strong>feij\u00e3o <\/strong>seja o caso mais emblem\u00e1tico \u2014 quase 40% das sementes utilizadas no pa\u00eds t\u00eam origem no estado \u2014 o alcance das cultivares paranaenses vai al\u00e9m dessa cultura.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/02\/17161321\/Cultivares-Paranaenses_Jose-Fernando-Ogura-scaled.jpg.webp\" \/><i>Pesquisa p\u00fablica impulsiona cultivares paranaenses de caf\u00e9 com qualidade da bebida e adapta\u00e7\u00e3o a diferentes regi\u00f5es do Brasil e do exterior. (Foto: Jos\u00e9 Fernando Ogura\/Governo do Paran\u00e1)<\/i><\/p>\n<h2>Cultivares paranaenses tamb\u00e9m transformam caf\u00e9 e cereais<\/h2>\n<p>O instituto acumula 15 cultivares desenvolvidas e integra o grupo fundador do Cons\u00f3rcio de Pesquisa Caf\u00e9. Um dos destaques \u00e9 a <strong>IPR100<\/strong>, primeira cultivar de caf\u00e9 ar\u00e1bica resistente a nematoides (esp\u00e9cie de vermes microsc\u00f3picos), cultivada no Paran\u00e1 e em outros estados, al\u00e9m de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n<p>\u201cO desenvolvimento de cultivares com alta produtividade e resistentes \u00e0s doen\u00e7as e pragas e com diferentes ciclos de matura\u00e7\u00e3o dos frutos \u00e9 um dos focos da pesquisa\u201d, afirma a diretora de Pesquisa do IDR-Paran\u00e1 e melhorista em feij\u00e3o, Vania Moda Cirino. Segundo ela, as cultivares resistentes \u00e0 ferrugem e outras doen\u00e7as deixam de lan\u00e7ar cerca de 100 mil litros ou quilos de fungicidas por ano no ambiente.<\/p>\n<p>&#8220;Com isso, o consumidor final tamb\u00e9m poder\u00e1 tomar o seu cafezinho com <strong>menor quantidade de defensivos agr\u00edcolas<\/strong>\u201d, acrescenta ela. A estimativa \u00e9 que as pesquisas do instituto contribuam com cerca de 20% da produ\u00e7\u00e3o total de caf\u00e9 no Paran\u00e1, o equivalente a aproximadamente US$ 19 milh\u00f5es anuais.<\/p>\n<p>Nos cereais de inverno, o IDR-Paran\u00e1 j\u00e1 lan\u00e7ou 36 cultivares de trigo, al\u00e9m de materiais de triticale, aveia gran\u00edfera, trigo durum e centeio. Algumas variedades ultrapassaram fronteiras. \u201cA pesquisa tem disponibilizado cultivares com alto potencial produtivo e qualidade industrial, adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do Paran\u00e1 e tamb\u00e9m utilizadas em outros pa\u00edses\u201d, destaca Vania.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Melhoramento gen\u00e9tico eleva produtividade mesmo com menos \u00e1rea<\/h2>\n<p>Os n\u00fameros ajudam a dimensionar o impacto econ\u00f4mico. Apenas no caso do feij\u00e3o, o benef\u00edcio estimado em 2024 com as cultivares paranaenses chegou a <strong>R$ 278 milh\u00f5es<\/strong>, considerando aumento de produtividade e agrega\u00e7\u00e3o de valor em diferentes regi\u00f5es produtoras do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cEsse benef\u00edcio econ\u00f4mico leva em considera\u00e7\u00e3o o aumento de receita diretamente no agricultor, impactando o valor bruto de produ\u00e7\u00e3o\u201d, explica o assessor estadual do Programa Feij\u00e3o, Jos\u00e9 dos Santos Neto. Ele ressalta ainda o efeito na cadeia de sementes.<\/p>\n<p>\u201cO IDR-Paran\u00e1 possui 55 empresas privadas licenciadas para multiplicar as cultivares de feij\u00e3o. Estima-se que os parceiros tenham um faturamento m\u00e9dio anual de R$ 100 milh\u00f5es com a comercializa\u00e7\u00e3o de sementes\u201d, aponta ele.<\/p>\n<p>Parte dos recursos retorna ao instituto por meio de <em>royalties<\/em>, permitindo reinvestimento no programa de melhoramento gen\u00e9tico. \u201cEsse \u00e9 um exemplo de sucesso de parceria p\u00fablico-privada que gera resultados positivos para todos os envolvidos\u201d, afirma Santos Neto.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o gen\u00e9tico tamb\u00e9m ajuda a explicar a transforma\u00e7\u00e3o no campo. Nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, a \u00e1rea cultivada com feij\u00e3o no Paran\u00e1 foi reduzida em mais de 30%, enquanto a produtividade m\u00e9dia aumentou 137%. \u201cO melhoramento gen\u00e9tico foi um dos principais fatores que contribu\u00edram com o incremento de produtividade de gr\u00e3os nas \u00faltimas d\u00e9cadas, al\u00e9m da melhoria na qualidade comercial, tecnol\u00f3gica e nutricional\u201d, afirma Vania.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Cultivares paranaenses como estrat\u00e9gia para clima e seguran\u00e7a alimentar<\/h2>\n<p>Diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o desenvolvimento de cultivares tolerantes \u00e0 seca e ao calor tornou-se prioridade. \u201cUm dos principais objetivos dos programas de melhoramento gen\u00e9tico do IDR-Paran\u00e1 \u00e9 o desenvolvimento de cultivares tolerantes ao estresse clim\u00e1tico\u201d, afirma Vania, ao citar materiais j\u00e1 adaptados a per\u00edodos de <em>d\u00e9ficit <\/em>h\u00eddrico e temperaturas elevadas.<\/p>\n<p>O instituto mant\u00e9m um Banco de Recursos Gen\u00e9ticos com mais de 25 mil acessos de 143 esp\u00e9cies vegetais, base estrat\u00e9gica para ampliar a variabilidade gen\u00e9tica e reduzir a vulnerabilidade das lavouras. Essa estrutura sustenta um modelo de pesquisa que, segundo a diretora, prioriza sustentabilidade e menor depend\u00eancia de insumos.<\/p>\n<p>As pr\u00f3ximas etapas incluem a incorpora\u00e7\u00e3o de edi\u00e7\u00e3o g\u00eanica, intelig\u00eancia artificial, sele\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica preditiva e metodologias de melhoramento acelerado. O desafio \u00e9 aumentar a efici\u00eancia sem perder o foco na agricultura real.<\/p>\n<p>\u201cAs principais apostas do IDR-Paran\u00e1 para novas cultivares focam em sustentabilidade, menor depend\u00eancia de insumos para a produ\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia a doen\u00e7as e pragas e toler\u00e2ncia a estresses clim\u00e1ticos, com elevada produtividade e melhor qualidade comercial, tecnol\u00f3gica e nutricional do produto\u201d, aponta a diretora de Pesquisa do IDR-Paran\u00e1.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cultivares paranaenses v\u00eam consolidando o estado como refer\u00eancia nacional em melhoramento gen\u00e9tico vegetal. 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