{"id":209765,"date":"2026-02-16T20:05:17","date_gmt":"2026-02-17T00:05:17","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=209765"},"modified":"2026-02-16T20:05:17","modified_gmt":"2026-02-17T00:05:17","slug":"desemprego-inflacao-e-informalidade-governo-ignora-danos-economicos-de-fim-da-escala-6x1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=209765","title":{"rendered":"Desemprego, infla\u00e7\u00e3o e informalidade: governo ignora danos econ\u00f4micos de fim da escala 6\u00d71"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O fim da escala 6&#215;1 \u00e9 uma das prioridades do governo Lula neste ano eleitoral. Em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/fim-escala-6x1-projetos-de-lei-erika-hilton-reginaldo-lopes\/\">dois projetos de lei<\/a> preveem a redu\u00e7\u00e3o da jornada semanal de 44 para 36 horas, e o governo ainda cogita formular uma terceira proposta.<\/p>\n<p>Apesar do otimismo com que governistas t\u00eam visto a mudan\u00e7a, economistas e representantes da ind\u00fastria alertam para uma s\u00e9rie de danos econ\u00f4micos com o eventual fim da escala 6&#215;1, o que inclui o encerramento de mais de meio milh\u00e3o de postos de trabalho.<\/p>\n<p>Um dos principais argumentos contr\u00e1rios \u00e9 a baixa produtividade m\u00e9dia da for\u00e7a de trabalho brasileira. Uma nota t\u00e9cnica elaborada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq) aponta que, entre 1981 e 2024, a produtividade por trabalhador no Brasil cresceu apenas 0,2% ao ano. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), o pa\u00eds ocupa a 100\u00aa posi\u00e7\u00e3o em produtividade por trabalhador e a 91\u00aa em produtividade por hora trabalhada.<\/p>\n<p>Tadeu Barros, diretor-presidente do Centro de Lideran\u00e7a P\u00fablica (CLP), afirma que n\u00e3o se aumenta produtividade por decreto ou reorganiza\u00e7\u00e3o de turnos. Segundo ele, o avan\u00e7o na efici\u00eancia depende de fatores estruturais, como capital humano, qualifica\u00e7\u00e3o, tecnologia, ambiente de neg\u00f3cios e investimento.<\/p>\n<p>\u201cSem uma estrat\u00e9gia expl\u00edcita nessas frentes, a tend\u00eancia \u00e9 que a redu\u00e7\u00e3o da jornada gere press\u00e3o de custo antes de produzir ganho estrutural de efici\u00eancia\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Estimativas feitas pelo CLP indicam que o eventual fim da escala 6&#215;1 reduziria a produtividade em 0,7%, levando ao corte de at\u00e9 640 mil empregos formais. Na pr\u00e1tica, ao elevar o custo da m\u00e3o de obra por hora sem ganhos de efici\u00eancia, o empregador tende a reduzir produ\u00e7\u00e3o e dispensar trabalhadores.<\/p>\n<h2>Aumento de custos tende a elevar informalidade<\/h2>\n<p>Outro desdobramento poss\u00edvel do fim da escala 6&#215;1 \u00e9 o aumento da informalidade. O Brasil j\u00e1 convive com encargos trabalhistas elevados e um mercado de trabalho informal robusto. Quando o custo do trabalho formal sobe, cresce o incentivo \u00e0 informalidade e \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o por tecnologia.<\/p>\n<p>\u201cSe o custo do trabalho formal aumenta ainda mais, h\u00e1 uma tend\u00eancia natural de crescimento da informalidade, substitui\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida por tecnologia e desacelera\u00e7\u00e3o da contrata\u00e7\u00e3o formal\u201d, afirma Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital.<\/p>\n<p>O pa\u00eds j\u00e1 viveu movimento semelhante com a chamada PEC das Dom\u00e9sticas. Aprovada sob o discurso de prote\u00e7\u00e3o e melhoria das condi\u00e7\u00f5es para trabalhadores dom\u00e9sticos, a medida foi seguida por aumento da informalidade no setor, conforme<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/pec-das-domesticas-informalidade-aumentou\/\"> mostrou<\/a> a <em>Gazeta do Povo<\/em>. Quando a PEC foi aprovada, em 2013, a informalidade no setor chegava a 68,6%. Em 2024, havia aumentado para 76,7%.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Empresas tendem a repassar aumento de custos ao consumidor<\/h2>\n<p>Para Corano, o debate sobre o fim da escala 6&#215;1 n\u00e3o deve ser ideol\u00f3gico, mas aritm\u00e9tico. Se houver redu\u00e7\u00e3o da jornada sem adequa\u00e7\u00e3o salarial correspondente, haver\u00e1 aumento do custo do trabalho.<\/p>\n<p>Segundo ele, a medida pode gerar press\u00e3o inflacion\u00e1ria ao repassar ao consumidor a eleva\u00e7\u00e3o do custo da m\u00e3o de obra, al\u00e9m de perda de competitividade, especialmente para pequenos e m\u00e9dios neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>\u201cNo curto prazo, isso pode afetar negativamente o PIB. No m\u00e9dio prazo, os efeitos depender\u00e3o da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o das empresas e da economia como um todo\u201d, avalia. Estudo da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de Minas Gerais (FIEMG) previu queda de at\u00e9 16% do PIB caso seja implementado o limite de 36 horas semanais sem ganhos de produtividade.<\/p>\n<h2>&#8220;Justificativa de Hugo Motta sobre escala 6&#215;1 ignora realidade&#8221;<\/h2>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/motta-votar-fim-escala-6x1-maio-apos-ouvir-sociedade\/\">publica\u00e7\u00e3o recente<\/a> no X sobre o encaminhamento das propostas para o fim da jornada 6&#215;1, o presidente da C\u00e2mara, Hugo Motta (Republicanos-PB), citou a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica mundial para justificar a medida. \u201cO mundo evoluiu, as tecnologias se desenvolveram e o Brasil n\u00e3o pode ficar para tr\u00e1s\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Velloso, presidente-executivo da Abimaq, a justificativa ignora a realidade brasileira. \u201cO Brasil est\u00e1 muito atrasado na automa\u00e7\u00e3o, seja na ind\u00fastria, na agropecu\u00e1ria ou nos servi\u00e7os\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo dados da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Rob\u00f3tica (IFR), no relat\u00f3rio World Robotics 2024\/2025, o Brasil tem 10 rob\u00f4s a cada 10 mil trabalhadores, enquanto a m\u00e9dia mundial \u00e9 de 162. A tend\u00eancia global de substitui\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra por automa\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia artificial refor\u00e7a a preocupa\u00e7\u00e3o do setor produtivo com o aumento de custos.<\/p>\n<h2>Instituto do governo diz que mercado absorver\u00e1 custos<\/h2>\n<p>Na contram\u00e3o dessas proje\u00e7\u00f5es, o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), vinculado ao Minist\u00e9rio do Planejamento, avalia que o aumento do custo da m\u00e3o de obra pode ser absorvido pelo mercado, assim como ocorre com reajustes do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Segundo o instituto, considerando grandes setores como ind\u00fastria e com\u00e9rcio, o custo adicional da redu\u00e7\u00e3o da jornada para 40 horas semanais seria inferior a 1%. O Ipea tamb\u00e9m sustenta que eventuais impactos sobre o PIB poderiam ser compensados por ganhos de qualidade de vida do trabalhador.<\/p>\n<p>De forma contr\u00e1ria, um estudo da FecomercioSP, divulgado na \u00faltima quarta-feira (11), prev\u00ea que as mudan\u00e7as na escala 6&#215;1, com redu\u00e7\u00e3o da jornada para 36 horas semanais, aumentariam o custo da m\u00e3o de obra em 22%. O impacto seria sentido especialmente por micro, pequenas e m\u00e9dias empresas.<\/p>\n<h2>Entidades defendem contrata\u00e7\u00e3o por hora e negocia\u00e7\u00e3o coletiva<\/h2>\n<p>Entidades cr\u00edticas \u00e0s propostas em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso afirmam que h\u00e1 alternativas ao fim da escala 6&#215;1. Uma delas \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o por horas trabalhadas, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/sostenes-pec-fim-escala-6x1-erros-propoe-modelo-por-hora\/\">defendida<\/a> pelo l\u00edder do PL na C\u00e2mara, S\u00f3stenes Cavalcante (RJ).<\/p>\n<p>Segundo Tadeu Barros, do CLP, o modelo amplia a flexibilidade do mercado de trabalho, especialmente em setores com sazonalidade ou varia\u00e7\u00e3o de demanda. \u201cEla melhora a aloca\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra e pode reduzir distor\u00e7\u00f5es, ajudando empresas a se ajustarem com menos impacto sobre o emprego\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ele ressalta, por\u00e9m, que o modelo por hora n\u00e3o elimina o impacto macroecon\u00f4mico estimado sobre emprego e PIB caso a redu\u00e7\u00e3o da jornada ocorra sem ganhos estruturais de produtividade.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Abimaq sustenta que o caminho mais adequado continua sendo a negocia\u00e7\u00e3o coletiva por categoria. Entre 1\u00ba de julho de 2024 e 30 de junho de 2025, foram registrados mais de 6.192 instrumentos coletivos com cl\u00e1usulas de prorroga\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o de jornada.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imperativo que o debate p\u00fablico transcenda paliativos como a redu\u00e7\u00e3o da jornada e se concentre nos vetores estrat\u00e9gicos que definem a prosperidade de uma na\u00e7\u00e3o: produtividade, educa\u00e7\u00e3o e um ambiente de neg\u00f3cios robusto\u201d, afirma Velloso.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fim da escala 6&#215;1 \u00e9 uma das prioridades do governo Lula neste ano eleitoral. 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