{"id":206236,"date":"2026-02-17T05:00:00","date_gmt":"2026-02-17T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=206236"},"modified":"2026-02-17T05:00:00","modified_gmt":"2026-02-17T09:00:00","slug":"por-que-o-brasil-derruba-presidentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=206236","title":{"rendered":"Por que o Brasil derruba presidentes"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/01\/20173057\/mediocres.jpg.webp\" \/><span>O sistema pol\u00edtico, por sua vez, seleciona para esse homem-massa. Ele \u00e9 f\u00e1cil de satisfazer com lisonjas e promessas de curto prazo. O homem de car\u00e1ter, que oferece a verdade dolorosa em vez da mentira reconfortante, torna-se eleitoralmente invi\u00e1vel. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT\/Gazeta do Povo))<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A hist\u00f3ria recente mostra que quem n\u00e3o organiza o Congresso n\u00e3o governa, n\u00e3o importa a ideologia. O Brasil n\u00e3o derruba presidentes por mudan\u00e7a de humor pol\u00edtico. Derruba quando o Estado deixa de funcionar. Em cada crise, a narrativa p\u00fablica fala em corrup\u00e7\u00e3o, trai\u00e7\u00e3o ou ideologia. No fundo, por\u00e9m, o que se rompe \u00e9 a capacidade de um governo organizar o sistema de poder que o cerca.<\/p>\n<p>Fernando Collor foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o. Chegou ao Planalto carregando o simbolismo da reconstru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Ainda assim, caiu. N\u00e3o por falta de legitimidade popular, mas porque perdeu o controle do Congresso. Dilma Rousseff tamb\u00e9m n\u00e3o foi eleita como ruptura. Veio indicada por Lula e pelo PT como continuidade de um ciclo que parecia politicamente s\u00f3lido. Caiu quando subestimou o custo institucional de governar sem uma maioria parlamentar est\u00e1vel.<\/p>\n<blockquote>\n<p> A polariza\u00e7\u00e3o faz barulho, mas o poder real j\u00e1 opera por acomoda\u00e7\u00e3o entre for\u00e7as moderadas. Falta uma lideran\u00e7a que transforme isso em projeto expl\u00edcito de governo<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Esses epis\u00f3dios n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. S\u00e3o padr\u00e3o. O presidencialismo brasileiro funciona, na pr\u00e1tica, como um parlamentarismo informal. Nenhuma agenda sobrevive sem coaliz\u00e3o. Nenhuma reforma passa sem negocia\u00e7\u00e3o. Nenhum presidente resiste sem base. Quando essa engrenagem falha, o Judici\u00e1rio avan\u00e7a, o mercado trava e o pa\u00eds entra em paralisia.<\/p>\n<p>O Centr\u00e3o, t\u00e3o demonizado no debate p\u00fablico, \u00e9 apenas o nome mais vis\u00edvel desse mecanismo. Ele existe porque o sistema exige maioria. Em democracias parlamentaristas, isso se faz por pactos program\u00e1ticos. No Brasil, por arranjos de sobreviv\u00eancia. Quando essa l\u00f3gica sai do controle, surgem os excessos, como no Mensal\u00e3o, quando governabilidade virou promiscuidade.<\/p>\n<p>Jair Bolsonaro tentou prescindir da negocia\u00e7\u00e3o parlamentar tradicional, apostando que poderia governar por meio de press\u00e3o p\u00fablica e rela\u00e7\u00e3o direta com sua base, apesar de ter passado seis mandatos no Congresso. Para sobreviver, acabou entregando ao Centr\u00e3o mais poder do que qualquer outro presidente desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, inclusive a Casa Civil, com a nomea\u00e7\u00e3o de Ciro Nogueira.<\/p>\n<p>Lula, em seu terceiro mandato, governa de outra forma. N\u00e3o por for\u00e7a pol\u00edtica pr\u00f3pria, mas por um arranjo de conten\u00e7\u00e3o entre Congresso, Judici\u00e1rio, mercado e governadores. O pa\u00eds funciona, mas sob tens\u00e3o permanente. Esse quadro n\u00e3o \u00e9 uma anomalia brasileira. Alemanha, Dinamarca e \u00c1ustria viveram fragmenta\u00e7\u00e3o e perda de governabilidade. A resposta n\u00e3o foi ideol\u00f3gica, mas institucional. Constru\u00edram grandes coaliz\u00f5es de centro para proteger o funcionamento do Estado.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Essas experi\u00eancias mostram que estabilidade dos presidentes n\u00e3o nasce de discursos, mas de engenharia pol\u00edtica. Menos risco, mais previsibilidade, mais investimento, menos conflito social. O Brasil est\u00e1 no mesmo limiar. A polariza\u00e7\u00e3o faz barulho, mas o poder real j\u00e1 opera por acomoda\u00e7\u00e3o entre for\u00e7as moderadas. Falta uma lideran\u00e7a que transforme isso em projeto expl\u00edcito de governo.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de 2026 n\u00e3o ser\u00e1 vencida por quem falar mais alto, mas por quem convencer o pa\u00eds de que consegue faz\u00ea-lo funcionar. N\u00e3o \u00e9 uma disputa entre direita e esquerda. \u00c9 uma disputa entre conflito permanente e Estado funcional. A hist\u00f3ria recente deixa uma li\u00e7\u00e3o clara. Collor caiu. Dilma caiu. Bolsonaro se rendeu. Lula governa sob conten\u00e7\u00e3o. O sistema n\u00e3o muda. O que precisa mudar \u00e9 a forma de ocup\u00e1-lo. O Brasil n\u00e3o precisa de um salvador. Precisa de um Estado que volte a funcionar.<\/p>\n<p><em><strong>Jo\u00e3o Zisman <\/strong>\u00e9 jornalista, economista e p\u00f3s-graduado em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Gest\u00e3o P\u00fablica.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sistema pol\u00edtico, por sua vez, seleciona para esse homem-massa. 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