{"id":191672,"date":"2026-02-10T17:03:43","date_gmt":"2026-02-10T21:03:43","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=191672"},"modified":"2026-02-10T17:03:43","modified_gmt":"2026-02-10T21:03:43","slug":"portugal-e-brasil-a-armadilha-da-esquerda-no-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=191672","title":{"rendered":"Portugal e Brasil: a armadilha da esquerda no poder"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Ao longo dos \u00faltimos 30 anos, Portugal tem experimentado um paradoxo econ\u00f4mico persistente, assinalado pela exist\u00eancia de estabilidade pol\u00edtica relativa, forte integra\u00e7\u00e3o europeia e entrada de volumosos fluxos de fundos comunit\u00e1rios que convivem com trajet\u00f3ria econ\u00f4mica marcada por crescimento baixo, persist\u00eancia de limita\u00e7\u00f5es estruturais e converg\u00eancia insuficiente com os padr\u00f5es de prosperidade dos seus parceiros europeus, configurando um dos piores desempenhos da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Embora se possa, em alguma medida, atribuir o desempenho dos indicadores econ\u00f4micos a fatores externos, como choques globais e crises financeiras, e a fatores end\u00f3genos \u2013 como tend\u00eancias demogr\u00e1ficas marcadas por baixas taxas de natalidade, aumento da emigra\u00e7\u00e3o de jovens qualificados e da imigra\u00e7\u00e3o crescente de oriundos de pa\u00edses de menor desenvolvimento relativo, sobretudo dos pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa (PALOPs) e do sul da \u00c1sia, resultando em redu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho qualificada e em maior press\u00e3o sobre os sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade e previd\u00eancia \u2013, os dados mais robustos sugerem que as escolhas de pol\u00edtica econ\u00f4mica dos governos socialistas que dominaram grande parte desse per\u00edodo contribu\u00edram decisivamente para um crescimento inferior \u00e0 m\u00e9dia europeia, baixa competitividade e estagna\u00e7\u00e3o relativa do rendimento <em>per capita<\/em>.<\/p>\n<p>De fato, no centro dessa trajet\u00f3ria est\u00e1 o fato de que, desde meados da d\u00e9cada de 1990, o modelo econ\u00f4mico portugu\u00eas tem sido amplamente moldado por governos socialistas ou maiorias parlamentares situadas \u00e0 esquerda. Entre 1995 e 2025, o Partido Socialista (PS) governou cerca de 24 dos 30 anos, um dado indispens\u00e1vel para qualquer avalia\u00e7\u00e3o s\u00e9ria do desempenho do pa\u00eds no per\u00edodo. N\u00e3o se trata, assim, de uma experi\u00eancia epis\u00f3dica ou marginal, mas de uma hegemonia pol\u00edtica prolongada, com danosos efeitos estruturais cumulativos.<\/p>\n<p>Com o socialista Ant\u00f3nio Guterres, atual Secret\u00e1rio-Geral da enfraquecida, ideologizada e crescentemente ignorada ONU, o PS manteve-se no poder entre 1995 e 2002, ap\u00f3s o que se seguiu um curto interregno de governos de coaliz\u00e3o de centro-direita entre abril de 2002 e mar\u00e7o de 2005, formados pelos partidos Social-Democrata (PSD) \u2013 de centro-direita, apesar do nome \u2013 e pelo Partido Popular (CDS-PP), antes do regresso socialista sob Jos\u00e9 S\u00f3crates, que governou de 2005 a 2011.<\/p>\n<p>Depois do per\u00edodo de ajustamento e austeridade liderado por uma coliga\u00e7\u00e3o PSD-CDS-PP (2011-2015), o PS voltou ao poder em 2015, permanecendo no governo at\u00e9 junho de 2025, primeiro apoiado por for\u00e7as da esquerda radical \u2013 Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP) \u2013 e, posteriormente, com maioria absoluta.<\/p>\n<p>Esses dados cronol\u00f3gicos n\u00e3o s\u00e3o vari\u00e1veis de menor import\u00e2ncia, mas cruciais para se entender que os resultados observados no per\u00edodo refletem a l\u00f3gica econ\u00f4mica \u2013 ou falta dela \u2013 adotada sob governos socialistas, e n\u00e3o exce\u00e7\u00f5es pontuais ou ciclos breves.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros confirmam essa leitura. Entre 1995 e 2025, o crescimento m\u00e9dio anual do PIB portugu\u00eas, de 0,9%, permaneceu persistentemente abaixo da m\u00e9dia europeia, ela pr\u00f3pria bem modesta, de 1,6%. Mesmo em anos recentes mais favor\u00e1veis \u2013 como 2023, quando o PIB cresceu cerca de 2,3%, ou 2024-2025, com proje\u00e7\u00f5es de 1,9 % \u2013 o ritmo permanece insuficiente para permitir converg\u00eancia real com as economias europeias mais din\u00e2micas.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente o PIB <em>per capita<\/em> que melhor resume o fracasso silencioso do modelo. O PIB per capita portugu\u00eas representa apenas cerca de 82% da m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia (medido em paridade de poder de compra, PPC). Isso coloca Portugal na 18.\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre os 27 Estados-membros. Enquanto outras economias com ponto de partida semelhante aproveitaram a integra\u00e7\u00e3o europeia para acelerar a converg\u00eancia, Portugal ficou para tr\u00e1s. O problema n\u00e3o foi a aus\u00eancia de recursos. Foi, sobretudo, a repeti\u00e7\u00e3o de escolhas pol\u00edticas que privilegiaram a gest\u00e3o do presente em detrimento da constru\u00e7\u00e3o do futuro.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com pa\u00edses, sobretudo do Leste europeu e outras economias que eram consideradas estruturalmente ainda menores, \u00e9 inevit\u00e1vel. Com menos recursos e menos tempo de integra\u00e7\u00e3o, conseguiram uma converg\u00eancia real que Portugal n\u00e3o alcan\u00e7ou em quarenta anos, mostrando os benef\u00edcios de reformas focadas em aumento de produtividade, competitividade, atra\u00e7\u00e3o de investimentos externos e fomento ao investimento privado, resultando em crescimentos expressivos em Malta (5,9%), Cro\u00e1cia (3,8%), Pol\u00f4nia (3,7%), Dinamarca (3,6%), Chipre (3,5%), Espanha (3,2%), Bulg\u00e1ria (2,8%) e Litu\u00e2nia (2,8%) dentre outros.<\/p>\n<p>Os sucessivos governos socialistas optaram por um modelo econ\u00f4mico centrado no consumo interno e na redistribui\u00e7\u00e3o, frequentemente antes, e n\u00e3o depois, da cria\u00e7\u00e3o de riqueza, resultando em uma das cargas tribut\u00e1rias mais elevadas da regi\u00e3o. A expans\u00e3o da despesa p\u00fablica, o aumento do peso do Estado na economia e a eleva\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do Estado com o risco econ\u00f4mico tamb\u00e9m se degradou. Em vez de fomentar um ambiente favor\u00e1vel \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, \u00e0 capitaliza\u00e7\u00e3o das empresas e \u00e0 reten\u00e7\u00e3o de talentos, os governos socialistas consolidaram um quadro regulat\u00f3rio denso, fiscalmente inst\u00e1vel e juridicamente incerto. Para muitos empreendedores e profissionais qualificados, a escolha tornou-se \u00f3bvia: adaptar-se \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o ou procurar oportunidades fora do pa\u00eds. A emigra\u00e7\u00e3o estrutural de jovens altamente qualificados n\u00e3o foi um efeito colateral indesejado, mas um sintoma direto desse modelo.<\/p>\n<p>Nem mesmo a abund\u00e2ncia de fundos europeus conseguiu inverter a trajet\u00f3ria. Portugal foi, ao longo de d\u00e9cadas, um dos maiores benefici\u00e1rios l\u00edquidos da Uni\u00e3o Europeia. Ainda assim, esses recursos foram frequentemente canalizados para projetos de retorno duvidoso, infraestruturas sem efeito multiplicador claro e expans\u00e3o do setor p\u00fablico e paraestatal. Faltou uma estrat\u00e9gia coerente de transforma\u00e7\u00e3o produtiva, capaz de ligar investimento \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria avan\u00e7ada e exporta\u00e7\u00f5es de alto valor agregado.\u00a0<\/p>\n<p>Este dado desmonta a narrativa de sucesso baseada apenas em estabilidade social: sem crescimento robusto, a redistribui\u00e7\u00e3o torna-se um exerc\u00edcio de soma zero, penalizando sobretudo as gera\u00e7\u00f5es mais jovens. O legado dos governos socialistas desde 1995 \u00e9, portanto, amb\u00edguo apenas \u00e0 superf\u00edcie. Entregaram estabilidade pol\u00edtica, alguma previsibilidade social e paz distributiva de curto prazo. Mas deixaram um pa\u00eds mais envelhecido, menos produtivo, dependente de transfer\u00eancias externas e incapaz de reter o seu pr\u00f3prio capital humano.<\/p>\n<p>No mercado de trabalho, a leitura exige igualmente cautela. A taxa de desemprego atual, em torno de 7%, \u00e9 frequentemente apresentada como sinal de sucesso. Contudo, este dado esconde problemas estruturais persistentes: baixa produtividade, sal\u00e1rios m\u00e9dios reduzidos e uma elevada propor\u00e7\u00e3o de emprego poucos qualificados.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica refor\u00e7a esse cen\u00e1rio. Sob governos socialistas, Portugal entrou na crise financeira internacional com d\u00e9ficits elevados e crescimento artificialmente sustentado por endividamento. O resultado foi o pedido de resgate internacional em 2011 e uma d\u00edvida que ultrapassou 130 % do PIB em meados da d\u00e9cada seguinte. A redu\u00e7\u00e3o mais recente da d\u00edvida \u2013 para cerca dos ainda elevad\u00edssimos 95 % do PIB em 2024 \u2013 \u00e9 positiva, mas ocorreu tardiamente e sob forte interven\u00e7\u00e3o do Banco Central Europeu. N\u00e3o foi o produto de uma estrat\u00e9gia estrutural de crescimento, mas de consolida\u00e7\u00e3o defensiva sob press\u00e3o externa ap\u00f3s uma crise profunda.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em termos de competitividade internacional, os resultados ficam aqu\u00e9m do desej\u00e1vel. Portugal continua a apresentar fraca produtividade, excessiva depend\u00eancia de setores de baixo valor agregado e dificuldade em atrair investimento direto estrangeiro tecnol\u00f3gico em escala compar\u00e1vel a economias europeias que adotaram reformas mais agressivas de orienta\u00e7\u00e3o liberal. A carga fiscal elevada sobre o trabalho e as empresas, a rigidez regulat\u00f3ria e a instabilidade do enquadramento econ\u00f4mico foram tra\u00e7os recorrentes das pol\u00edticas implementadas ao longo dos sucessivos governos socialistas.<\/p>\n<p>Nada disso implica negar eventuais avan\u00e7os sociais ou melhorias pontuais. Mas os dados mostram que a hegemonia socialista produziu estabilidade sem transforma\u00e7\u00e3o, crescimento sem converg\u00eancia e redistribui\u00e7\u00e3o sem cria\u00e7\u00e3o suficiente de riqueza. Como analisado, o contraste com pa\u00edses que adotaram pol\u00edticas mais orientadas para o mercado, com redu\u00e7\u00e3o do peso do Estado, est\u00edmulo ao investimento privado e reformas estruturais profundas, sugere que alternativas mais \u00e0 direita no espectro pol\u00edtico teriam endere\u00e7ado de forma mais eficaz os problemas estruturais da economia portuguesa.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gica, mas emp\u00edrica: Portugal ficou para tr\u00e1s n\u00e3o por falta de meios ou por escassez de oportunidades, mas por ter confundido relativa \u2013 e reduzida \u2013 estabilidade social com projeto de crescimento e gest\u00e3o com estrat\u00e9gia. A estagna\u00e7\u00e3o portuguesa n\u00e3o foi um destino inevit\u00e1vel, mas uma escolha pol\u00edtica prolongada, a qual teve um denominador comum claro: o esquerdismo.<\/p>\n<p>Assim como em Portugal, o Brasil tamb\u00e9m ilustra alarmante padr\u00e3o de crescimento reduzido combinado com fragilidades persistentes durante longos per\u00edodos de governos de esquerda. No caso brasileiro, essa experi\u00eancia est\u00e1 centrada nas administra\u00e7\u00f5es do Partido dos Trabalhadores (PT), sob Lula (2003-2010 e a partir de 2023) e Dilma Rousseff (2011-2016), que governaram o pa\u00eds por 16 dos \u00faltimos 22 anos, tendo demonstrado uma incapacidade cr\u00f4nica de transformar potencialidades em progresso real.<\/p>\n<p>Conforme analisei em artigo aqui nesta <strong>Gazeta <\/strong>em setembro de 2024, o desempenho econ\u00f4mico brasileiro sob esses governos foi consistentemente fraco em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s capacidades do pa\u00eds e em compara\u00e7\u00e3o com pares emergentes e insuficiente para qualquer possibilidade de converg\u00eancia com economias mais din\u00e2micas. O Brasil cresceu, em m\u00e9dia, cerca de 1,3 % ao ano entre 2003 e 2023, ritmo que ficou atr\u00e1s de pa\u00edses como Turquia (4,7 %), Indon\u00e9sia (5 %), M\u00e9xico (2,3 %), \u00cdndia (6,2 %) e China (5,5 %).<\/p>\n<p>Mesmo partindo de bases muito amplas (sendo uma das dez maiores economias do mundo em PIB ajustado pelo poder de compra), o pa\u00eds viu sua posi\u00e7\u00e3o no ranking global de renda <em>per capita<\/em> cair da 60\u00aa para a 85\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 2003 e 2023, com proje\u00e7\u00f5es de piora at\u00e9 2026, quando poder\u00e1 chegar ao 90\u00ba lugar.<\/p>\n<p>Talvez ainda mais grave, ou reflexo da falta de planejamento e estrat\u00e9gia, o Brasil manteve n\u00edveis de industrializa\u00e7\u00e3o med\u00edocres, com manufaturados representando menos de 30\u202f% das exporta\u00e7\u00f5es, enquanto pa\u00edses emergentes similares ultrapassaram 50\u202f%. A economia continuou dependente de <em>commodities<\/em> e produtos de baixo valor agregado, enquanto barreiras internas, infraestrutura deficiente e os altos custos do chamado \u201cCusto Brasil\u201d encareceram a produ\u00e7\u00e3o e penalizaram a competitividade internacional. Exporta\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica praticamente n\u00e3o avan\u00e7aram, e a capacidade de gerar empregos de qualidade permaneceu estagnada.<\/p>\n<p>Essa estagna\u00e7\u00e3o estrutural revela uma caracter\u00edstica central das pol\u00edticas de esquerda: embora focadas em narrativas de inclus\u00e3o social e de mitiga\u00e7\u00e3o da pobreza imediata \u2013 atreladas a pol\u00edticas de perpetua\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia estatal, com fins eleitorais \u2013, n\u00e3o promoveram reformas estruturais profundas capazes de impulsionar produtividade, competitividade internacional e desenvolvimento sustent\u00e1vel. A ind\u00fastria manteve baixa intensidade tecnol\u00f3gica, a produtividade permaneceu estagnada e o pa\u00eds n\u00e3o conseguiu diversificar de forma significativa sua base produtiva. Como resultado, os ganhos sociais alcan\u00e7ados, os quais s\u00e3o em consider\u00e1vel medida devidos a medidas liberalizantes implementadas por governos anteriores, sobretudo os de FHC (1995-2002), foram limitados por um crescimento econ\u00f4mico insuficiente para consolidar avan\u00e7os duradouros, uma verdadeira \u201carmadilha de pobreza\u201d institucionalizada.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses \u00e9 inevit\u00e1vel, mas elucidativa, e serve para demonstrar que o tempo para ambiguidades se esgotou. A experi\u00eancia acumulada em Portugal e no Brasil evidencia que a persist\u00eancia de projetos de esquerda, centrados em redistribui\u00e7\u00e3o sem reformas estruturais profundas, produziu crescimento baixo, perda de competitividade e empobrecimento relativo. D\u00e9cadas foram consumidas alimentando e administrando a estagna\u00e7\u00e3o, bem como expandindo grupos de interesses que dela dependem, e n\u00e3o a superando. O resultado \u00e9 uma economia presa \u00e0 armadilha da baixa produtividade, do isolamento comercial, da depend\u00eancia de setores de baixo valor agregado e da manuten\u00e7\u00e3o da pobreza e da depend\u00eancia deliberadas como projeto de pais.<\/p>\n<h2>O resultado das elei\u00e7\u00f5es em Portugal<\/h2>\n<p>Portugal fez sua escolha <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/antonio-jose-seguro-socialista-eleito-novo-presidente-de-portugal\/?ref=veja-tambem\">nas elei\u00e7\u00f5es do \u00faltimo fim de semana<\/a> ao reafirmar um projeto socialista e, com ele, a aceita\u00e7\u00e3o t\u00e1cita de permanecer na periferia do dinamismo econ\u00f4mico europeu. O Brasil, ao contr\u00e1rio, ainda n\u00e3o decidiu seu destino. Em ano eleitoral, o pa\u00eds tem diante de si uma encruzilhada e uma oportunidade hist\u00f3ricas: insistir no anacr\u00f4nico, corrupto e parasit\u00e1rio modelo lulopetista que normalizou o atraso ou iniciar, finalmente, um ciclo de reformas orientado \u00e0 produtividade, \u00e0 integra\u00e7\u00e3o internacional e \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o efetiva do Estado.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de um presidente de direita representa, nesse contexto, mais do que uma altern\u00e2ncia ideol\u00f3gica, mas a possibilidade concreta de romper com a l\u00f3gica do curto prazo, da irresponsabilidade fiscal, do improviso gerencial e do crescimento an\u00eamico, e de recolocar o Brasil na rota do desenvolvimento real, resgatando-o da armadilha da pobreza. Persistir no mesmo modelo \u00e9 optar conscientemente pela estagna\u00e7\u00e3o, pelo empobrecimento relativo e pela irrelev\u00e2ncia internacional. Mudar \u00e9 assumir o risco necess\u00e1rio para avan\u00e7ar, crescer, competir e prosperar.<\/p>\n<p>O Brasil ainda pode escolher sair da periferia do desenvolvimento e recuperar o papel de grandeza que lhe \u00e9 reservado no sistema internacional de Estados, mas isso exige abandonar modelos que falharam e enfrentar o custo pol\u00edtico das reformas. As elei\u00e7\u00f5es de outubro n\u00e3o decidir\u00e3o apenas um governo, mas se o pa\u00eds continuar\u00e1 administrando a pobreza ou se ter\u00e1 a coragem de construir riqueza, futuro e esperan\u00e7a. O tempo da hesita\u00e7\u00e3o acabou: ou o Brasil muda agora, ou continuar\u00e1 pagando, por d\u00e9cadas, o pre\u00e7o da covardia. Certamente, n\u00e3o \u00e9 esse Brasil desorientado de hoje, institucionalmente desarticulado, corrupto, aparelhado e intelectualmente med\u00edocre que queremos para nossos filhos.\u00a0<\/p>\n<p><em>Marcos Degaut \u00e9 doutor em Seguran\u00e7a Internacional, pesquisador s\u00eanior na University of Central Florida (EUA), ex-secret\u00e1rio especial adjunto de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e ex-secret\u00e1rio de Produtos de Defesa do Minist\u00e9rio da Defesa.\u00a0<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo dos \u00faltimos 30 anos, Portugal tem experimentado um paradoxo econ\u00f4mico persistente, assinalado pela exist\u00eancia de estabilidade pol\u00edtica relativa,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":191673,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-191672","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/191672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=191672"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/191672\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/191673"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=191672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=191672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=191672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}