{"id":185988,"date":"2026-02-08T17:00:00","date_gmt":"2026-02-08T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=185988"},"modified":"2026-02-08T17:00:00","modified_gmt":"2026-02-08T21:00:00","slug":"o-apocalipse-do-transito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=185988","title":{"rendered":"O apocalipse do tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>As leis de tr\u00e2nsito foram abolidas no Rio de Janeiro, pelo menos para alguns ve\u00edculos. Motos n\u00e3o se preocupam mais com esses conceitos ultrapassados de m\u00e3o e contram\u00e3o, por exemplo. \u00c9 comum que motos trafeguem no sentido oposto ao tr\u00e2nsito, furem o sinal em alta velocidade, rodem em cima da cal\u00e7ada e fa\u00e7am acrobacias entre os carros. Alguma coisa levou os motociclistas do Rio a concluir que as regras do tr\u00e2nsito s\u00e3o bobagem. Talvez elas sejam sejam apenas <em>constru\u00e7\u00f5es sociais do patriarcado<\/em>.<\/p>\n<p>E a bicicletas, essas parcerias do caos?<\/p>\n<p>Estou falando principalmente das bicicletas de aluguel, saudadas por alguns como grande inova\u00e7\u00e3o na mobilidade urbana. Os estacionamentos dessas bicicletas est\u00e3o em todos os lugares. S\u00e3o estruturas met\u00e1licas horrorosas nas quais as bicicletas ficam presas por um mecanismo destravado pelo celular. S\u00e3o feridas na paisagem urbana. As bicicletas s\u00e3o pintadas de laranja, uma cor que n\u00e3o se harmoniza com nada. \u00c9 a mesma cor escolhida para coletes salva-vidas porque \u00e9 imposs\u00edvel deixar de not\u00e1-la, mesmo no meio do oceano.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Nada se compara \u00e0s bicicletas el\u00e9tricas. Essa imprudente cria\u00e7\u00e3o da modernidade combina o que h\u00e1 de pior nas bicicletas tradicionais \u2013 a capacidade de se enfiar em qualquer lugar \u2013 com o pior das motos \u2013 a velocidade assassina<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Da mesma forma que os motociclistas, os condutores das bicicletas cor de ab\u00f3bora acreditam ter um salvo conduto para transitar por onde quiserem \u2013 pelo asfalto, pela cal\u00e7ada, sobre as faixas de pedestres e no meio dos carros \u00c9 <em>\u00f3bvio<\/em> que nenhum dos usu\u00e1rios dessas bikes de aluguel usa capacete ou qualquer item de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas nada se compara \u00e0s bicicletas el\u00e9tricas. Essa imprudente cria\u00e7\u00e3o da modernidade combina o que h\u00e1 de pior nas bicicletas tradicionais \u2013 a capacidade de se enfiar em qualquer lugar \u2013 com o pior das motos \u2013 a velocidade assassina. A bicicleta el\u00e9trica permite que uma pessoa sem habilita\u00e7\u00e3o &#8211; e muitas vezes menor de idade &#8211; trafegue a velocidades que ela jamais conseguiria atingir se tivesse que pedalar.\u00a0 O resultado \u00e9 um formid\u00e1vel potencial para acidentes, agravado pelo fato de que o motor el\u00e9trico \u00e9 silencioso e n\u00e3o alerta o pedestre para o perigo.<\/p>\n<p>Faltou falar dos patinetes do inferno. Perdoem-me o termo, mas \u00e9 imposs\u00edvel que esse equipamento tenha sido inventado em algum outro lugar. Deve ter sido necess\u00e1rio um grande investimento em pesquisa para se chegar a um ve\u00edculo \u2013 seria esse o termo correto? \u2013 que re\u00fana tantas caracter\u00edsticas inseguras. O patinete, movido a um motor el\u00e9trico, permite ao usu\u00e1rio atingir velocidades inaceitavelmente altas para um ambiente urbano cheio de obst\u00e1culos. N\u00e3o h\u00e1 qualquer prote\u00e7\u00e3o para o usu\u00e1rio; em caso de parada s\u00fabita a consequ\u00eancia inevit\u00e1vel \u00e9 o encontro violento com o ch\u00e3o, com outro ve\u00edculo ou com uma pessoa.<\/p>\n<p>Como se isso n\u00e3o bastasse, \u00e9 comum que o patinete seja usado por duas (ou mais) pessoas, muitas vezes crian\u00e7as.\u00a0 \u00c9 <em>evidente<\/em> que nenhum piloto de patinete usa capacete ou qualquer item de seguran\u00e7a. J\u00e1 testemunhei um rapaz que convenceu sua m\u00e3e, uma senhora de idade e sobrepeso, a subir em um patinete, s\u00f3 para sair depois em busca de um hospital quando as rodas travaram e a senhora foi projetada na cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>\u00c9 claro que existe um outro lado da moeda, igualmente alarmante. Os pedestres do Rio tamb\u00e9m se convenceram de que nenhuma regra se aplica a eles. N\u00e3o tenho viv\u00eancia suficiente para emitir opini\u00e3o sobre o tr\u00e2nsito em outras cidades \u2013 exceto sobreo tr\u00e2nsito de S\u00e3o Paulo, onde sempre tenho a impress\u00e3o de que o carro onde estou vai ser sitiado por um enxame de motos, e sobre o tr\u00e2nsito de Bras\u00edlia, no qual uma assombrosa gentileza parece ser a norma. Mas o tr\u00e2nsito do Rio desafia explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica preferida do pedestre carioca para atravessar a rua \u00e9 se jogar na frente dos carros, acreditando que ser\u00e1 visto pelos motoristas e que eles conseguir\u00e3o frear a tempo. Uma das coisas mais inacredit\u00e1veis, e que vejo com frequ\u00eancia, s\u00e3o as pessoas que atravessam a rua <em>de costas para o fluxo do tr\u00e2nsito<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o as estat\u00edsticas de acidentes de tr\u00e2nsito no Rio, mas o resultado disso tudo s\u00f3 pode ser um massacre.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As leis de tr\u00e2nsito foram abolidas no Rio de Janeiro, pelo menos para alguns ve\u00edculos. Motos n\u00e3o se preocupam mais&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":185990,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-185988","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/185988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=185988"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/185988\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/185990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=185988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=185988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=185988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}