{"id":172879,"date":"2026-02-04T05:02:00","date_gmt":"2026-02-04T09:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=172879"},"modified":"2026-02-04T05:02:00","modified_gmt":"2026-02-04T09:02:00","slug":"fim-da-jornada-6x1-brasil-e-pais-pobre-tentando-legislar-como-se-fosse-rico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=172879","title":{"rendered":"Fim da jornada 6\u00d71: Brasil \u00e9 pa\u00eds pobre tentando legislar como se fosse rico"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A esquerda brasileira n\u00e3o acredita em produtividade. N\u00e3o acredita em capital. N\u00e3o acredita em responsabilidade econ\u00f4mica. Acredita, isto sim, em decreto. A PEC (Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o) do fim da jornada 6&#215;1 \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o perfeita dessa mentalidade. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds pobre tentando legislar como se fosse rico. E isso nunca terminou bem em lugar nenhum do mundo. Vamos aos fatos:<\/p>\n<p>O trabalhador brasileiro produz, em m\u00e9dia, cerca de 18 d\u00f3lares por hora trabalhada. Nos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), o valor \u00e9 superior a 60 d\u00f3lares. Ou seja, produzimos menos de um ter\u00e7o do que os pa\u00edses desenvolvidos. Mesmo assim, a esquerda quer reduzir jornada mantendo o custo, como se produtividade fosse mero detalhe ideol\u00f3gico. Ora, isso n\u00e3o \u00e9 justi\u00e7a social. \u00c9 desprezo pela mais b\u00e1sica aritm\u00e9tica.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o, vejamos. Reduzir a jornada semanal obrigando empresas a manter sal\u00e1rios equivale, na pr\u00e1tica, a um aumento imediato de custo trabalhista entre 15% e 25%, dependendo do setor. Em um pa\u00eds onde a margem l\u00edquida m\u00e9dia das pequenas e m\u00e9dias empresas (PMEs) gira entre 3% e 7%, essa conta simplesmente n\u00e3o fecha. E mais de 70% dos empregos formais do Brasil est\u00e3o em empresas desse porte. Neg\u00f3cios que n\u00e3o t\u00eam acesso f\u00e1cil a cr\u00e9dito, que n\u00e3o conseguem repassar custo rapidamente e que n\u00e3o t\u00eam escala para absorver choque regulat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Historicamente, o resultado de toda rigidez trabalhista \u00e9 sempre o mesmo: menos emprego formal e mais informalidade. Hoje, o Brasil j\u00e1 tem cerca de 40 milh\u00f5es de trabalhadores na informalidade. Toda pol\u00edtica que encarece o trabalho formal empurra mais gente para fora da CLT. Isso n\u00e3o \u00e9 conjectura liberal. \u00c9 dado emp\u00edrico das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Trabalho digno n\u00e3o nasce de menos trabalho. Nasce de mais valor gerado por hora. O resto \u00e9 discurso para milit\u00e2ncia universit\u00e1ria e trag\u00e9dia para quem fecha folha de pagamento todo m\u00eas. N\u00e3o, essa PEC n\u00e3o \u00e9 avan\u00e7o social<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Setor por setor, o estrago \u00e9 previs\u00edvel. No varejo, supermercados, farm\u00e1cias e shoppings operam com turnos cont\u00ednuos. O fim da escala 6&#215;1 significaria mais contrata\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias ou pagamento sistem\u00e1tico de horas extras. O resultado ser\u00e1 redu\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio de funcionamento, fechamento de lojas e menos vagas. Na ind\u00fastria, a consequ\u00eancia \u00e9 a perda de competitividade. Com custo unit\u00e1rio maior, a produ\u00e7\u00e3o migra ou simplesmente deixa de ser feita.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 representa menos de 1,5% da ind\u00fastria global e segue encolhendo. Essa PEC acelera o processo. Nos servi\u00e7os \u2013 especialmente alimenta\u00e7\u00e3o, hotelaria, sa\u00fade e log\u00edstica \u2013, o efeito \u00e9 catastr\u00f3fico. S\u00e3o setores intensivos em m\u00e3o de obra, com baixa automa\u00e7\u00e3o no curto prazo. O que surge \u00e9 informalidade, pejotiza\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e subemprego. Exatamente o oposto do que a esquerda diz combater. Ou seja, na pr\u00e1tica, pune-se exatamente a quem se quer proteger.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que essa PEC n\u00e3o \u00e9 sobre trabalhadores. \u00c9 sobre ideologia. \u00c9 a velha narrativa marxista mal reciclada: o empres\u00e1rio como pecador, o lucro como pecado. Como se empresas existissem para cumprir fun\u00e7\u00e3o social abstrata, e n\u00e3o para gerar valor econ\u00f4mico real.<\/p>\n<p>O detalhe que esses ide\u00f3logos esquecem \u00e9 que sem lucro n\u00e3o h\u00e1 investimento, sem investimento n\u00e3o h\u00e1 produtividade e sem produtividade n\u00e3o h\u00e1 sal\u00e1rio digno. Isso \u00e9 economia b\u00e1sica. Basta olhar al\u00e9m das fronteiras: nenhum pa\u00eds ficou rico reduzindo trabalho antes de aumentar produtividade. Nenhum. Os pa\u00edses que hoje discutem jornadas menores primeiro acumularam capital, tecnologia, educa\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia. O Brasil quer o b\u00f4nus sem fazer o \u00f4nus.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Essa mentalidade \u00e9 a mesma que destruiu a Argentina, empobreceu a Venezuela e mant\u00e9m o Brasil preso ao crescimento med\u00edocre h\u00e1 quarenta anos. A esquerda vende a ilus\u00e3o do conforto imediato e entrega desemprego no m\u00e9dio prazo. Sempre foi assim.<\/p>\n<p>Trabalho digno n\u00e3o nasce de menos trabalho. Nasce de mais valor gerado por hora. O resto \u00e9 discurso para milit\u00e2ncia universit\u00e1ria e trag\u00e9dia para quem fecha folha de pagamento todo m\u00eas. N\u00e3o, essa PEC n\u00e3o \u00e9 avan\u00e7o social. \u00c9 mais um ataque ideol\u00f3gico com o objetivo de tentar moldar a economia real na f\u00f4rma de teorias anacr\u00f4nicas e superadas. E, como sempre, quando tudo der errado, a esquerda culpar\u00e1 o mercado.<\/p>\n<p><em><strong>Tallis Gomes<\/strong>, empres\u00e1rio, \u00e9 fundador e presidente do G4 Educa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A esquerda brasileira n\u00e3o acredita em produtividade. N\u00e3o acredita em capital. N\u00e3o acredita em responsabilidade econ\u00f4mica. Acredita, isto sim, em&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":172880,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-172879","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/172879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=172879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/172879\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/172880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=172879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=172879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=172879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}