{"id":168422,"date":"2026-02-01T21:17:21","date_gmt":"2026-02-02T01:17:21","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=168422"},"modified":"2026-02-01T21:17:21","modified_gmt":"2026-02-02T01:17:21","slug":"com-protagonismo-crescente-etanol-de-milho-vira-aposta-do-agro-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=168422","title":{"rendered":"Com protagonismo crescente, etanol de milho vira aposta do\u00a0agro brasileiro\u00a0"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Apesar de a soja ainda ser a rainha do agroneg\u00f3cio brasileiro, o milho vem ampliando sua relev\u00e2ncia econ\u00f4mica e estrat\u00e9gica para o setor. Um dos fatores que mais pesa para isso \u00e9 o etanol\u00a0de milho, que\u00a0tem registrado crescimento\u00a0ano ap\u00f3s ano no Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser muito vantajoso do ponto de vista econ\u00f4mico, a tecnologia\u00a0do etanol\u00a0pode ser uma alternativa \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o da frota e ainda agregar maior valor a um produto essencial na alimenta\u00e7\u00e3o humana e animal.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio de Minas e Energia,\u00a0o Brasil j\u00e1 \u00e9 o segundo maior produtor de etanol de milho no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. A produ\u00e7\u00e3o passou de 2,59 bilh\u00f5es de litros na safra 2020\/21 para proje\u00e7\u00f5es que chegam pr\u00f3ximo a 10 bilh\u00f5es na safra 2025\/26.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O crescimento significativo se d\u00e1 em raz\u00e3o do aumento no n\u00famero de biorrefinarias pelo pa\u00eds, sobretudo na regi\u00e3o centro-oeste. Outras ind\u00fastrias, por\u00e9m, j\u00e1 est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o em diferentes estados, como a usina da cooperativa Coamo, em Campo Mour\u00e3o, no centro-oeste do Paran\u00e1. Com investimento de R$ 1,7 bilh\u00e3o, a\u00a0nova usina de etanol deve iniciar as opera\u00e7\u00f5es no segundo semestre deste ano.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outras grandes biorrefinarias, a usina paranaense deve se integrar a um parque industrial que j\u00e1 beneficia outras commodities e est\u00e1 integrado a uma cadeia de produ\u00e7\u00e3o que tem o milho como principal insumo. \u201cPrecisamos agregar valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, e uma das maneiras \u00e9 por meio da verticaliza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 fazemos isso com a soja, o trigo e vamos fazer tamb\u00e9m com o milho\u201d, afirma o presidente da Coamo, Airton\u00a0Galinari.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O Paran\u00e1\u00a0\u00e9 o maior produtor de prote\u00edna animal do Brasil \u2013 l\u00edder em carne de frango e vice em carne su\u00edna, sem contar a lideran\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o de peixes de cultivo, como a til\u00e1pia. Como o milho \u00e9 a base da alimenta\u00e7\u00e3o desses animais, o estado j\u00e1 se tornou vice-l\u00edder na produ\u00e7\u00e3o brasileira e tem no etanol um aliado importante\u00a0para\u00a0fortalecer toda a cadeia produtiva.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Cada tonelada de milho produz em torno de 450 litros de etanol e 300 quilos de farelo, al\u00e9m de \u00f3leo\u00a0e energia. O farelo, chamado tecnicamente de DDG (<em>Distillers Dried Grains<\/em> ou \u201cGr\u00e3os de Destilaria Secos\u201d), cont\u00e9m alto teor de prote\u00edna, fundamental na nutri\u00e7\u00e3o animal e alternativa mais econ\u00f4mica na compara\u00e7\u00e3o com o farelo de soja.<\/p>\n<p>Portanto ao processar o milho, produtores aumentam significativamente o valor agregado com novos produtos e\u00a0coprodutos (etanol, DDG, \u00f3leo, energia) e ainda reduzem custos na cadeia de produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal, sem contar os benef\u00edcios ambientais.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Etanol de milho no centro da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/h2>\n<p>O avan\u00e7o do etanol de milho ocorre em um momento em que a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono passa a ser tamb\u00e9m uma exig\u00eancia comercial para atender mercados internacionais, e os biocombust\u00edveis surgem como alternativa j\u00e1 consolidada.<\/p>\n<p>Poucos sabem, mas o motor a \u00e1lcool \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o totalmente brasileira. Desenvolvida na d\u00e9cada de 1970, a tecnologia surgiu em resposta \u00e0 crise do petr\u00f3leo e se consolidou no mercado nacional com a mistura do \u00e1lcool \u00e0 gasolina, atualmente em 30%, e, mais tarde, com a introdu\u00e7\u00e3o dos motores flex.<\/p>\n<p>As preocupa\u00e7\u00f5es ambientais tornaram os ve\u00edculos\u00a0flex\u00a0uma alternativa econ\u00f4mica e mais \u201cbrasileira\u201d se comparado aos ve\u00edculos el\u00e9tricos movidos a bateria, cuja tecnologia \u00e9 trazida de fora, principalmente da China, e com custos mais elevados, sem contar que as baterias utilizam componentes n\u00e3o-renov\u00e1veis.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O governo federal, que tenta se mostrar internacionalmente preocupado com quest\u00f5es ambientais, enfrenta um\u00a0dilema: deseja consolidar o etanol como alternativa \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o da frota, mas n\u00e3o quer desagradar os aliados chineses que est\u00e3o apostando no Brasil como\u00a0um dos principais mercados para seus ve\u00edculos el\u00e9tricos.\u00a0<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Minas e Energia tem afirmado que o governo \u201cn\u00e3o trabalha com a l\u00f3gica de uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para a descarboniza\u00e7\u00e3o da mobilidade\u201d e que as\u00a0tecnologias \u201cdesempenham um papel complementar,\u00a0combinando efici\u00eancias\u00a0energ\u00e9ticas, eletrifica\u00e7\u00e3o (quando fizer sentido econ\u00f4mico) e biocombust\u00edveis\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Por outro lado, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea) \u2013 representante das montadoras que fabricam em sua maioria ve\u00edculos movidos a biocombust\u00edveis,\u00a0como o etanol \u2013\u00a0tem\u00a0outro ponto de vista.<\/p>\n<p>\u201cQuando analisamos o ciclo de vida entre as diferentes tecnologias de propuls\u00e3o, o ve\u00edculo, quando movido a etanol, possui uma pegada de carbono similar \u00e0 do ve\u00edculo el\u00e9trico, devido ao fato de a produ\u00e7\u00e3o da bateria para esses ve\u00edculos ainda representar uma grande propor\u00e7\u00e3o na contabiliza\u00e7\u00e3o de suas emiss\u00f5es totais.\u00a0O\u00a0Brasil tem os autom\u00f3veis com menor emiss\u00e3o de CO2 do planeta\u201d, afirma\u00a0Gilberto Martins, diretor de Assuntos Regulat\u00f3rios\u00a0da Anfavea.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/01\/23162251\/etanol-milho.jpg.webp\" \/><i>Produ\u00e7\u00e3o de milho ganha novo papel estrat\u00e9gico ao abastecer biorrefinarias e ampliar a gera\u00e7\u00e3o de energia e coprodutos no agro brasileiro. (Foto: Wenderson Araujo\/CNA)<\/i><\/p>\n<h2>Produ\u00e7\u00e3o de etanol n\u00e3o amea\u00e7a o abastecimento<\/h2>\n<p>Crescendo da maneira como est\u00e1 e sendo t\u00e3o importante na alimenta\u00e7\u00e3o humana e de animais, tanto de produ\u00e7\u00e3o quanto dom\u00e9sticos, \u00e9 de se questionar\u00a0se pode faltar milho no mercado.<\/p>\n<p>Para o professor Luc\u00edlio Alves, do Departamento de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Sociologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), n\u00e3o h\u00e1 o que temer. \u201cNas \u00faltimas seis safras a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica cresceu 37,5%, e o consumo interno, 35,1%. Com isso, o excedente dom\u00e9stico subiu 7,7%, ficando entre 34,3 milh\u00f5es e 61,8 milh\u00f5es de toneladas\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Alves argumenta que h\u00e1 um aumento na oferta do milho no pa\u00eds, sobretudo porque o cereal responde melhor aos est\u00edmulos do mercado \u2013 isto \u00e9, se o pre\u00e7o\u00a0sobe, a\u00a0produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aumenta.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o\u00a0Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa), \u201co\u202faumento da produ\u00e7\u00e3o de etanol de milho n\u00e3o \u00e9 visto como um fator de desest\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos essenciais, desde que inserido em um modelo de desenvolvimento agr\u00edcola equilibrado\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A pasta informou tamb\u00e9m que as lavouras usadas para produ\u00e7\u00e3o de etanol de milho est\u00e3o consolidadas e fazem parte de sistemas integrados, com rota\u00e7\u00e3o de culturas. Assim, n\u00e3o substituem \u00e1reas de alimentos b\u00e1sicos.\u00a0<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Mapa estabeleceu pol\u00edticas p\u00fablicas para que pequenos e m\u00e9dios produtores plantem milho e se integrem \u00e0 cadeia de produ\u00e7\u00e3o de etanol, tais como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e\u00a0o Programa Nacional de Apoio ao M\u00e9dio Produtor Rural (Pronamp),\u00a0que oferecem cr\u00e9dito rural.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Etanol de milho n\u00e3o deve gerar infla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Com boa oferta no mercado, dificilmente haver\u00e1 uma infla\u00e7\u00e3o do milho, como j\u00e1 ocorreu com outros alimentos da cesta b\u00e1sica no Brasil, como o ovo, o caf\u00e9 e o arroz.<\/p>\n<p>E al\u00e9m de n\u00e3o depender\u00a0de importa\u00e7\u00f5es, o milho apresenta outras vantagens.\u00a0Segundo\u00a0o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria, \u201ca\u00a0ind\u00fastria de etanol de milho utiliza, majoritariamente, milho excedente da segunda safra, que n\u00e3o compete diretamente com o abastecimento interno destinado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o humana\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda de acordo com Luc\u00edlio Alves, os coprodutos do milho, como\u00a0os DDGs, reduzem a demanda, porque retornam ao sistema alimentar por meio da ra\u00e7\u00e3o animal. \u201cAl\u00e9m disso, a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o do etanol no Brasil \u00e9 fortemente influenciada pela paridade com a gasolina, o que limita o repasse direto e cont\u00ednuo de custos ao consumidor\u201d, pontua o professor da USP.<\/p>\n<p>\u201cEmbora haja maior exposi\u00e7\u00e3o a oscila\u00e7\u00f5es de mercado, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que o etanol de milho gere infla\u00e7\u00e3o persistente ou desorganize o sistema de pre\u00e7os, especialmente em um ambiente de oferta agr\u00edcola diversificada\u201d, prossegue.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de a soja ainda ser a rainha do agroneg\u00f3cio brasileiro, o milho vem ampliando sua relev\u00e2ncia econ\u00f4mica e estrat\u00e9gica&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":166941,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-168422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/168422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=168422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/168422\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/166941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=168422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=168422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=168422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}