{"id":160175,"date":"2026-01-24T19:08:06","date_gmt":"2026-01-24T23:08:06","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=160175"},"modified":"2026-01-24T19:08:06","modified_gmt":"2026-01-24T23:08:06","slug":"a-ilha-brasileira-que-abriga-o-mamifero-mais-raro-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=160175","title":{"rendered":"A ilha brasileira que abriga o mam\u00edfero mais raro do mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Distante cerca de 8 quil\u00f4metros da costa de Florian\u00f3polis, em Santa Catarina, um pequeno arquip\u00e9lago rochoso guarda <strong>um dos maiores s\u00edmbolos da biodiversidade brasileira<\/strong>. Em uma ilha com pouco mais de 10 hectares, vive o pre\u00e1-de-Moleques-do-Sul (<em>Cavia intermedia<\/em>). Considerado o mam\u00edfero mais raro do mundo, essa esp\u00e9cie tem a menor distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do planeta.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie pode ser encontrada exclusivamente na maior ilha do arquip\u00e9lago de Moleques do Sul. A \u00e1rea integra o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior unidade de conserva\u00e7\u00e3o de Santa Catarina. Isolado h\u00e1 milhares de anos, o pequeno roedor sobrevive com uma popula\u00e7\u00e3o estimada entre 40 e 60 indiv\u00edduos. O n\u00famero varia conforme a disponibilidade de alimento e as condi\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>&#8220;Quando pensamos em termos de esp\u00e9cie, ainda mais de roedores e mam\u00edferos, esse \u00e9 um n\u00famero extremamente pequeno&#8221;, afirma o bi\u00f3logo do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina Marcos Eug\u00eanio Maes. &#8220;Qualquer coisa que aconte\u00e7a nesse espa\u00e7o muito reduzido pode afetar diretamente a popula\u00e7\u00e3o e at\u00e9 desencadear a extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie&#8221;.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Uma descoberta que come\u00e7ou por acaso<\/h2>\n<p>Pesquisadores confirmaram a exist\u00eancia do pre\u00e1-de-Moleques-do-Sul apenas nos anos 1980. A descoberta ocorreu durante um amplo esfor\u00e7o do ent\u00e3o Instituto do Meio Ambiente \u2014 \u00e0 \u00e9poca, denominado Funda\u00e7\u00e3o do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (Fatma) \u2014 para estudar esp\u00e9cies da fauna catarinense.<\/p>\n<p>De acordo com Maes, o foco inicial das expedi\u00e7\u00f5es era o levantamento de aves marinhas, uma vez que o arquip\u00e9lago \u00e9 uma importante \u00e1rea de reprodu\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies. &#8220;Em uma dessas campanhas, uma colega nossa, que estudava mam\u00edferos, encontrou uma ossada e percebeu que o cr\u00e2nio e os ossos tinham um tamanho diferente&#8221;, relata o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>A pesquisadora levou o material para o laborat\u00f3rio e consultou outros especialistas. &#8220;Ao longo de alguns anos, ficou claro que se tratava de uma esp\u00e9cie nova&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Os pesquisadores batizaram a nova esp\u00e9cie de <em>Cavia intermedia<\/em>, conhecida popularmente como pre\u00e1-de-Moleques-do-Sul \u2014 um nome que, segundo Maes, tem valor simb\u00f3lico. &#8220;Uma pesquisadora da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o ambiental do estado fez a descoberta, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia do trabalho cient\u00edfico desenvolvido aqui&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/01\/14120412\/a-ilha-brasileira-que-abriga-o-menor-mamifero-do-mundo-2.jpg.webp\" \/><i>Restrito a uma \u00fanica ilha do litoral catarinense, o pre\u00e1-de-Moleques-do-Sul (Cavia intermedia) \u00e9 considerado um dos mam\u00edferos mais raros e amea\u00e7ados do mundo. (Foto: Luciano Candisani\/Instituto Tabuleiro)<\/i><\/p>\n<h2>O mam\u00edfero mais raro do mundo \u00e9 um roedor \u00fanico <\/h2>\n<p>Visualmente, o pre\u00e1-de-Moleques-do-Sul lembra um porquinho-da-\u00edndia. Ele pertence ao mesmo grupo de roedores que inclui capivaras e ratos, mas carrega uma caracter\u00edstica que o torna \u00fanico: sua distribui\u00e7\u00e3o extremamente restrita.<\/p>\n<p>&#8220;No mundo todo, esse animal ocorre apenas nessa \u00fanica ilha, muito pequena, com menos de 10 hectares&#8221;, explica Maes. &#8220;Isso \u00e9 algo muito incomum para roedores, que normalmente t\u00eam ampla distribui\u00e7\u00e3o e popula\u00e7\u00f5es grandes&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Especialistas consideram o pre\u00e1 uma das esp\u00e9cies de mam\u00edferos mais amea\u00e7adas do planeta. Ele est\u00e1 classificado como criticamente em perigo nos n\u00edveis global, nacional e estadual e figura entre os 20 pequenos mam\u00edferos mais amea\u00e7ados do mundo.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o reduzida se explica, principalmente, pela limita\u00e7\u00e3o de recursos naturais. &#8220;Eles n\u00e3o t\u00eam predadores naturais conhecidos. A popula\u00e7\u00e3o oscila porque o ambiente \u00e9 pequeno e os recursos alimentares s\u00e3o limitados&#8221;, afirma Maes.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a popula\u00e7\u00e3o cresce demais, come\u00e7a a faltar alimento, e isso leva naturalmente \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de indiv\u00edduos&#8221;, acrescenta ele. A esp\u00e9cie se alimenta basicamente de gram\u00edneas que tamb\u00e9m existem no continente. Vive, em m\u00e9dia, de dois a quatro anos e apresenta ciclos de vida r\u00e1pidos, t\u00edpicos de pequenos roedores.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>O isolamento que criou o mam\u00edfero mais raro do mundo<\/h2>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia exclusiva do pre\u00e1 na ilha catarinense remonta a um processo geol\u00f3gico iniciado h\u00e1 cerca de 8 mil anos, ap\u00f3s a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar. &#8220;A teoria mais aceita \u00e9 que essas ilhas eram, na verdade, topos de morros ligados ao continente&#8221;, explica Maes.<\/p>\n<p>De acordo com ele, com o aumento do n\u00edvel do oceano, essas popula\u00e7\u00f5es de pre\u00e1s foram ficando cada vez mais isoladas, at\u00e9 restar apenas esse pequeno fragmento de terra exposto. Esse isolamento prolongado levou ao surgimento de uma nova esp\u00e9cie. &#8220;Foram milhares de anos de reprodu\u00e7\u00e3o em uma popula\u00e7\u00e3o pequena e isolada, o que acabou gerando um processo de especia\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Os animais ocupam apenas parte da ilha \u2014 cerca de 4 hectares \u2014 onde h\u00e1 vegeta\u00e7\u00e3o aberta, rica em gram\u00edneas. Durante os per\u00edodos mais quentes do dia, eles se escondem em \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o mais densa e retornam para se alimentar no in\u00edcio da manh\u00e3, ao entardecer e a noite.<\/p>\n<h2>Prote\u00e7\u00e3o antes mesmo da descoberta<\/h2>\n<p>Um dos fatores decisivos para a sobreviv\u00eancia do pre\u00e1-de-Moleques-do-Sul foi o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Criado nos anos 1970, surgiu antes mesmo da descoberta oficial da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>&#8220;Isso fez com que a \u00e1rea permanecesse praticamente intocada e permitiu a prote\u00e7\u00e3o do pre\u00e1, mesmo quando ele ainda nem era conhecido pela ci\u00eancia&#8221;, destaca Maes. Com o passar dos anos e o reconhecimento da gravidade da situa\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, o estado criou o Plano Estadual de Conserva\u00e7\u00e3o do Pre\u00e1-de-Moleques-do-Sul. O documento re\u00fane a\u00e7\u00f5es de pesquisa, educa\u00e7\u00e3o ambiental, fiscaliza\u00e7\u00e3o e manejo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/01\/14120404\/a-ilha-brasileira-que-abriga-o-menor-mamifero-do-mundo.jpg.webp\" \/><i>Com popula\u00e7\u00e3o estimada entre 40 e 60 indiv\u00edduos, o pre\u00e1-de-Moleques-do-Sul vive exclusivamente no arquip\u00e9lago de Moleques do Sul, \u00e1rea protegida do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. (Foto: Luciano Candisani\/Instituto Tabuleiro)<\/i><\/p>\n<h2>Visita\u00e7\u00e3o ao mam\u00edfero mais raro do mundo \u00e9 proibida<\/h2>\n<p>Apesar do interesse que a hist\u00f3ria do pre\u00e1 desperta, o desembarque no arquip\u00e9lago \u00e9 proibido. A \u00e1rea \u00e9 classificada como zona intang\u00edvel do parque estadual, e o acesso s\u00f3 \u00e9 permitido a pesquisadores autorizados e servidores de \u00f3rg\u00e3os ambientais.<\/p>\n<p>&#8220;Essa esp\u00e9cie evoluiu durante milhares de anos sem qualquer contato com o continente. Qualquer dist\u00farbio, por menor que pare\u00e7a, pode coloc\u00e1-la em risco&#8221;, alerta Maes. De acordo com ele, visitantes podem introduzir sementes, pat\u00f3genos, bact\u00e9rias, v\u00edrus ou parasitas que o sistema imunol\u00f3gico do animal n\u00e3o consegue combater.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o arquip\u00e9lago \u00e9 \u00e1rea de nidifica\u00e7\u00e3o de aves marinhas, cujos ninhos ficam no ch\u00e3o, o que aumenta o risco de danos. &#8220;Encontramos restos de fogueira na ilha. Um inc\u00eandio ali seria catastr\u00f3fico. Se essa esp\u00e9cie se extinguir, n\u00e3o haver\u00e1 possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma perda definitiva&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, a Pol\u00edcia Militar Ambiental e a Marinha fazem a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Em caso de desembarque irregular, a Pol\u00edcia Militar Ambiental deve receber as den\u00fancias.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Distante cerca de 8 quil\u00f4metros da costa de Florian\u00f3polis, em Santa Catarina, um pequeno arquip\u00e9lago rochoso guarda um dos maiores&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":155187,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-160175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/160175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=160175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/160175\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/155187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=160175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=160175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=160175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}