{"id":151221,"date":"2026-01-23T17:51:59","date_gmt":"2026-01-23T21:51:59","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=151221"},"modified":"2026-01-23T17:51:59","modified_gmt":"2026-01-23T21:51:59","slug":"negros-contra-pardos-entenda-a-nova-guerra-civil-da-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=151221","title":{"rendered":"Negros contra pardos: entenda a nova \u201cguerra civil\u201d da esquerda"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Universidades p\u00fablicas brasileiras raramente expulsam alunos. Mesmo em casos graves (fraudes, infra\u00e7\u00f5es disciplinares, crimes cometidos no campus) o processo costuma ser longo, burocr\u00e1tico e cercado de garantias.<\/p>\n<p>Por isso, quando pipocou a not\u00edcia da expuls\u00e3o de uma aluna da Universidade Federal Fluminense (UFF), logo surgiu no ar a suspeita de que havia algo no m\u00ednimo estranho na hist\u00f3ria. Ainda mais por se tratar de uma estudante conhecida fora do circuito acad\u00eamico, com um alcance expressivo nas redes sociais.<\/p>\n<p>Beatriz Bueno, de 28 anos, foi afastada do mestrado em \u201cCultura e Territorialidades\u201d no final de dezembro, por videochamada. Segundo a UFF, ela n\u00e3o participou de todas as atividades exigidas e acabou reprovada em disciplinas obrigat\u00f3rias.<\/p>\n<p>No entanto, ela afirma ser v\u00edtima de persegui\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u2014 por parte de alunos, professores e da pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o da universidade. O motivo? O tema de sua pesquisa: parditude.<\/p>\n<p>O termo se refere \u00e0 identidade do brasileiro mesti\u00e7o e suas m\u00faltiplas ra\u00edzes (africanas, ind\u00edgenas e europeias). Tamb\u00e9m nomeia a experi\u00eancia pessoal de quem n\u00e3o se encaixa nem como branco, nem como negro.<\/p>\n<h2>Por que os pardos incomodam<\/h2>\n<p>O conceito de parditude, aparentemente t\u00e3o natural, parece incomodar determinados setores da academia e da esquerda (tanto a tradicional marxista quanto a identit\u00e1ria). E n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil entender por qu\u00ea.<\/p>\n<p>Quando os pardos se imp\u00f5em como um grupo aut\u00f4nomo, e n\u00e3o uma subcategoria, eles amea\u00e7am as divis\u00f5es raciais r\u00edgidas que fortalecem as narrativas identit\u00e1rias e as pol\u00edticas afirmativas atuais (como cotas, editais, secretarias especiais, cargos comissionados).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9, portanto, apenas uma diverg\u00eancia intelectual. A disputa envolve recursos p\u00fablicos, espa\u00e7os de poder e a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de quem tem direito a ser reconhecido como alvo do racismo.<\/p>\n<p>Afinal, segundo o IBGE, 45,3% da popula\u00e7\u00e3o se declarou parda no \u00faltimo censo. \u00c9 o maior \u2014 e, potencialmente, mais influente \u2014 grupo demogr\u00e1fico do Brasil.<\/p>\n<h2>A estrat\u00e9gia do movimento negro<\/h2>\n<p>O termo \u201cpardo\u201d, obviamente, n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o recente. Est\u00e1 presente nos censos brasileiros desde 1872, ainda no Imp\u00e9rio, e j\u00e1 foi usado para suavizar a condi\u00e7\u00e3o negra, descrever a miscigena\u00e7\u00e3o ou simplesmente como r\u00f3tulo gen\u00e9rico (variando conforme o contexto hist\u00f3rico).<\/p>\n<p>O debate hoje n\u00e3o \u00e9 sobre a palavra em si, embora a express\u00e3o parditude cause calafrios no mundinho <em>woke<\/em>. O ponto central est\u00e1 no que ela mexe: quem ganha voz, visibilidade e legitimidade a partir do momento em que essa identidade entra em cena.<\/p>\n<p>Quando o debate racial se intensificou no Brasil redemocratizado, a estrat\u00e9gia do movimento negro foi clara: unificar pretos e pardos em uma \u00fanica categoria, a dos negros, para fins estat\u00edsticos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Essa fus\u00e3o, estabelecida pelo Estatuto da Igualdade Racial de 2010, permitiu demonstrar que mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o estava na base da pir\u00e2mide social. E, principalmente, abriu caminho para medidas como a Lei de Cotas de 2012 e a distribui\u00e7\u00e3o proporcional de recursos partid\u00e1rios.<\/p>\n<h2>Tribunais raciais<\/h2>\n<p>Discuss\u00f5es sobre meritocracia \u00e0 parte, um grande problema surgiu quando a pol\u00edtica saiu do papel \u2014 e, como n\u00e3o \u00e9 raro acontecer, entrou em choque com a realidade.<\/p>\n<p>Porque, se no censo do IBGE vale a autodeclara\u00e7\u00e3o (voc\u00ea \u00e9 o que diz ser), nas universidades ganhou for\u00e7a a heteroidentifica\u00e7\u00e3o. Ou seja, comiss\u00f5es passaram a analisar tra\u00e7os f\u00edsicos para saber se um candidato tem direito ou n\u00e3o \u00e0s cotas.<\/p>\n<p>Dentro dessa l\u00f3gica, o pardo \u2014 com sua apar\u00eancia amb\u00edgua \u2014 virou a principal v\u00edtima da nova burocracia racial. Ou dos tribunais raciais, como dizem os cr\u00edticos do modelo.<\/p>\n<h2>S\u00f3 vale a apar\u00eancia<\/h2>\n<p>Ainda hoje, a imprensa registra situa\u00e7\u00f5es em que os julgadores consideram \u201cinsuficientes\u201d os tra\u00e7os f\u00edsicos apresentados e acabam anulando a autodeclara\u00e7\u00e3o parda.<\/p>\n<p>S\u00e3o casos como o de Williane Muniz, barrada na Universidade Federal de Pernambuco ap\u00f3s anos de tentativas para ingressar em Medicina. Ou de Let\u00edcia Lacerda, expulsa da Universidade Federal do Sul da Bahia a seis meses da formatura.<\/p>\n<p>O STF j\u00e1 foi acionado diversas vezes. Recentemente, o ministro Nunes Marques refor\u00e7ou que o \u00fanico crit\u00e9rio v\u00e1lido \u00e9 a apar\u00eancia \u2014 n\u00e3o a ancestralidade, nem fotos antigas.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma armadilha institucional em que a mesma pessoa pode ser considerada parda em um concurso e branca em outro, dependendo da composi\u00e7\u00e3o da banca.<\/p>\n<h2>A press\u00e3o do Estado<\/h2>\n<p>O debate recente sobre a identidade parda n\u00e3o come\u00e7ou com o trabalho de Beatriz Bueno.<\/p>\n<p>Denis Moura dos Santos, especialista da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, afirma que o Estado erra ao desconsiderar que esse grupo populacional possui m\u00faltiplas ascend\u00eancias, e n\u00e3o apenas a africana. Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves, dem\u00f3grafo do IBGE, alerta h\u00e1 anos para o que chama de \u201cgenoc\u00eddio estat\u00edstico dos pardos\u201d.<\/p>\n<p>Ge\u00edsa Mattos, da Universidade Federal do Cear\u00e1, mostra como a mesti\u00e7agem afro-ind\u00edgena \u00e9 mal compreendida pelas bancas de heteroidentifica\u00e7\u00e3o. Dagoberto Jos\u00e9 Fonseca, da Universidade Estadual Paulista, sugere que o Estado pressiona as pessoas a se encaixarem em moldes espec\u00edficos para fins administrativos.<\/p>\n<p>A lista inclui muitos outros nomes, mas nenhuma dessas figuras sofreu tantos ataques quanto Beatriz Bueno. A diferen\u00e7a est\u00e1 na forma, n\u00e3o no conte\u00fado.<\/p>\n<p>Jovem e com perfil de <em>influencer<\/em>, Beatriz Bueno tirou a discuss\u00e3o do ambiente herm\u00e9tico das universidades e a traduziu para o grande p\u00fablico (ela tem 110 mil seguidores apenas no Instagram). Era s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo para que sua postura passasse a ser encarada como uma amea\u00e7a pol\u00edtica.<\/p>\n<h2>\u201cEstrat\u00e9gia da branquitude\u201d<\/h2>\n<p>Para quem domina hoje o debate identit\u00e1rio, o conceito de parditude n\u00e3o \u00e9 visto como algo neutro ou acad\u00eamico. Pelo contr\u00e1rio: o movimento negro organizado o considera uma \u201cestrat\u00e9gia da branquitude\u201d para fragmentar sua categoria e enfraquecer as pol\u00edticas afirmativas e de repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem s\u00f3 do segmento <em>woke<\/em>. A \u201cguerra\u201d contra os pardos virou uma bandeira at\u00e9 de gente da esquerda marxista mais tradicional.<\/p>\n<p>Para muitos comunistas da linha \u201craiz\u201d, a parditude \u00e9 mais um reflexo do mundo neoliberal \u2014 pois \u00e9 centrada no corpo, prioriza a experi\u00eancia individual e desloca o foco da luta de classes. Traduzindo: divide a classe trabalhadora em vez de uni-la contra o capitalismo.<\/p>\n<p>Esse roteiro previs\u00edvel ainda inclui associar o trabalho da Beatriz Bueno \u00e0s pautas do Movimento Pardo-Mesti\u00e7o Brasileiro, um grupo que apoiou Jair Bolsonaro nas elei\u00e7\u00f5es e brigou no STF contra as cotas raciais.<\/p>\n<p>Essa aproxima\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica foi o suficiente para carimbarem o debate como uma \u201cporta de entrada para a direita\u201d \u2014 ainda que a pesquisadora se defina como de esquerda e social-democrata.<\/p>\n<h2>Resposta em bloco<\/h2>\n<p>Quando Beatriz come\u00e7ou a se destacar nas redes sociais, h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, a resposta dos cr\u00edticos veio em bloco, na forma de uma avalanche de artigos publicados em sites progressistas.<\/p>\n<p>Os t\u00edtulos j\u00e1 davam o tom da abordagem. \u201cPor que retrocedemos \u00e0 parditude?\u201d (<em>Revista Cult<\/em>), \u201cParditude: o velho projeto do Brasil mesti\u00e7o como retrocesso pol\u00edtico\u201d (<em>Opini\u00e3o Socialista<\/em>), \u201cParditude, uma contradi\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Casa Marx<\/em>).<\/p>\n<p>Outras chamadas na mesma linha: \u201cParditude: uma nova moeda do capital racial?\u201d (<em>Le Monde Diplomatique Brasil<\/em>), \u201cNo\u00e7\u00e3o de parditude \u00e9 equivocada e representa regress\u00e3o no debate racial do pa\u00eds\u201d <em>(Instituto B\u00fazios<\/em>), \u201cParditude \u00e9 uma inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o a consequ\u00eancia autom\u00e1tica da diferen\u00e7a\u201d (<em>Alma Preta<\/em>).<\/p>\n<h2>Mano Brown e Camila Pitanga<\/h2>\n<p>A tens\u00e3o aumentou em agosto do ano passado, quando Beatriz questionou em suas redes a identidade racial de Camila Pitanga, ap\u00f3s a atriz se declarar negra no podcast do rapper Mano Brown. Ela \u00e9 filha do ator Antonio Pitanga, negro, e da bailarina Vera Manh\u00e3es, cuja fam\u00edlia \u201c\u00e9 muito misturada\u201d, nas palavras da pr\u00f3pria artista.<\/p>\n<p>O argumento da pesquisadora era simples: pessoas comuns com apar\u00eancia similar \u00e0 da artista costumam ser barradas em bancas de heteroidentifica\u00e7\u00e3o, enquanto celebridades acabam escapando desse filtro.<\/p>\n<p>Para piorar, no calor da pol\u00eamica, Beatriz compartilhou no X uma especula\u00e7\u00e3o infundada sobre a paternidade de Camila \u2014 um passo em falso, baseado em um boato antigo de bastidor. Segundo essa fofoca, a atriz poderia ser filha de um ex-marido franc\u00eas de sua m\u00e3e, e n\u00e3o de Ant\u00f4nio Pitanga.<\/p>\n<p>A acad\u00eamica apagou o post duas horas depois e pediu desculpas para a atriz. Mas j\u00e1 era tarde demais.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio passou a ser usado como uma prova definitiva de que a ideia de parditude \u00e9 uma arma contra as pessoas negras. Os ataques se tornaram pessoais e implac\u00e1veis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/01\/23183404\/beatriz-bueno.jpg.webp\" \/><i>Beatriz Bueno: pesquisadora acusa a UFF de ceder \u00e0 press\u00e3o de alunos militantes (Foto: Mery Esposi)<\/i><\/p>\n<h2>Racismo e transfobia<\/h2>\n<p>A hostilidade contra Beatriz Bueno, que j\u00e1 vinha se acumulando nas redes sociais, ganhou for\u00e7a na Universidade Federal Fluminense \u2014 onde seus colegas come\u00e7aram a organizar manifesta\u00e7\u00f5es para pedir seu desligamento do programa de mestrado.<\/p>\n<p>Inicialmente acusada de racismo (por supostamente defender o enfraquecimento das pol\u00edticas afirmativas), ela tamb\u00e9m passou a ser rotulada como transf\u00f3bica. A segunda pecha veio de sua liga\u00e7\u00e3o com a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vida-e-cidadania\/associacao-liberdade-expressao-stf-mulheres-afetadas-agenda-lgbt-matria\/\">Associa\u00e7\u00e3o M\u00e1tria<\/a>, grupo que defende direitos para mulheres baseados no sexo biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o, diz Beatriz, tornou-se institucional quando a coordena\u00e7\u00e3o do programa autorizou a fixa\u00e7\u00e3o de manifestos contra ela nas paredes da universidade. Ainda segundo a pesquisadora, a UFF chegou a permitir que a turma inteira se retirasse da sala durante um semin\u00e1rio apresentado por ela, deixando-a sozinha.<\/p>\n<p>Procurada pela reportagem, a assessoria da universidade se limitou a enviar um link para uma nota oficial divulgada em seu site.<\/p>\n<p>De acordo com o texto, a decis\u00e3o de afast\u00e1-la \u201cteve como fundamento o descumprimento de pressupostos previstos no regimento do programa, especialmente no que se refere \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o nas atividades e disciplinas obrigat\u00f3rias do curso, n\u00e3o havendo qualquer rela\u00e7\u00e3o entre o desligamento e o tema de pesquisa desenvolvido pela ex-aluna\u201d.<\/p>\n<h2>Palestra com drag queen<\/h2>\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, Beatriz Bueno reafirmou que sua sa\u00edda da UFF n\u00e3o foi motivada por problemas acad\u00eamicos, e sim pela persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica ligada \u00e0 sua pesquisa e \u00e0s suas opini\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a universidade recorreu de forma irregular ao \u201cjubilamento\u201d, embora ela estivesse no programa h\u00e1 menos de um ano e ainda dentro de todos os prazos regimentais.<\/p>\n<p>Beatriz tamb\u00e9m diz que o curso virou um \u201ctribunal interno\u201d, onde a dire\u00e7\u00e3o agia de forma conivente com a press\u00e3o dos alunos militantes. \u201cA coordena\u00e7\u00e3o veio solicitar que eu pedisse desculpas pela minha associa\u00e7\u00e3o com a M\u00e1tria. Mas eu n\u00e3o me desculpei, n\u00e3o me desassociei e continuei falando.\u201d<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a pesquisadora, a UFF alegou faltas em atividades que ela classifica como eventos de doutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica organizados para confrontar suas ideias.<\/p>\n<p>\u201cEles fizeram, por exemplo, uma palestra com um homem que se veste de mulher, Rita von Hunty, e queriam me obrigar a ir\u201d, afirma, referindo-se ao personagem do ator e drag queen Guilherme Terreri, conhecido no YouTube por difundir discursos marxistas.<\/p>\n<p>E, apesar de afirmar ter reunido provas documentais de ass\u00e9dio e de falhas no processo (hoje analisadas com a ajuda de uma advogada), Beatriz garante n\u00e3o pretender recorrer para retornar \u00e0 universidade. \u201cN\u00e3o volto para aquele hosp\u00edcio\u201d, diz.<\/p>\n<h2>De negra para parda<\/h2>\n<p>Beatriz Bueno cresceu em uma fam\u00edlia multirracial, e conta que seus conflitos de identidade come\u00e7aram dentro de sua pr\u00f3pria casa. Antes da vida acad\u00eamica, a pesquisadora trabalhou como operadora de caixa e chegou a se identificar como negra, influenciada pelo ativismo em alta no pa\u00eds a partir das manifesta\u00e7\u00f5es de 2013.<\/p>\n<p>Com o tempo, e o avan\u00e7o nos estudos, ela percebeu que essa identidade era uma \u201csimula\u00e7\u00e3o\u201d desconfort\u00e1vel. Assumiu-se como parada e, mais recentemente, converteu-se ao cristianismo (ela frequenta a Igreja Batista).<\/p>\n<p>O foco de seu trabalho, diz Beatriz, vai al\u00e9m da reflex\u00e3o acad\u00eamica: \u00e9 dar o devido reconhecimento a quem se sente perdido no chamado \u201climbo racial\u201d. \u201cO objetivo, no fundo, \u00e9 acolher as pessoas. Elas veem os meus v\u00eddeos e comentam: \u2018Nossa, eu n\u00e3o estou louca! N\u00e3o estou sozinha. Achei que era s\u00f3 eu que sentia isso\u2019\u201d, afirma.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Universidades p\u00fablicas brasileiras raramente expulsam alunos. 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