{"id":135751,"date":"2026-01-20T07:01:00","date_gmt":"2026-01-20T11:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=135751"},"modified":"2026-01-20T07:01:00","modified_gmt":"2026-01-20T11:01:00","slug":"inteligencia-afetiva-um-bom-ponto-de-partida-para-a-escola-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=135751","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia Afetiva: um bom ponto de partida para a escola de 2026"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>\u00c9 fato! A IA tem transformado profiss\u00f5es, redesenhado postos de trabalho e redefinido compet\u00eancias exigidas no mundo contempor\u00e2neo. Diante disso, escolas t\u00eam investido fortemente em laborat\u00f3rios, tecnologia, gamifica\u00e7\u00e3o, metodologias ativas e uso de IA em suas pr\u00e1ticas. Isso, sem falar no ganho real de efici\u00eancia, que permite ao educador dedicar mais energia ao que nenhuma tecnologia substitui: a rela\u00e7\u00e3o humana em sala de aula.<\/p>\n<p>Esse movimento \u00e9 importante, necess\u00e1rio e irrevers\u00edvel. Ignor\u00e1-lo seria fechar os olhos para o futuro. Mas, diante desse avan\u00e7o, uma pergunta precisa ser feita com honestidade: que tipo de intelig\u00eancia estamos desenvolvendo em nossas escolas? O mundo do trabalho tem mostrado que profissionais s\u00e3o, em geral, contratados por suas compet\u00eancias t\u00e9cnicas, mas desligados por dificuldades socioemocionais \u2013 incapacidade de lidar com frustra\u00e7\u00f5es, conflitos, limites, trabalho em equipe e conviv\u00eancia. N\u00e3o se trata de falta de conhecimento, mas de dificuldade de rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Intelig\u00eancia Afetiva \u00e9 cuidar da base das rela\u00e7\u00f5es humanas. Porque, no fim, nenhuma tecnologia ser\u00e1 suficiente se n\u00e3o formarmos pessoas capazes de conviver, pertencer e cuidar umas das outras<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9 nesse ponto que emerge uma outra IA, menos falada, por\u00e9m absolutamente decisiva: a Intelig\u00eancia Afetiva. Intelig\u00eancia afetiva \u00e9 a capacidade de reconhecer, compreender e regular os afetos que atravessam as rela\u00e7\u00f5es humanas. N\u00e3o por acaso, diversos autores da educa\u00e7\u00e3o afirmam que a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a base da aprendizagem, assim como \u00e9 a base da cria\u00e7\u00e3o dos filhos. A afetividade precede e sustenta a intelig\u00eancia; a aprendizagem acontece na intera\u00e7\u00e3o humana; o afeto potencializa o aprender, enquanto o medo o bloqueia. Enfim, aprender exige seguran\u00e7a emocional.<\/p>\n<p>Esse debate n\u00e3o se restringe \u00e0 escola, mas alcan\u00e7a diretamente as fam\u00edlias. \u00c9 fundamental compreender que mais importante do que a estrutura familiar \u00e9 a qualidade das rela\u00e7\u00f5es que existem dentro dessa fam\u00edlia. O modelo familiar, por si s\u00f3, n\u00e3o determina o desenvolvimento de uma crian\u00e7a. Em pa\u00edses como o Reino Unido, por exemplo, mais de um quarto das crian\u00e7as cresce em lares monoparentais \u2013 e isso, isoladamente, n\u00e3o define sucesso ou fracasso. O que realmente importa \u00e9 como essas pessoas se relacionam entre si.<\/p>\n<p>Voc\u00ea e aqueles que vivem com voc\u00ea constituem o principal ambiente emocional no qual seus filhos est\u00e3o inseridos. A forma como eles ir\u00e3o se perceber, se relacionar com os outros e enfrentar o mundo se baseia, em grande parte, na qualidade dessas rela\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas. Crian\u00e7as que vivem em ambientes marcados por inseguran\u00e7a, medo ou aus\u00eancia de pertencimento dificilmente se sentem livres para desenvolver curiosidade, autonomia e aprendizagem. Seguran\u00e7a emocional vem antes do aprender. O mesmo vale para a escola: ningu\u00e9m aprende onde n\u00e3o se sente parte.<\/p>\n<p>Por isso, se a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a base da aprendizagem, a escola tamb\u00e9m precisa olhar com mais seriedade para a forma\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. N\u00e3o apenas por meio de palestras pontuais, mas com processos formativos cont\u00ednuos, aulas, encontros e espa\u00e7os reais de escuta e engajamento com os filhos. Iniciativas como Escolas de Pais deixam de ser complementares e passam a ser estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Mas, um cuidado: intelig\u00eancia afetiva n\u00e3o \u00e9 permissividade. N\u00e3o \u00e9 evitar conflitos, eliminar frustra\u00e7\u00f5es, abolir regras ou abrir m\u00e3o de consequ\u00eancias. Intelig\u00eancia afetiva n\u00e3o cria um mundo perfeito, sem dor ou limites. Ela qualifica a forma como lidamos com regras, frustra\u00e7\u00f5es e conviv\u00eancia, formando pessoas emocionalmente seguras e socialmente respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Intelig\u00eancia Afetiva \u00e9 cuidar da base das rela\u00e7\u00f5es humanas. Porque, no fim, nenhuma tecnologia ser\u00e1 suficiente se n\u00e3o formarmos pessoas capazes de conviver, pertencer e cuidar umas das outras. Afetos importam. E, talvez, esse seja um excelente ponto de partida para a escola de 2026.<\/p>\n<p><em><strong>Haroldo Andriguetto Junior <\/strong>\u00e9 doutor em Educa\u00e7\u00e3o, diretor da Escola O Pequeno Polegar e presidente do Sinepe-PR.<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 fato! A IA tem transformado profiss\u00f5es, redesenhado postos de trabalho e redefinido compet\u00eancias exigidas no mundo contempor\u00e2neo. 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