{"id":133179,"date":"2026-01-17T19:05:52","date_gmt":"2026-01-17T23:05:52","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=133179"},"modified":"2026-01-17T19:05:52","modified_gmt":"2026-01-17T23:05:52","slug":"terras-raras-e-ia-brasil-patina-em-seus-problemas-e-desperdica-chance-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=133179","title":{"rendered":"Terras raras e IA: Brasil patina em seus problemas e desperdi\u00e7a chance hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Brasil nunca esteve t\u00e3o bem-posicionado no tabuleiro da geopol\u00edtica global. Mas tamb\u00e9m nunca desperdi\u00e7ou tanto uma oportunidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Enquanto a disputa entre Estados Unidos e China redefine as cadeias globais de suprimento, o pa\u00eds det\u00e9m a segunda maior reserva mundial de terras raras \u2014 atr\u00e1s apenas da China \u2014, minerais essenciais para semicondutores, turbinas e\u00f3licas e sistemas de defesa. Tem uma das matrizes energ\u00e9ticas mais limpas do planeta, ativo estrat\u00e9gico na era da intelig\u00eancia artificial (IA), que demanda energia massiva para data centers. E desfruta de posi\u00e7\u00e3o neutra na disputa entre as duas superpot\u00eancias que redesenham a ordem mundial.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil, ao se descolar desse mundo geopoliticamente confuso, tende a ter um cen\u00e1rio favor\u00e1vel para atra\u00e7\u00e3o de investimento direto, j\u00e1 que possui ativos importantes e alguma estabilidade pol\u00edtica&#8221;, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Mas enquanto a fragmenta\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica e o boom tecnol\u00f3gico abrem janelas raras de desenvolvimento, o Brasil patina em disfun\u00e7\u00f5es conhecidas: juros estratosf\u00e9ricos, d\u00edvida p\u00fablica crescente, inseguran\u00e7a jur\u00eddica e aus\u00eancia de uma pol\u00edtica industrial coordenada. O resultado \u00e9 previs\u00edvel: o pa\u00eds exporta mat\u00e9ria-prima bruta enquanto outros capturam os lucros da industrializa\u00e7\u00e3o \u2014 repetindo um erro que remonta aos tempos coloniais.<\/p>\n<p>Para impulsionar a economia brasileira, que tem um &#8220;crescimento med\u00edocre h\u00e1 d\u00e9cadas&#8221;, s\u00e3o urgentes reformas estruturais que permitam investir naquilo que aumenta a produtividade do pa\u00eds, destaca Thiago Sbardelotto, economista da XP Investimentos.<\/p>\n<p>&#8220;O principal desafio para o Brasil \u00e9 deixar de ser um pa\u00eds de excepcional dota\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica \u2014 apenas ter a riqueza \u2014 para se tornar um pa\u00eds com voca\u00e7\u00e3o mineral \u2014 usar a riqueza para desenvolvimento nacional. Isso requer pol\u00edtica de Estado&#8221;, alerta o Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o (Ibram).<\/p>\n<p>A janela de oportunidade \u00e9 estreita. Austr\u00e1lia, Chile e Vietn\u00e3 j\u00e1 est\u00e3o avan\u00e7ando em cadeias alternativas \u00e0 China. E o tempo est\u00e1 se esgotando.<\/p>\n<h2>A hegemonia da China em terras raras e o risco Taiwan<\/h2>\n<p>Thomas Wu, economista-chefe do Ita\u00fa Asset Management, resume em uma frase o dilema geopol\u00edtico que coloca o Brasil no centro do tabuleiro global: &#8220;Para se armar e conter a China, os Estados Unidos dependem da importa\u00e7\u00e3o de terras raras fornecidas, majoritariamente, pela pr\u00f3pria China&#8221;.<\/p>\n<p>O paradoxo \u00e9 ainda mais complexo quando se adiciona Taiwan \u00e0 equa\u00e7\u00e3o. A ilha \u00e9 o maior produtor mundial dos semicondutores mais potentes e refinados, componentes essenciais para a revolu\u00e7\u00e3o da Intelig\u00eancia Artificial.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a chinesa tem adotado ret\u00f3rica cada vez mais agressiva sobre Taiwan, indicando que a hip\u00f3tese de usar a for\u00e7a &#8220;absolutamente n\u00e3o est\u00e1 descartada&#8221; para o &#8220;retorno&#8221; da ilha. As ambi\u00e7\u00f5es de Pequim se apoiam tamb\u00e9m no controle chin\u00eas sobre minerais cr\u00edticos e terras raras, base para a produ\u00e7\u00e3o desses semicondutores.<\/p>\n<p>&#8220;Um problema maior l\u00e1 tamb\u00e9m tem repercuss\u00f5es globais bem importantes&#8221;, alerta Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia da Tend\u00eancias Consultoria.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos t\u00eam buscado reduzir a depend\u00eancia de cadeias de suprimentos transfronteiri\u00e7as de semicondutores, pressionando empresas a expandir a produ\u00e7\u00e3o em solo americano. Uma a\u00e7\u00e3o chinesa que comprometesse o fornecimento de Taiwan intensificaria a verticaliza\u00e7\u00e3o das cadeias de produ\u00e7\u00e3o em blocos regionais, resultando em um mundo menos globalizado e mais caro.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto de duplo estrangulamento \u2014 chips de Taiwan e terras raras da China \u2014 que o Brasil se torna pe\u00e7a estrat\u00e9gica. As terras raras s\u00e3o um grupo de 17 elementos qu\u00edmicos essenciais para turbinas e\u00f3licas, ve\u00edculos el\u00e9tricos, semicondutores e m\u00edsseis guiados.<\/p>\n<p>Empresas chinesas dominam cerca de 60% da extra\u00e7\u00e3o global e quase 90% do refino. A China j\u00e1 imp\u00f4s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de minerais essenciais aos Estados Unidos. Elementos pesados, cruciais para a ind\u00fastria de defesa, permanecem sob forte controle chin\u00eas.<\/p>\n<p>Esse dom\u00ednio n\u00e3o foi acidental. Foi resultado de estrat\u00e9gias nacionais de longo prazo, como o <em>Made in China 2025<\/em> e o 14.\u00ba Plano Quinquenal (2021-2025). Segundo especialistas que acompanham o pa\u00eds asi\u00e1tico e o setor mineral, a China progrediu no processamento desses materiais ao criar um ecossistema que integra academia, universidades e institui\u00e7\u00f5es governamentais, todos voltados para desenvolver tecnologias e formar engenheiros e cientistas para o setor.<\/p>\n<p>O analista pol\u00edtico Felipe Seligman, cofundador do Jota, sinalizou em live do Ita\u00fa Asset Management a mudan\u00e7a na ret\u00f3rica da China: o pa\u00eds utiliza a domina\u00e7\u00e3o da cadeia de terras raras como um gargalo em rela\u00e7\u00e3o aos seus advers\u00e1rios. O monop\u00f3lio permite a Pequim usar os minerais como instrumento de press\u00e3o geoecon\u00f4mica \u2014 e a demanda s\u00f3 tende a crescer.<\/p>\n<p>Segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE), a procura global por terras raras deve crescer sete vezes at\u00e9 2040, impulsionada pela transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e pela corrida tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<h2>O diferencial geol\u00f3gico brasileiro com as terras raras<\/h2>\n<p>Dono da segunda maior reserva global desses minerais, o Brasil possui, mais importante, os melhores dep\u00f3sitos para explora\u00e7\u00e3o. As reservas brasileiras em argilas i\u00f4nicas, especialmente em Po\u00e7os de Caldas (MG), oferecem vantagens decisivas sobre as reservas em rocha dura, mais comuns em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A viabilidade econ\u00f4mica \u00e9 superior: o processo de extra\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais simples, exige menos reagentes qu\u00edmicos e reduz custos operacionais. A sustentabilidade ambiental tamb\u00e9m \u00e9 diferencial. Jos\u00e9 Marques Braga J\u00fanior, diretor executivo da mineradora Viridis, destaca que &#8220;o projeto Colossus da empresa, em Minas Gerais, n\u00e3o tem barragem nem pilhas definitivas de rejeito, representando avan\u00e7o tecnol\u00f3gico significativo&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a vantagem geol\u00f3gica n\u00e3o se traduz em desenvolvimento. O Brasil ainda n\u00e3o possui plantas industriais para separa\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos elementos de terras raras. Sem processamento local, exporta apenas compostos mistos, de baixo valor agregado.<\/p>\n<p>Enquanto o concentrado misto vale US$ 10 por quilo, os \u00f3xidos separados alcan\u00e7am de US$ 50 a US$ 200 por quilo \u2014 at\u00e9 20 vezes mais. \u00cdm\u00e3s permanentes de alta performance, produto final da cadeia, podem valer milhares de d\u00f3lares por quilo.<\/p>\n<p>A tecnologia de separa\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal gargalo brasileiro. O processo \u00e9 complexo, exige expertise qu\u00edmica avan\u00e7ada e investimentos significativos \u2014 exatamente o que a China desenvolveu ao longo de d\u00e9cadas de investimento coordenado entre governo, universidades e ind\u00fastria.<\/p>\n<p>&#8220;Sem uma pol\u00edtica industrial coordenada que agregue valor localmente, o pa\u00eds corre o risco de repetir o erro colonial de exportar riqueza bruta enquanto outros capturam os lucros da industrializa\u00e7\u00e3o&#8221;, alerta Alexandre Uehara, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da ESPM.<\/p>\n<h2>Energia limpa: o ativo ignorado na era da IA<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do dom\u00ednio mineral, o Brasil possui outro ativo estrat\u00e9gico para a nova economia: energia limpa em abund\u00e2ncia, no momento exato em que o mundo mais precisa dela.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial est\u00e1 gerando um boom de investimentos em infraestrutura sem precedentes desde os anos 1990. Grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos triplicaram seus gastos de capital entre 2023 e 2026, com a IA contribuindo significativamente para o crescimento do PIB americano. Mas esse crescimento exponencial tem um custo: a demanda massiva por energia e \u00e1gua para resfriamento de data centers.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o imediata, mas energias renov\u00e1veis \u2014 e\u00f3lica e solar \u2014 ganham espa\u00e7o rapidamente. \u00c9 aqui que o Brasil deveria estar em primeiro plano. O pa\u00eds possui vastas fontes de energia limpa: hidrel\u00e9trica e e\u00f3lica em abund\u00e2ncia. Tem potencial para atrair investimentos para a constru\u00e7\u00e3o de data centers, capturando parte dessa revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Contudo, a oportunidade n\u00e3o est\u00e1 sendo aproveitada. A falta de um plano industrial claro, combinada com instabilidade fiscal e juros elevados, afasta investidores estrangeiros que buscam seguran\u00e7a e previsibilidade.<\/p>\n<p>Luciano Telo, diretor de investimentos do UBS no Brasil, \u00e9 direto: &#8220;Para que o Brasil se beneficie da transforma\u00e7\u00e3o da IA e de seu potencial geopol\u00edtico, \u00e9 necess\u00e1rio destravar investimentos, oferecendo condi\u00e7\u00f5es amig\u00e1veis e um plano de desenvolvimento. As medidas necess\u00e1rias envolvem a garantia de credibilidade fiscal e a redu\u00e7\u00e3o de juros&#8221;.<\/p>\n<p>A IA est\u00e1 criando uma &#8220;economia de duas velocidades&#8221;: setores ligados \u00e0 tecnologia avan\u00e7am de forma din\u00e2mica, enquanto o restante da economia se move mais lentamente.<\/p>\n<p>Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Wealth Management, alerta que, com a desacelera\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo (investimentos em m\u00e1quinas, equipamentos e infraestrutura), o pa\u00eds corre o risco de ficar confinado na velocidade lenta da economia, comprometendo o crescimento potencial de longo prazo.<\/p>\n<p>O professor Maur\u00edcio Takahashi, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, refor\u00e7a que para gerar crescimento sustent\u00e1vel e inclusivo, o Brasil precisa enfrentar a rigidez e a inefici\u00eancia da m\u00e1quina p\u00fablica e priorizar o investimento em capital humano, como a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os especialistas apontam que a demanda por energia para IA continuar\u00e1 crescendo exponencialmente. Mas sem um choque de credibilidade fiscal e um plano de desenvolvimento claro, o Brasil ver\u00e1 essa chance se fechar enquanto outros pa\u00edses \u2014 com matriz energ\u00e9tica menos limpa, mas com institui\u00e7\u00f5es mais confi\u00e1veis \u2014 capturam os investimentos que poderiam transformar a economia brasileira.<\/p>\n<h2>O c\u00edrculo vicioso: d\u00edvida alta, juros e falta de investimento<\/h2>\n<p>O Brasil tem os ativos. Tem a oportunidade. Mas n\u00e3o consegue aproveit\u00e1-la porque faz escolhas pol\u00edticas erradas e o Estado n\u00e3o funciona.<\/p>\n<p>A raiz do problema est\u00e1 no fiscal. A d\u00edvida p\u00fablica brasileira ultrapassa 78% do PIB e segue em trajet\u00f3ria de alta, devendo se aproximar de 84% em 2026, segundo proje\u00e7\u00f5es do UBS.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica \u00e9 impulsionada pela aus\u00eancia de resultados prim\u00e1rios consistentes \u2014 ou seja, o governo gasta mais do que arrecada, mesmo descontando os juros da d\u00edvida. Em vez de enfrentar o problema pela raiz, reduzindo gastos, o governo busca o ajuste quase exclusivamente pelo aumento de impostos.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um c\u00edrculo vicioso: fiscal fr\u00e1gil exige juros altos para ancorar expectativas de infla\u00e7\u00e3o, que afastam investimento produtivo, que reduzem crescimento, que pioram a arrecada\u00e7\u00e3o, que exigem juros ainda mais altos. A Selic est\u00e1 encerrando o ano em 15%, o maior n\u00edvel em 19 anos.<\/p>\n<p>O professor Hugo Garbe, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, alerta que &#8220;o prolongamento de juros t\u00e3o altos gera custos, como a retra\u00e7\u00e3o do investimento produtivo, o aumento da inadimpl\u00eancia das PMEs e o risco de uma desacelera\u00e7\u00e3o excessiva&#8221;.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica fiscal, especialmente em ano eleitoral, agrava o problema. O governo tem aprovado medidas que d\u00e3o suporte \u00e0 demanda: isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda para faixas de renda at\u00e9 R$ 5 mil, amplia\u00e7\u00e3o de programas sociais e expans\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>A isen\u00e7\u00e3o do IR, embora apresentada como fiscalmente neutra, tem o impacto macroecon\u00f4mico de elevar o gasto agregado. Na pr\u00e1tica, isso exige uma Selic mais alta para conter a infla\u00e7\u00e3o, dificultando o corte de juros.<\/p>\n<p>Sergio Vale, da MB Associados, e Alessandra Ribeiro, da Tend\u00eancias Consultoria, apontam que no ano eleitoral o risco \u00e9 o governo evitar o bloqueio de gastos ou mudar a meta fiscal, o que aumenta a percep\u00e7\u00e3o de risco.<\/p>\n<p>O risco de o Brasil cair em domin\u00e2ncia fiscal \u2014 quando a pol\u00edtica monet\u00e1ria perde efic\u00e1cia para controlar a infla\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 real, especialmente em um cen\u00e1rio de piora fiscal em 2026 e aus\u00eancia de reformas em 2027.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a quest\u00e3o institucional. A incerteza jur\u00eddica \u2014 decis\u00f5es retroativas do Congresso ou do Judici\u00e1rio, limita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios acumulados \u2014 gera inseguran\u00e7a para o planejamento empresarial e inibe o investimento tanto dom\u00e9stico quanto estrangeiro.<\/p>\n<p>No front externo, o c\u00e2mbio ser\u00e1 o principal vetor de risco para a infla\u00e7\u00e3o em 2026, com um repasse estimado entre 8% e 10% da varia\u00e7\u00e3o cambial para a infla\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica ap\u00f3s quatro trimestres.<\/p>\n<p>O real se mant\u00e9m atrativo devido ao alto diferencial de juros, mas o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes se deteriorou, atingindo 3,6% do PIB ao fim de 2025, e o investimento estrangeiro direto no pa\u00eds deixou de ser suficiente para financi\u00e1-lo. A fragilidade fiscal e a imin\u00eancia eleitoral s\u00e3o fatores que podem aumentar a volatilidade cambial.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o consegue aproveitar suas oportunidades geopol\u00edticas porque n\u00e3o consegue oferecer o que investidores buscam: seguran\u00e7a, previsibilidade e uma m\u00e1quina p\u00fablica eficiente.<\/p>\n<h2>Tr\u00eas frentes para aproveitar a janela geopol\u00edtica<\/h2>\n<p>Para aproveitar seus trunfos geopol\u00edticos \u2014 terras raras, energia limpa, posi\u00e7\u00e3o neutra \u2014 o Brasil precisa agir em tr\u00eas frentes simultaneamente.<\/p>\n<ul>\n<li><span><strong>Estabilizar o fiscal pela conten\u00e7\u00e3o de gastos:<\/strong> A principal trava para o investimento produtivo \u00e9 a falta de um plano fiscal cr\u00edvel. O ajuste deve vir da consolida\u00e7\u00e3o da despesa, n\u00e3o do aumento de impostos. Esse caminho oferece uma chance maior de um ciclo virtuoso com menos infla\u00e7\u00e3o, juros mais baixos e crescimento. A sinaliza\u00e7\u00e3o de um Ministro da Fazenda forte e capacitado, com um plano estrat\u00e9gico focado em consolida\u00e7\u00e3o fiscal pela via da despesa, j\u00e1 seria suficiente para gerar uma melhora significativa nos pre\u00e7os dos ativos e destravar o potencial de investimento.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>Garantir seguran\u00e7a jur\u00eddica:<\/strong> \u00c9 fundamental cessar as decis\u00f5es do Congresso ou do Judici\u00e1rio que alteram leis abruptamente, especialmente com efeitos retroativos. Isso gera inseguran\u00e7a para o planejamento empresarial e afasta investidores que buscam previsibilidade.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>Implementar uma estrat\u00e9gia industrial coordenada:<\/strong> Segundo o Ibram, o desafio \u00e9 deixar de ser apenas um pa\u00eds de excepcional dota\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica para se tornar um pa\u00eds com voca\u00e7\u00e3o mineral \u2014 que usa a riqueza para desenvolvimento nacional. A proposta de criar uma Pol\u00edtica Nacional de Minerais Cr\u00edticos e Estrat\u00e9gicos (PNMCE), em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso (PL 2780\/2024), \u00e9 vista como passo essencial. Mas n\u00e3o basta aprovar a lei. \u00c9 preciso implement\u00e1-la com vis\u00e3o de longo prazo, integrando academia, governo e ind\u00fastria \u2014 exatamente como a China fez com o <em>Made in China 2025<\/em> e seus planos quinquenais.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil nunca esteve t\u00e3o bem-posicionado no tabuleiro da geopol\u00edtica global. Mas tamb\u00e9m nunca desperdi\u00e7ou tanto uma oportunidade hist\u00f3rica. 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