{"id":126373,"date":"2026-01-16T15:29:39","date_gmt":"2026-01-16T19:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=126373"},"modified":"2026-01-16T15:29:39","modified_gmt":"2026-01-16T19:29:39","slug":"o-que-o-sul-do-brasil-ensina-sobre-a-economia-da-longevidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=126373","title":{"rendered":"O que o Sul do Brasil ensina sobre a economia da longevidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A &#8220;economia prateada&#8221; ou de longevidade tem se fortalecido no mercado brasileiro: movimenta trilh\u00f5es de reais por ano e cresce de forma cont\u00ednua. O Brasil envelhece em ritmo acelerado e a longevidade redefine o perfil do consumidor. Especialistas indicam que tal movimento, mais que um desafio, \u00e9 uma oportunidade para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Proje\u00e7\u00f5es do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) mostram a dimens\u00e3o da mudan\u00e7a. Pessoas com mais de 65 anos somam 10% da popula\u00e7\u00e3o. Em 2040, esse grupo tem potencial de chegar a 17,4%. Em 2100, 29,5% do total.<\/p>\n<p>No sentido oposto, o contingente jovem encolhe. Brasileiros com menos de 15 anos representam 21% da popula\u00e7\u00e3o atual. Esse percentual tem proje\u00e7\u00e3o de cair para 16,8% em 2040 e para 13,5% em 2100. Em menos de duas d\u00e9cadas, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/artigos\/mercado-60-por-que-a-longevidade-e-estrategia-de-negocio\/\">um em cada tr\u00eas brasileiros ter\u00e1 60 anos ou mais<\/a>.<\/p>\n<h2>Demandas de pessoas com mais de 60 anos integram a economia da longevidade<\/h2>\n<p>A &#8220;economia prateada&#8221; re\u00fane atividades ligadas \u00e0s demandas da popula\u00e7\u00e3o acima de 60 anos. Inclui sa\u00fade, bem-estar, tecnologia assistida, moradia, turismo, consumo e inclus\u00e3o social. Trata-se de um mercado amplo, sofisticado e em <strong>r\u00e1pida expans\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>No Brasil, esse segmento movimenta cerca de R$ 2 trilh\u00f5es por ano. O dado \u00e9 do Instituto Locomotiva, empresa brasileira de pesquisa e intelig\u00eancia de mercado. No cen\u00e1rio global, chamada de <em>silver economy<\/em>, a &#8220;economia prateada&#8221; supera US$ 15 trilh\u00f5es, segundo a consultoria Oxford Economics.<\/p>\n<p>&#8220;A economia prateada ela n\u00e3o \u00e9 um desafio, ela \u00e9 uma grande oportunidade. Beneficia v\u00e1rios setores, como o de servi\u00e7os, com\u00e9rcio e <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/agropecuaria\/\">agropecu\u00e1ria<\/a> &#8211; porque s\u00e3o os setores que concentram a maior parte dos neg\u00f3cios liderados por pessoas com mais de 60 anos&#8221;, dimensiona a consultora do Sebrae-PR Leticia Monteiro Pimentel. Al\u00e9m disso, \u00e1reas como sa\u00fade, turismo, moradia tamb\u00e9m s\u00e3o beneficiadas pela &#8220;economia prateada&#8221;, porque esse p\u00fablico busca qualidade de vida, autonomia e praticidade.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Sul do Brasil concentra as maiores popula\u00e7\u00f5es de idosos do pa\u00eds<\/h2>\n<p>No Sul do Brasil, o envelhecimento avan\u00e7a com mais intensidade que no resto do pa\u00eds. E \u00e9 o estado do Rio Grande do Sul lidera o <em>ranking<\/em> nacional de popula\u00e7\u00e3o idosa: 20,15% dos ga\u00fachos t\u00eam 60 anos ou mais. S\u00e3o mais de 2 milh\u00f5es de pessoas. Em 2026, esse percentual deve chegar a 21,8%.<\/p>\n<p>Nenhum outro estado brasileiro apresenta propor\u00e7\u00e3o semelhante. Os dados s\u00e3o da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios de 2024 (Pnad Cont\u00ednua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>O Paran\u00e1 segue a mesma trajet\u00f3ria. Proje\u00e7\u00f5es do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (Ipardes) indicam que a popula\u00e7\u00e3o com mais de 60 anos passar\u00e1 de 2,08 milh\u00f5es em 2025 para 3,69 milh\u00f5es em 2050. A participa\u00e7\u00e3o no total da popula\u00e7\u00e3o saltar\u00e1 de 17,56% para 29,81%.<\/p>\n<p>Em 2050, o Paran\u00e1 ter\u00e1 164 mil pessoas com mais de 90 anos. Curitiba concentrar\u00e1 cerca de 36 mil desse total. Santa Catarina tamb\u00e9m acelera nesse processo. O estado soma 1,25 milh\u00e3o de pessoas com 60 anos ou mais.<\/p>\n<p>Esse grupo representa 15,6% da popula\u00e7\u00e3o, segundo a Pnad Cont\u00ednua de 2024. A proje\u00e7\u00e3o aponta que, at\u00e9 2034, os idosos responder\u00e3o por 20% da popula\u00e7\u00e3o catarinense.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Trabalho entre idosos cresce e representa quase 10% da for\u00e7a laboral no Sul<\/h2>\n<p>O envelhecimento n\u00e3o afasta esse p\u00fablico do mercado de trabalho. Dados da S\u00edntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que 24,4% das pessoas com mais de 60 anos estavam ocupadas em 2024. Mesmo ap\u00f3s os 70 anos, a atividade persiste. Nesse grupo, 15,7% dos homens e 5,8% das mulheres permaneciam ocupados.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, o n\u00famero de idosos com trabalho formal ou informal cresceu 63% nos \u00faltimos 12 anos. Em 2024, cerca de 490 mil pessoas com mais de 60 anos trabalhavam no estado. Esse contingente representou 8% da popula\u00e7\u00e3o ocupada.<\/p>\n<p>No estado vizinho de Santa Catarina, 338.800 idosos estavam no mercado de trabalho em 2024. Eles respondiam por 7,7% da for\u00e7a de trabalho estadual. No Rio Grande do Sul, 590 mil pessoas com 60 anos ou mais trabalhavam no mesmo per\u00edodo. O grupo representava 9,83% dos trabalhadores ga\u00fachos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/01\/13095040\/lu.jpg.webp\" \/><i>Com o envelhecimento acelerado do Brasil, sa\u00fade, turismo, moradia e servi\u00e7os passam a liderar a &#8220;economia prateada&#8221;. (Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil)<\/i><\/p>\n<h2>&#8220;Economia prateada&#8221; refor\u00e7a o peso do consumo ap\u00f3s os 60 anos<\/h2>\n<p>O comportamento de consumo tamb\u00e9m mudou. Uma pesquisa do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC) revela que 41% dos idosos gastam mais com produtos de desejo do que com itens b\u00e1sicos. Para 66%, aproveitar a vida ocupa o primeiro lugar nas prioridades.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/turismo\/\">turismo<\/a> aparece como um dos setores mais impactados. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ag\u00eancias de Viagem (Abav), brasileiros com mais de 50 anos viajam, em m\u00e9dia, duas a tr\u00eas vezes por ano.<\/p>\n<p>O Data8, <em>hub<\/em> latino-americano especializado em economia da longevidade, desenvolveu a pesquisa &#8220;Mercado prateado&#8221;. O trabalho inspira-se em um estudo europeu de refer\u00eancia mundial. O objetivo \u00e9 estimar o peso do p\u00fablico com mais de 50 anos no Produto Interno Bruto (PIB), mapear padr\u00f5es de consumo e projetar cen\u00e1rios futuros.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros impressionam. Nos pr\u00f3ximos anos, esse grupo deve movimentar R$ 3,8 trilh\u00f5es no Brasil. Em 2024, o consumo das pessoas com mais de 50 anos somou R$ 1,8 trilh\u00e3o. Esse valor representou 24% do consumo privado total dos domic\u00edlios brasileiros.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, o peso econ\u00f4mico desse grupo j\u00e1 se imp\u00f5e. &#8220;Um dado que ajuda a entender isso \u00e9 que cerca de 13% dos empreendedores do estado possuem mais de 60 anos. S\u00e3o <strong>mais de 200 mil neg\u00f3cios liderados por pessoas dessa faixa et\u00e1ria<\/strong>, ou seja, n\u00e3o estamos falando de um grupo dependente, n\u00f3s estamos falando de pessoas que trabalham empreendem consomem e movimentam a economia paranaense&#8221;, afirma a consultora do Sebrae-PR.<\/p>\n<h3>Consumo da popula\u00e7\u00e3o com mais de 60 anos varia por classe social e redefine prioridades de gastos<\/h3>\n<p>O estudo do <em>Data8<\/em> detalha a cesta de consumo por classe social.<\/p>\n<ul>\n<li><span>Na <strong>classe A<\/strong>, transporte lidera os gastos, com 25%. Alimenta\u00e7\u00e3o e habita\u00e7\u00e3o aparecem com 20% cada. Sa\u00fade responde por 16%.<\/span><\/li>\n<li><span>Na <strong>classe B<\/strong>, habita\u00e7\u00e3o concentra 24% do consumo. Alimenta\u00e7\u00e3o soma 22%. Transporte chega a 20%.<\/span><\/li>\n<li><span>Na <strong>classe C<\/strong>, habita\u00e7\u00e3o assume peso ainda maior, com 30%. Alimenta\u00e7\u00e3o atinge 26%. Sa\u00fade representa 15%.<\/span><\/li>\n<li><span>Na <strong>classe D<\/strong>, habita\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a 34% dos gastos. Alimenta\u00e7\u00e3o responde por 28%. Sa\u00fade soma 12%.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>A economista-chefe do Sistema Fecom\u00e9rcio-RS, Patr\u00edcia Palermo, avalia que as iniciativas p\u00fablicas e privadas ainda s\u00e3o t\u00edmidas, diante do acelerado envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. \u201cAs estat\u00edsticas mostram a revolu\u00e7\u00e3o que estamos vivendo em termos demogr\u00e1ficos. N\u00e3o vejo, de forma estruturada, uma transforma\u00e7\u00e3o nas pol\u00edticas p\u00fablicas, nem na forma como o setor privado lida com essa r\u00e1pida mudan\u00e7a da nossa composi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica&#8221;, afirma a economista.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia Palermo aponta que o Brasil deve passar por um processo de mudan\u00e7a no mercado de trabalho nos pr\u00f3ximos anos. &#8220;Ainda que haja iniciativas, p\u00fablicas e privadas, voltadas \u00e0 mudan\u00e7a do perfil demogr\u00e1fico, elas s\u00e3o nichadas e pontuais. A l\u00f3gica das empresas, no que diz respeito ao mercado de consumo ou ao mercado de trabalho, ainda \u00e9 focada no padr\u00e3o hist\u00f3rico em que \u00e9ramos uma sociedade jovem\u201d, completa a chefe da Fecom\u00e9rcio-RS.<\/p>\n<h2>Turismo social e eventos impulsionam a economia da longevidade no Sul do Brasil<\/h2>\n<p>Com vis\u00e3o mais otimista, a analista de turismo do Departamento Regional do Sesc-SC Anna Luiza Pillar Correa acredita que o turismo social ilustra como o mercado da &#8220;economia prateada&#8221; se organiza na pr\u00e1tica. No Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio (Sesc), o p\u00fablico idoso domina os roteiros.<\/p>\n<p>&#8220;Esse p\u00fablico vem muito forte, eles gostam da ideia de viajar em grupo para poder compartilhar um pouco mais de experi\u00eancias, trocar ideia&#8221;, afirma a analista. No Rio Grande do Sul, a economia da longevidade ganhou um palco pr\u00f3prio. A &#8220;Geronto Fair&#8221;, realizada anualmente em Gramado, tornou-se refer\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>O evento re\u00fane iniciativas de neg\u00f3cios, pol\u00edticas p\u00fablicas e inova\u00e7\u00e3o. Um dos exemplos \u00e9 a cooperativa \u201cOlhares de Hamburgo\u201d, de Novo Hamburgo. Mulheres acima de 60 anos transformaram encontros em torno do chimarr\u00e3o em um neg\u00f3cio de bolsas e acess\u00f3rios de couro reaproveitado.<\/p>\n<p>A diretora da <em>Merkator Feiras e Eventos<\/em>, Roberta Pletsch, destaca a proposta do evento.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o falamos s\u00f3 de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m de moda, turismo, lazer, bem-estar, consumo e pol\u00edticas p\u00fablicas. Queremos provocar um olhar mais amplo sobre o envelhecimento ativo e produtivo\u201d, diz a diretora.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, pol\u00edticas p\u00fablicas refor\u00e7am esse movimento. As secretaria estaduais do Turismo e da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa desenvolvem um projeto que amplia o acesso da popula\u00e7\u00e3o com mais de 60 anos ao turismo estadual, com a proposta de desenvolver bem-estar social, cultural, psicol\u00f3gico e f\u00edsico por meio de viagens subsidiadas.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A &#8220;economia prateada&#8221; ou de longevidade tem se fortalecido no mercado brasileiro: movimenta trilh\u00f5es de reais por ano e cresce&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":121544,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-126373","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/126373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=126373"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/126373\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/121544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=126373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=126373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=126373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}