{"id":111513,"date":"2026-01-12T20:33:28","date_gmt":"2026-01-13T00:33:28","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=111513"},"modified":"2026-01-12T20:33:28","modified_gmt":"2026-01-13T00:33:28","slug":"tudo-dominado-ate-61-milhoes-de-brasileiros-vivem-sob-o-dominio-do-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=111513","title":{"rendered":"Tudo dominado: at\u00e9 61 milh\u00f5es de brasileiros vivem sob o dom\u00ednio do crime\u00a0"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Amplas extens\u00f5es do territ\u00f3rio nacional, principalmente nas grandes cidades, dominadas por grupos criminosos armados. Cenas de guerra em confrontos entre bandidos e pol\u00edcia. Execu\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de autoridades e criminosos em p\u00fablico e \u00e0 luz do dia. Infiltra\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica e na economia formal, com lavagem de bilh\u00f5es de d\u00f3lares no mercado financeiro do pa\u00eds. Autoridades zonzas e nenhuma luz no final do t\u00fanel. Afinal, o Brasil j\u00e1 pode ser considerado um narcoestado?\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto especialistas debatem o assunto e as autoridades batem cabe\u00e7a em busca de solu\u00e7\u00f5es, independentemente do nome que se d\u00ea ao problema, <strong>o crime organizado avan\u00e7a pa\u00eds afora<\/strong>. Pesquisas recentes mostram a extens\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o do brasileiro sobre o problema, e mostram que, se n\u00e3o agir r\u00e1pido para uma curva de revers\u00e3o, em pouco tempo talvez esse caminho n\u00e3o tenha mais volta.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo \u201cGovernan\u00e7a criminal na Am\u00e9rica Latina: preval\u00eancia e correla\u00e7\u00f5es\u201d, realizada na universidade brit\u00e2nica de Cambridge e publicada em agosto de 2025 na revista de ci\u00eancia pol\u00edtica\u00a0<em>Perspectives on Politics<\/em>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/brasil\/brasil-maior-indice-populacao-sob-jugo-do-crime-organizado-america-latina\/\">uma popula\u00e7\u00e3o entre 50,6 milh\u00f5es a 61,6 milh\u00f5es<\/a>\u00a0de pessoas no Brasil vive em locais que possuem regras diferentes das vigentes para os demais cidad\u00e3os. S\u00e3o territ\u00f3rios onde prevalece tamb\u00e9m (ou apenas) o que mandam as fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>Trata-se de algo entre 25% e 30% da popula\u00e7\u00e3o nacional, de acordo com o \u00faltimo Censo do IBGE. Outro levantamento recente sobre o problema, conduzido pelo instituto de pesquisas Datafolha e divulgado em outubro do ano passado, traz um n\u00famero um pouco menos catastr\u00f3fico, mas n\u00e3o por isso menos alarmante: ao menos 28 milh\u00f5es de brasileiros vivem em territ\u00f3rios sob jugo de fac\u00e7\u00f5es criminosas ou mil\u00edcias no pa\u00eds. O crescimento foi de cinco pontos percentuais em um ano.<\/p>\n<h2>Presen\u00e7a de fac\u00e7\u00f5es ou mil\u00edcias aumenta<\/h2>\n<p>Fac\u00e7\u00f5es criminosas e mil\u00edcias aumentaram sua presen\u00e7a e alcan\u00e7aram a vizinhan\u00e7a de nada menos que 19% da popula\u00e7\u00e3o, aponta a pesquisa encomendada pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Um total de 2.007 pessoas com 16 anos ou mais foram entrevistadas em 130 munic\u00edpios de todo o Brasil. A margem de erro \u00e9 de dois pontos percentuais para mais ou para menos.<\/p>\n<p>O question\u00e1rio cobriu quest\u00f5es como percep\u00e7\u00e3o sobre o crime organizado, roubos, agress\u00f5es e golpes financeiros praticados em plataformas digitais.\u00a0A presen\u00e7a de fac\u00e7\u00f5es criminosas e mil\u00edcias foi relatada com mais frequ\u00eancia em grandes cidades (com mais de 500 mil habitantes), nas capitais e na regi\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>Ricos e pobres relataram a presen\u00e7a do crime organizado em suas vizinhan\u00e7as com frequ\u00eancia similar. Quem afirma ter sofrido com a presen\u00e7a do crime organizado no local onde mora tamb\u00e9m relata, com maior frequ\u00eancia, ter conhecimento sobre <strong>cemit\u00e9rios clandestinos<\/strong> nas cidades onde mora. E tamb\u00e9m afirma encontrar grandes grupos de usu\u00e1rios de drogas, ou cracol\u00e2ndias, nos trajetos di\u00e1ria at\u00e9 o trabalho ou a escola.<\/p>\n<p>Para o F\u00f3rum de Seguran\u00e7a P\u00fablica, os dados indicam a necessidade de melhorar a coordena\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a e criar pol\u00edticas duradouras de combate ao crime organizado. Os dados evidenciam tamb\u00e9m que est\u00e1 em curso um fen\u00f4meno de crescimento e amplia\u00e7\u00e3o do poder de captura das fac\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao <strong>controle de territ\u00f3rio e mercados<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Viol\u00eancia \u00e9 a maior preocupa\u00e7\u00e3o\u00a0dos brasileiros<\/h2>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de que a criminalidade organizada tomou conta de parte relevante do cotidiano nas cidades brasileiras, mostrada pelo Datafolha e pelos pesquisadores de Cambridge, \u00e9 confirmada por diversos outros levantamentos. Confirmando a s\u00e9rie hist\u00f3rica dos \u00faltimos dois anos, pesquisa Quaest divulgada em novembro revela que justamente a viol\u00eancia continua sendo a maior preocupa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os do pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com a Quaest, para\u00a038% a viol\u00eancia \u00e9 a maior preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil atual.\u00a0O \u00edndice \u00e9 o mais alto desde\u00a0outubro de 2024.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00faltima rodada do levantamento, publicada em outubro, houve um aumento de oito pontos percentuais neste n\u00famero. Foram ouvidas\u00a02.004 pessoas\u00a0em\u00a0120 munic\u00edpios\u00a0entre os dias\u00a06 e 9 de novembro \u2014 depois da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/brasil\/por-que-o-crime-organizado-mantem-dominio-territorial-no-rio-de-janeiro\/\">megaopera\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a do Rio de Janeiro<\/a> que deixou 121 mortos, entre eles quatro policiais, no Complexo do Alem\u00e3o. A margem de erro \u00e9 de\u00a0dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O n\u00edvel de confian\u00e7a \u00e9 de\u00a095%.<\/p>\n<p>Em agosto de 2023, apenas 10% dos brasileiros entrevistados pela Quaest colocavam a viol\u00eancia como principal problema do pa\u00eds, deixando o tema em quarto lugar no <em>ranking<\/em>. Naquele ano a economia era a principal preocupa\u00e7\u00e3o, com 31% de cita\u00e7\u00e3o na pesquisa. As quest\u00f5es sociais ficavam em segundo lugar com 21%, seguidas pela sa\u00fade em terceiro, com 12%. Em apenas pouco mais de dois anos, o\u00a0tema da viol\u00eancia escalou 28 pontos percentuais\u00a0para virar o principal problema do Brasil na opini\u00e3o dos entrevistados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/01\/02150350\/51946878850_5e3644305e_o-scaled.jpg.webp\" \/><i>F\u00f3rum de Seguran\u00e7a P\u00fablica evidencia que est\u00e1 em curso um fen\u00f4meno de crescimento e amplia\u00e7\u00e3o do poder de captura das fac\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao controle de territ\u00f3rio e mercados.  (Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil)<\/i><\/p>\n<h2>Pa\u00eds v\u00ea surgimento de fac\u00e7\u00f5es criminosas disparar<\/h2>\n<p>Entre 2022 e 2023, houve redu\u00e7\u00e3o de 2,3% na taxa de homic\u00eddio por 100 mil habitantes no Brasil. Com isso, o pa\u00eds atingiu o \u00edndice de 21,2 para cada 100 mil habitantes, o menor dos \u00faltimos 11 anos. Mesmo assim, 45.747 pessoas foram v\u00edtimas de homic\u00eddios, m\u00e9dia que ultrapassa 125 por dia.<\/p>\n<p>Os menores indicadores de homic\u00eddios por 100 mil habitantes est\u00e3o localizados nos estados do Sul, al\u00e9m de S\u00e3o Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais. J\u00e1 as maiores taxas se concentram nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. Os dados s\u00e3o do\u00a0Atlas da Viol\u00eancia 2025, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) com a colabora\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>Na somat\u00f3ria do quadro, tudo indica que o Brasil est\u00e1 perdendo a guerra para o crime organizado. Relat\u00f3rio de Intelig\u00eancia da Secretaria Nacional de Pol\u00edticas Penitenci\u00e1rias (Senapen) do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a do final de 2024 aponta a exist\u00eancia de pelo menos 88 fac\u00e7\u00f5es criminosas no Brasil \u2014 entre elas as duas hegem\u00f4nicas, com atua\u00e7\u00e3o em praticamente todo territ\u00f3rio nacional e no tr\u00e1fico internacional de drogas: <strong>Comando Vermelho<\/strong> (CV) e <strong>Primeiro Comando da Capital<\/strong> (PCC).]<\/p>\n<p>Em 2019, o F\u00f3rum de Seguran\u00e7a P\u00fablica havia identificado a exist\u00eancia de 37 fac\u00e7\u00f5es criminosas no Brasil. O n\u00famero de grandes grupos criminosos organizados atuando em territ\u00f3rio nacional cresceu cerca de <strong>237% em cinco anos<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amplas extens\u00f5es do territ\u00f3rio nacional, principalmente nas grandes cidades, dominadas por grupos criminosos armados. 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