{"id":108560,"date":"2026-01-09T10:15:00","date_gmt":"2026-01-09T14:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=108560"},"modified":"2026-01-09T10:15:00","modified_gmt":"2026-01-09T14:15:00","slug":"relacao-do-pt-com-foro-de-sp-engaja-oposicao-e-pode-pautar-eleicoes-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=108560","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00e3o do PT com Foro de SP engaja oposi\u00e7\u00e3o e pode pautar elei\u00e7\u00f5es de 2026"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A pris\u00e3o do ditador Nicol\u00e1s Maduro fez a oposi\u00e7\u00e3o brasileira reacender o debate sobre a rela\u00e7\u00e3o do Partido dos Trabalhadores com o Foro de S\u00e3o Paulo, grupo criado em 1990, por iniciativa do ent\u00e3o presidente do PT Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, hoje \u00e0 frente do Executivo federal, em parceria com o ditador cubano Fidel Castro, reunindo partidos e movimentos de esquerda da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Pol\u00edticos e influenciadores de direita t\u00eam resgatado declara\u00e7\u00f5es antigas do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) nas quais ele admite que a ascens\u00e3o da esquerda no continente latino-americano teve participa\u00e7\u00e3o direta do Foro.<\/p>\n<p>\u201cQuero, companheiro diretor do Foro de S\u00e3o Paulo, debitar parte da chegada da esquerda ao poder na Am\u00e9rica Latina pela exist\u00eancia dessa \u2018<em>cosita<\/em>\u2019 chamada Foro de S\u00e3o Paulo. Devemos muitos aos companheiros cubanos\u201d, disse Lula durante o XIX Encontro do Foro de S\u00e3o Paulo, em 2013.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do PT, o grupo re\u00fane outras legendas brasileiras, como PDT, PCdoB e o antigo Partido Comunista do Brasil (PCB). Ao todo, 135 partidos de 27 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina integram a lista de membros oficiais, incluindo o Partido Socialista Unido da Venezuela, de Maduro, e o Col\u00f4mbia Humana, do presidente colombiano Gustavo Petro.<\/p>\n<p>Questionado sobre as rela\u00e7\u00f5es de Lula com o Foro, o l\u00edder do PL na C\u00e2mara dos Deputados, deputado S\u00f3stenes Cavalcanti (PL-RJ), afirmou que a sigla pretende explorar ao m\u00e1ximo o tema nas elei\u00e7\u00f5es de outubro. \u201cO Lula est\u00e1 tentando se esconder para se descolar agora do Maduro, do ditador. N\u00f3s vamos explorar isso ao m\u00e1ximo ao longo do ano 2026\u201d.<\/p>\n<p>Para o cientista pol\u00edtico Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI), o fortalecimento desse debate que a direita brasileira quer suscitar no ano eleitoral ocorre em meio a uma mudan\u00e7a mais ampla do cen\u00e1rio pol\u00edtico regional. Segundo ele, a Am\u00e9rica Latina vive um movimento de afastamento da esquerda, com avan\u00e7o de governos de direita e centro-direita, o que pode isolar o Brasil e fragilizar o Foro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um deslocamento claro da &#8220;janela de Overton&#8221;, com a substitui\u00e7\u00e3o da chamada &#8220;onda rosa&#8221; por governos mais \u00e0 direita. Nesse contexto, o Brasil, com Lula, e o M\u00e9xico acabam se tornando os principais remanescentes desse projeto pol\u00edtico, o que aumenta a press\u00e3o e o isolamento\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A &#8220;janela de Overton&#8221; refere-se ao conjunto de ideias e posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas consideradas aceit\u00e1veis no debate p\u00fablico em um dado per\u00edodo. J\u00e1 a &#8220;onda rosa&#8221; \u00e9 a express\u00e3o usada para descrever o ciclo de governos de esquerda ou centro-esquerda que chegaram ao poder na Am\u00e9rica Latina no fim do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do XXI.<\/p>\n<p>Para Gomes, esse novo cen\u00e1rio deve estimular a oposi\u00e7\u00e3o a retomar a associa\u00e7\u00e3o entre o PT, o Foro e regimes autorit\u00e1rios aliados, algo que, segundo ele, enfrentou restri\u00e7\u00f5es durante a campanha de 2022.<\/p>\n<p>J\u00e1 o cientista pol\u00edtico Adriano Cerqueira, professor do Ibmec de Belo Horizonte, avalia que o tema deve continuar presente no debate eleitoral, ainda que de forma secund\u00e1ria. \u201cN\u00e3o diria que ser\u00e1 um tema dominante, mas certamente ser\u00e1 citado. Em 2022, virou um tabu, a ponto de haver censura sobre qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia do Foro ou \u00e0s liga\u00e7\u00f5es do Lula com o Maduro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Cerqueira, o contexto internacional mudou e pode abrir espa\u00e7o para uma explora\u00e7\u00e3o mais direta do assunto. \u201cCom a pris\u00e3o do Maduro e a atua\u00e7\u00e3o mais clara dos Estados Unidos na regi\u00e3o, ficou evidente que o hemisf\u00e9rio ocidental \u00e9 tratado como \u00e1rea priorit\u00e1ria de interesse. Isso altera o tabuleiro pol\u00edtico\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Ele acredita que a oposi\u00e7\u00e3o deve explorar o tema sobretudo a partir da seguran\u00e7a p\u00fablica. \u201cO caminho mais prov\u00e1vel \u00e9 associar o chavismo ao narcotr\u00e1fico, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 inseguran\u00e7a. Seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 um tema forte em elei\u00e7\u00f5es, e \u00e9 por a\u00ed que essa liga\u00e7\u00e3o pode ser explorada\u201d, disse.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Foro de S\u00e3o Paulo foi alvo de debates em campanhas anteriores<\/h2>\n<p>Em 2022, o Foro ganhou destaque ao ser citado em processos abertos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela campanha petista. \u00c0 \u00e9poca, a direita exp\u00f4s a rela\u00e7\u00e3o de Lula com o ditador da Nicar\u00e1gua, Daniel Ortega, tamb\u00e9m integrante do grupo. O ministro Paulo de Tarso Sanseverino atendeu ao pedido da coliga\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o ex-presidente e determinou que Twitter e Facebook removessem 31 postagens.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o atingiu inclusive um tu\u00edte da <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, de 22 de setembro daquele ano, que noticiava o corte do sinal da <em>CNN<\/em> pelo regime de Ortega. Na decis\u00e3o, Sanseverino afirmou que as postagens apresentavam \u201cconte\u00fados manifestamente inver\u00eddicos\u201d e propagavam desinforma\u00e7\u00e3o ao associar Lula \u00e0 defesa de persegui\u00e7\u00e3o religiosa e \u00e0 ditadura nicaraguense.<\/p>\n<p>Com a volta de Lula ao Pal\u00e1cio do Planalto, em 2023, o Foro voltou a ganhar espa\u00e7o nas redes sociais e passou a mobilizar protestos fora do ambiente digital. Em junho daquele ano, manifestantes protestaram contra a realiza\u00e7\u00e3o do 26.\u00ba encontro do Foro de S\u00e3o Paulo, realizado em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Antes disso, j\u00e1 na campanha presidencial de 2018, o Foro j\u00e1 tinha ocupado espa\u00e7o central na propaganda pol\u00edtica. No primeiro programa eleitoral exibido em r\u00e1dio e televis\u00e3o, o ent\u00e3o candidato do PSL a presidente, Jair Bolsonaro, citou o grupo e criticou seus fundadores.<\/p>\n<p>\u201cO vermelho \u00e9 um sinal de alerta para o que n\u00e3o queremos no pa\u00eds. A nossa bandeira \u00e9 verde e amarela e nosso partido \u00e9 o Brasil\u201d, dizia a propaganda, que tamb\u00e9m classificava o Foro de S\u00e3o Paulo como um \u201cgrupo pol\u00edtico com vi\u00e9s ideol\u00f3gico, comunista, de esquerda, liderado por Lula e Fidel Castro\u201d.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas se intensificaram durante o mandato de Bolsonaro. No discurso de estreia na Assembleia-Geral da ONU, em 2019, Bolsonaro chamou o Foro de S\u00e3o Paulo de \u201corganiza\u00e7\u00e3o criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Ch\u00e1vez para difundir e implementar o socialismo na Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o cientista pol\u00edtico Marcelo Suano, professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Ibmec em S\u00e3o Paulo, a reapari\u00e7\u00e3o do Foro no debate p\u00fablico em 2026 n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno espont\u00e2neo, mas acompanha investiga\u00e7\u00f5es e poss\u00edveis revela\u00e7\u00f5es envolvendo o regime venezuelano e seus aliados no continente.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que avan\u00e7ar o processo contra o Maduro e houver esclarecimentos sobre eventual interfer\u00eancia da Venezuela em elei\u00e7\u00f5es ou financiamento de projetos pol\u00edticos na Am\u00e9rica Latina, isso tende a ser explorado politicamente\u201d, afirmou. Ele lembrou o depoimento do ex-general venezuelano Hugo \u201cEl Pollo\u201d Carvajal, que apontou a exist\u00eancia de repasses financeiros para aliados ideol\u00f3gicos no continente.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 o Foro de S\u00e3o Paulo<\/h2>\n<p>O Foro de S\u00e3o Paulo foi fundado no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 pelo ditador cubano Fidel Castro (1926\u20132016) e pelo ent\u00e3o l\u00edder sindical e presidente do Partido dos Trabalhadores Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, logo ap\u00f3s o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. O objetivo oficial do grupo era reorganizar a esquerda latino-americana diante do fim do bloco socialista sovi\u00e9tico e criar um espa\u00e7o permanente de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e estrat\u00e9gica no continente.<\/p>\n<p>Na declara\u00e7\u00e3o final do primeiro encontro, realizado em S\u00e3o Paulo, o Foro afirmou que a constru\u00e7\u00e3o de uma \u201csociedade justa, livre e soberana\u201d e do socialismo dependeria da \u201cvontade dos povos\u201d e da renova\u00e7\u00e3o do pensamento de esquerda, rejeitando modelos liberais e criticando o que classificava como \u201cimperialismo\u201d dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o Foro passou a reunir partidos pol\u00edticos, governos, movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es ativistas de esquerda de toda a Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Ao longo de suas edi\u00e7\u00f5es, no entanto, a atua\u00e7\u00e3o do grupo extrapolou o debate partid\u00e1rio e incluiu manifesta\u00e7\u00f5es de apoio a organiza\u00e7\u00f5es armadas e guerrilheiras atuantes na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No s\u00e9timo encontro do Foro, realizado em 1997, em Porto Alegre (RS), o grupo classificou as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc) como \u201co grupo mais importante\u201d de oposi\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos na Col\u00f4mbia. \u00c0 \u00e9poca, as Farc j\u00e1 eram internacionalmente conhecidas por sua atua\u00e7\u00e3o armada, envolvimento com o narcotr\u00e1fico, sequestros, atentados e assassinatos.<\/p>\n<p>Outras organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras tamb\u00e9m receberam apoio expl\u00edcito do Foro de S\u00e3o Paulo no passado, entre elas o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), da Col\u00f4mbia, e o Movimento de Esquerda Revolucion\u00e1ria (MIR), do Chile.<\/p>\n<p>O ELN, assim como as Farc, ficou conhecido por sua atua\u00e7\u00e3o guerrilheira contra o Estado colombiano. Embora atualmente n\u00e3o figure mais na lista oficial de membros do Foro, o grupo aparece com destaque em documentos e atas da organiza\u00e7\u00e3o. No VIII Encontro do Foro de S\u00e3o Paulo, realizado em 1998, o ELN foi classificado como um movimento \u201cdemocr\u00e1tico\u201d ap\u00f3s a morte de seu ent\u00e3o comandante-geral, Manuel P\u00e9rez Mart\u00ednez.<\/p>\n<p>\u201cO VIII Encontro do Foro de S\u00e3o Paulo expressa suas condol\u00eancias aos companheiros da UCLN da Col\u00f4mbia, pelo falecimento do companheiro Manuel P\u00e9rez, Comandante Geral dessa organiza\u00e7\u00e3o e figura hist\u00f3rica da revolu\u00e7\u00e3o e das lutas democr\u00e1ticas na Col\u00f4mbia, durante as \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d, diz a ata do encontro.<\/p>\n<p>P\u00e9rez Mart\u00ednez \u00e9 considerado o maior terrorista da hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia, apontado como respons\u00e1vel por mais de 500 atentados contra a infraestrutura petrol\u00edfera do pa\u00eds, al\u00e9m de sequestros, assassinatos e ataques a for\u00e7as de seguran\u00e7a. Em mar\u00e7o de 2023, o ELN voltou ao centro do notici\u00e1rio internacional ap\u00f3s um ataque que matou nove militares do Ex\u00e9rcito colombiano e deixou outros oito feridos.<\/p>\n<p>O Foro tamb\u00e9m manifestou solidariedade ao Movimento de Esquerda Revolucion\u00e1ria (MIR), organiza\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pelo sequestro do empres\u00e1rio Ab\u00edlio Diniz, em dezembro de 1989, em S\u00e3o Paulo. A a\u00e7\u00e3o durou 36 horas e envolveu dez sequestradores, entre eles cinco chilenos, dois argentinos, dois canadenses e um brasileiro.<\/p>\n<p>O sequestro foi liderado pelos irm\u00e3os argentinos Humberto Paz e Hor\u00e1cio Paz, ambos com hist\u00f3rico de atua\u00e7\u00e3o em diferentes grupos armados da Am\u00e9rica Latina. Os dois possu\u00edam liga\u00e7\u00f5es com organiza\u00e7\u00f5es como o Ex\u00e9rcito Popular Revolucion\u00e1rio (ERP), da Argentina, as For\u00e7as Populares de Liberta\u00e7\u00e3o de El Salvador (FPL), o Sendero Luminoso, do Peru, al\u00e9m do bra\u00e7o chileno do pr\u00f3prio MIR.<\/p>\n<p>Entre os chilenos envolvidos estavam Ulisses Gallardo Acevedo, Pedro Lembach, H\u00e9ctor Ram\u00f3n Tapia, S\u00e9rgio Olivares e Maria Marchi Badilla. Todos tinham hist\u00f3rico de milit\u00e2ncia em organiza\u00e7\u00f5es armadas de esquerda e circula\u00e7\u00e3o por diferentes pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na mesma ata de 1998, o Foro de S\u00e3o Paulo n\u00e3o apenas se solidarizou com o MIR, como tamb\u00e9m exigiu que o governo brasileiro reconhecesse os sequestradores de Ab\u00edlio Diniz como presos pol\u00edticos, refor\u00e7ando o alinhamento da organiza\u00e7\u00e3o com movimentos armados e a relativiza\u00e7\u00e3o do uso da viol\u00eancia como instrumento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, o Foro tamb\u00e9m passou a criticar iniciativas internacionais de combate ao narcotr\u00e1fico e ao terrorismo, como o Plano Col\u00f4mbia, lan\u00e7ado em 1999 pelos governos da Col\u00f4mbia e dos Estados Unidos. Em declara\u00e7\u00f5es oficiais, o grupo classificou essas a\u00e7\u00f5es como \u201cinger\u00eancia\u201d e \u201cinterven\u00e7\u00e3o imperialista\u201d, afirmando que o combate ao crime organizado serviria de pretexto para a militariza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o da chamada \u201cluta popular\u201d.<\/p>\n<p>\u201cLutamos contra o Plano Col\u00f4mbia, a Iniciativa Regional Andina e os demais mecanismos de inger\u00eancia impostos pelo imperialismo norte-americano, que utilizam como pretexto o combate ao narcotr\u00e1fico e ao terrorismo para ampliar a militariza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o\u201d, diz a declara\u00e7\u00e3o final do 13.\u00ba Encontro do Foro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Suano tamb\u00e9m destacou que, mesmo nos per\u00edodos em que deixou de ser citado publicamente, o Foro de S\u00e3o Paulo manteve sua atua\u00e7\u00e3o. \u201cO Foro nunca deixou de existir. Quando houve uma primeira onda de governos \u00e0 direita, ele simplesmente saiu de cena, migrou para o M\u00e9xico e passou a operar sob o nome de Grupo de Puebla. Com o retorno da esquerda ao poder, voltou a atuar abertamente como Foro de S\u00e3o Paulo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Apesar de fundado na d\u00e9cada de 1990, o Foro de S\u00e3o Paulo passou a ganhar maior repercuss\u00e3o no debate p\u00fablico ap\u00f3s publica\u00e7\u00f5es do escritor e fil\u00f3sofo Olavo de Carvalho (1947-2022), em meados dos anos 2000. Com a expans\u00e3o das redes sociais, o tema emergiu com for\u00e7a no campo da direita e, em 2015, chegou \u00e0 tribuna da C\u00e2mara dos Deputados, quando o ent\u00e3o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) comentou um encontro da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff com l\u00edderes da Unasul.<\/p>\n<p>\u201cVejam como \u00e9 preocupante a situa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 poucas semanas, a nossa querida Dilma Rousseff esteve no Equador e assinou acordos na Unasul \u2014 que n\u00e3o tem muita diferen\u00e7a do pessoalzinho do Foro de S\u00e3o Paulo \u2014 criando uma unidade t\u00e9cnica de coordena\u00e7\u00e3o eleitoral para a Am\u00e9rica do Sul\u201d, disse Bolsonaro durante a vota\u00e7\u00e3o da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que instituiu o voto impresso.<\/p>\n<h2>Foro articula integra\u00e7\u00e3o paralela e busca substituir organismos tradicionais<\/h2>\n<p>Para o escritor Pedro Henrique Ara\u00fajo, autor do livro &#8220;O Foro de S\u00e3o Paulo e a P\u00e1tria Grande&#8221; (<em>Ed. PHVOX<\/em>, 2025), o Foro atua de forma organizada e documentada para influenciar os rumos pol\u00edticos, eleitorais e diplom\u00e1ticos da Am\u00e9rica Latina, por meio da cria\u00e7\u00e3o de estruturas paralelas aos organismos internacionais tradicionais.<\/p>\n<p>\u201cNas reuni\u00f5es e atas do Foro h\u00e1 pontos estruturados para dirimir o futuro eleitoral, pol\u00edtico e at\u00e9 diplom\u00e1tico da Am\u00e9rica Latina\u201d, afirmou. Segundo ele, um dos exemplos \u00e9 a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), cujo objetivo seria substituir a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA). &#8220;O intuito \u00e9 criar um bloco sem a influ\u00eancia dos Estados Unidos e do Canad\u00e1, concentrando, do M\u00e9xico para baixo, as decis\u00f5es diplom\u00e1ticas da regi\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo tamb\u00e9m citou o Grupo de Puebla, que, segundo ele, atua na constru\u00e7\u00e3o de legitimidade institucional e narrativa p\u00fablica. \u201cO grupo trabalha com ex-presidentes, intelectuais e juristas ligados ao Foro para dar peso institucional, especialmente na m\u00eddia, al\u00e9m de avan\u00e7ar na agenda do lawfare.\u201d<\/p>\n<p>O autor lembrou ainda a tentativa de retomada da Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul), em 2023. \u201cA Unasul surgiu dentro do Foro de S\u00e3o Paulo, patrocinada principalmente por Lula e Hugo Ch\u00e1vez, com a inten\u00e7\u00e3o de criar uma esp\u00e9cie de Uni\u00e3o Europeia da Am\u00e9rica do Sul\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo ele, o projeto chegou a prever parlamento regional, banco pr\u00f3prio, moeda comum e at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma Corte Suprema latino-americana. \u201cEssa \u00e9 a parte institucional, que fica \u00e0s claras. N\u00e3o s\u00e3o crimes, mas s\u00e3o mecanismos de organiza\u00e7\u00e3o para a tomada e manuten\u00e7\u00e3o do poder\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pris\u00e3o do ditador Nicol\u00e1s Maduro fez a oposi\u00e7\u00e3o brasileira reacender o debate sobre a rela\u00e7\u00e3o do Partido dos Trabalhadores&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":108561,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-108560","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/108560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=108560"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/108560\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/108561"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=108560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=108560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=108560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}