{"id":104276,"date":"2026-01-10T10:10:54","date_gmt":"2026-01-10T14:10:54","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=104276"},"modified":"2026-01-10T10:10:54","modified_gmt":"2026-01-10T14:10:54","slug":"a-ultima-geracao-paga-e-a-ilusao-da-eternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=104276","title":{"rendered":"A \u00faltima gera\u00e7\u00e3o pag\u00e3 e a ilus\u00e3o da eternidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Edward J. Watts \u00e9 hoje um dos nomes mais relevantes da historiografia anglo-sax\u00f4nica dedicada \u00e0 Antiguidade tardia. Professor da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, formado em Brown e Yale, Watts construiu uma obra respeitada justamente por sua capacidade de articular hist\u00f3ria intelectual, biografia, pol\u00edtica e cultura religiosa, debru\u00e7ando-se sobre um per\u00edodo frequentemente reduzido a caricaturas ideol\u00f3gicas ou leituras teleol\u00f3gicas simplificadoras. Livros como <em>City and School in Late Antique Athens and Alexandria<\/em> (2008), <em>Riot in Alexandria<\/em> (2010), <em>Mortal Republic<\/em> (2018) e <em>The Eternal Decline and Fall of Rome<\/em> (2021) revelam um autor atento \u00e0s continuidades hist\u00f3ricas, \u00e0s ilus\u00f5es das elites e aos mecanismos pelos quais as sociedades acreditam ser mais est\u00e1veis \u2013 ou mais racionais \u2013 do que de fato s\u00e3o.<\/p>\n<p><em>The Final Pagan Generation<\/em> (2015) insere-se nesse percurso como talvez seu livro mais liter\u00e1rio e mais ambicioso: n\u00e3o apenas uma hist\u00f3ria da cristianiza\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano, mas sobretudo um retrato de uma gera\u00e7\u00e3o inteira que viveu dentro de uma grande ilus\u00e3o de perman\u00eancia. Traindo discretamente um certo fasc\u00ednio pelo universo pag\u00e3o antigo, Watts busca redimir essa gera\u00e7\u00e3o de uma interpreta\u00e7\u00e3o caricatural ou catastrofista.<\/p>\n<p>Publicado j\u00e1 h\u00e1 dez anos, e infelizmente ainda n\u00e3o-traduzido no Brasil, o livro \u00e9 um exerc\u00edcio de empatia hist\u00f3rica: compreender como homens inteligentes, cultos, bem-nascidos e bem-situados \u2013 Aus\u00f4nio, Lib\u00e2nio, V\u00e9cio Ag\u00f3rio Pretextato e Tem\u00edstio \u2013 atravessaram o s\u00e9culo IV sem notar plenamente que o mundo em que haviam sido formados estava condenado. N\u00e3o porque fossem tolos ou cegos, mas porque acreditavam, com a naturalidade dos que sempre viveram sob a mesma ordem simb\u00f3lica, que o paganismo p\u00fablico romano \u2013 com seus templos, imagens, sacrif\u00edcios e rituais c\u00edvicos \u2013 era t\u00e3o perene quanto o pr\u00f3prio Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Watts define essa \u201c\u00faltima gera\u00e7\u00e3o pag\u00e3\u201d como o derradeiro grupo de romanos de elite, pag\u00e3os e crist\u00e3os, nascidos por volta do ano de 310, formados num mundo em que a maioria ainda acreditava que a velha ordem religiosa milenar continuaria intacta para sempre. Essa defini\u00e7\u00e3o \u00e9 central: a transforma\u00e7\u00e3o descrita no livro n\u00e3o \u00e9 a queda abrupta de um sistema. A hist\u00f3ria contada em <em>The Final Pagan Generation<\/em> \u00e9 a de uma lenta e quase impercept\u00edvel eros\u00e3o de uma cosmovis\u00e3o. Assim, o drama que Watts descreve se caracteriza mais pela obsolesc\u00eancia espiritual que pela persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m uma breve observa\u00e7\u00e3o sobre a posi\u00e7\u00e3o enunciativa do autor. Ele concebe a obra num tempo em que a cr\u00edtica moderna ao Cristianismo, de matriz neopag\u00e3, rom\u00e2ntica ou nietzschiana, ainda molda o imagin\u00e1rio acad\u00eamico: nesse ambiente, permanece hegem\u00f4nica a interpreta\u00e7\u00e3o segundo a qual o Cristianismo surgiu como for\u00e7a niveladora, empobrecedora da imagina\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e inimiga da pluralidade est\u00e9tica do mundo antigo. Embora Watts jamais adote essa cr\u00edtica de modo expl\u00edcito, sua simpatia narrativa pelos pag\u00e3os tardios e seu fasc\u00ednio pelo \u201cmundo cheio de deuses\u201d s\u00e3o evidentes. O leitor atento percebe que o Cristianismo entra na narrativa menos como plenitude civilizacional do que como fato hist\u00f3rico inexor\u00e1vel \u2013 uma vit\u00f3ria administrativa, cultural e geracional.<\/p>\n<p>Todavia, a aceita\u00e7\u00e3o impl\u00edcita do paradigma intelectual neopag\u00e3o n\u00e3o chega a debilitar o livro, exemplarmente bem constru\u00eddo. Sua introdu\u00e7\u00e3o oferece um mapa claro do argumento; os cap\u00edtulos se encadeiam com fluidez; e o par\u00e1grafo final condensa magistralmente a sua tese fundamental, a saber: que o s\u00e9culo IV, para essa \u00faltima gera\u00e7\u00e3o pag\u00e3, foi uma idade de ouro repleta de banquetes refinados, moedas de ouro, discursos p\u00fablicos diante de imperadores e cerim\u00f4nias oficiais \u2013 tudo isso em cidades saturadas de templos, imagens divinas e o odor constante do incenso e do sangue dos sacrif\u00edcios. Era um mundo que parecia eterno porque sempre fora do mesmo jeito, e porque seus benefici\u00e1rios jamais imaginaram que a hist\u00f3ria pudesse dispens\u00e1-los.<\/p>\n<h2>Os cap\u00edtulos<\/h2>\n<p>No Cap\u00edtulo 1, \u201cCrescendo nas cidades dos deuses\u201d, Watts descreve com detalhes sensoriais a forma\u00e7\u00e3o infantil dessa gera\u00e7\u00e3o. Crian\u00e7as educadas por pais, tutores e professores num ambiente saturado de refer\u00eancias religiosas m\u00faltiplas: templos ativos ou abandonados, igrejas emergentes, sinagogas antigas, imagens reaproveitadas, vandalizadas ou veneradas. Mais que uma doutrina, o paganismo era uma atmosfera \u2013 algo respirado antes de ser pensado. Uma religi\u00e3o t\u00e3o onipresente que j\u00e1 n\u00e3o precisava ser defendida, e por isso mesmo come\u00e7ava a morrer.<\/p>\n<p>O Cap\u00edtulo 2, \u201cEduca\u00e7\u00e3o numa era da imagina\u00e7\u00e3o\u201d, mostra como a forma\u00e7\u00e3o intelectual desses jovens \u2013 centrada em gram\u00e1tica e ret\u00f3rica \u2013 era notavelmente isolada das grandes transforma\u00e7\u00f5es religiosas do per\u00edodo constantiniano. O objetivo n\u00e3o era a verdade, mas o sucesso: atrair a aten\u00e7\u00e3o do imperador, alcan\u00e7ar prest\u00edgio na corte, integrar-se ao sistema. Nesse est\u00e1gio, a religi\u00e3o n\u00e3o passava de pano de fundo; n\u00e3o era percebida como campo de batalha. Como tantos representantes de elites posteriores, os jovens da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o pag\u00e3 confundiam neutralidade moral com sofistica\u00e7\u00e3o intelectual.<\/p>\n<p>O Cap\u00edtulo 3, \u201cO sistema\u201d, acompanha o ingresso dessa gera\u00e7\u00e3o na vida adulta, nas d\u00e9cadas de 330 e 340. Eles constroem carreiras, formam fam\u00edlias, tecem redes de influ\u00eancia \u2013 enquanto, quase sem perceber, os filhos de Constantino consolidam juridicamente um imp\u00e9rio crist\u00e3o. Eis o dado relevante evidenciado por Watts: a cristianiza\u00e7\u00e3o formal do Estado n\u00e3o foi sentida como ruptura imediata pela elite pag\u00e3, porque o sistema continuava recompensando compet\u00eancia, lealdade e capital social. E nada anestesia mais do que um sistema que continua pagando bem enquanto muda de alma.<\/p>\n<p>O Cap\u00edtulo 4, \u201cAscender numa era de incerteza\u201d, aprofunda esse paradoxo. Mesmo sob Const\u00e2ncio II, cujas preocupa\u00e7\u00f5es crist\u00e3s eram evidentes, a l\u00f3gica da carreira imperial permanecia intacta. A religi\u00e3o ainda n\u00e3o substitu\u00edra o m\u00e9rito ret\u00f3rico, a habilidade pol\u00edtica ou as alian\u00e7as familiares como moeda decisiva de ascens\u00e3o. A f\u00e9 antiga sobrevivia como ornamento, n\u00e3o mais como eixo moral.<\/p>\n<p>No Cap\u00edtulo 5, \u201cO apogeu\u201d, entram em cena Juliano, o Ap\u00f3stata, e Joviano. O breve interl\u00fadio julianista revela, talvez mais do que qualquer outro epis\u00f3dio, a fragilidade estrutural do paganismo tardio. O esfor\u00e7o de restaura\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o cria um novo mundo; apenas exp\u00f5e a incapacidade do antigo de se renovar. Juliano n\u00e3o ressuscita os deuses: apenas comprova que j\u00e1 estavam mortos. Alguns membros da elite romana, como Tem\u00edstio, perdem espa\u00e7o; outros, como Lib\u00e2nio, sobrevivem por sua habilidade quase acrob\u00e1tica de agradar ao imperador enquanto mitigam os efeitos de suas pol\u00edticas sobre terceiros.<\/p>\n<p>O Cap\u00edtulo 6, \u201cA nova ordem pan\u00f4nia\u201d, mostra um per\u00edodo de relativa paz religiosa sob Valentiniano e Valente. Novos homens entram na burocracia; o sistema se renova; alguns protagonistas se beneficiam, outros declinam. Mas, novamente, a religi\u00e3o permanece secund\u00e1ria diante da obsess\u00e3o comum a todos: preservar o pr\u00f3prio status. Nada mais romano \u2013 e nada mais est\u00e9ril.<\/p>\n<p>O Cap\u00edtulo 7, \u201cA cultura da juventude crist\u00e3 nos anos 360 e 370\u201d, marca a verdadeira virada. A <em>Vida de Ant\u00f4nio<\/em>, de Atan\u00e1sio, inspira os filhos dessa gera\u00e7\u00e3o. Alguns rejeitam completamente os crit\u00e9rios de sucesso dos pais, abra\u00e7ando o ascetismo; outros seguem caminhos tradicionais, agora dentro da hierarquia eclesi\u00e1stica. A Igreja, enriquecida e institucionalizada, passa a atrair ambi\u00e7\u00e3o, talento e desejo de poder. Mas com uma diferen\u00e7a decisiva: agora havia algo pelo qual valia a pena renunciar.<\/p>\n<p>Os cap\u00edtulos 8 e 9 acompanham a transfer\u00eancia de poder para a gera\u00e7\u00e3o seguinte e a velhice dos protagonistas. Tem\u00edstio retira-se silenciosamente; Lib\u00e2nio tenta manter relev\u00e2ncia por meio de cartas, mesmo quando o mundo ao seu redor j\u00e1 n\u00e3o reconhece os crit\u00e9rios que haviam orientado sua vida. Eles permanecem engajados \u201cem seus pr\u00f3prios termos\u201d num imp\u00e9rio que j\u00e1 mudara de modo irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>No derradeiro cap\u00edtulo 10, \u201cO legado de uma gera\u00e7\u00e3o\u201d, Watts analisa a recep\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma dessa gera\u00e7\u00e3o. Pretextato \u00e9 respeitado como erudito, mas desprezado por apologistas crist\u00e3os; Aus\u00f4nio torna-se contraste para o neto Paulino, celebrado justamente por abandonar o mundo; Tem\u00edstio \u00e9 lembrado como conselheiro racional; Lib\u00e2nio \u00e9 eclipsado por disc\u00edpulos crist\u00e3os como Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo e Bas\u00edlio. O mundo que os formara sobrevivia apenas como mem\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>Watts \u00e9 honesto ao reconhecer limites em sua abordagem. \u201cGera\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um conceito escorregadio, e quatro homens \u2013 todos excepcionais \u2013 dificilmente representam uma maioria. Ainda assim, o autor logra algo raro: oferecer uma vis\u00e3o emp\u00e1tica e demasiado humana de uma elite que experimentou o fim de seu mundo n\u00e3o como um cataclismo, mas como uma enganosa continuidade.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que uma leitura crist\u00e3 poderia avan\u00e7ar al\u00e9m das pretens\u00f5es do autor. O cristianismo n\u00e3o triunfa apenas porque herdou o sistema imperial, mas porque ofereceu algo que o paganismo tardio j\u00e1 n\u00e3o podia fornecer: uma antropologia moral coerente, uma esperan\u00e7a escatol\u00f3gica, uma universalidade que n\u00e3o dependia de nascimento, status ou virtuosismo ret\u00f3rico. Onde o paganismo oferecia forma, o cristianismo ofereceu sentido.<\/p>\n<p>Cabe aqui relembrar a imortal descri\u00e7\u00e3o de Fustel de Coulanges no cl\u00e1ssico <em>A Cidade Antiga<\/em>, cuja leitura permanece insubstitu\u00edvel para compreender a muta\u00e7\u00e3o espiritual descrita por Watts:<\/p>\n<p>\u201cA vit\u00f3ria do Cristianismo assinala o fim da sociedade antiga (\u2026) Com o Cristianismo, n\u00e3o s\u00f3 o sentimento religioso se avivou, mas tomou ainda express\u00e3o mais elevada e menos material (\u2026) O divino foi devidamente colocado fora e acima da natureza vis\u00edvel (\u2026) A religi\u00e3o deixou de ser exterior; residiu sobretudo no pensamento do homem. A religi\u00e3o deixou de ser mat\u00e9ria; tornou-se esp\u00edrito (\u2026) O cristianismo trouxe ainda outras inova\u00e7\u00f5es. Deixou de ser a religi\u00e3o dom\u00e9stica de determinada fam\u00edlia, a religi\u00e3o nacional de uma tal cidade ou ra\u00e7a. N\u00e3o pertencia nem a uma casta, nem a uma corpora\u00e7\u00e3o. Desde o in\u00edcio, chamou a si toda a humanidade (\u2026) Havia nisso tudo algo de muito inovador. Porque, por toda a parte, na primeira idade da humanidade, se havia concebido a divindade como pertencendo especialmente a uma ra\u00e7a. Os judeus acreditavam no Deus dos judeus, os atenienses na Palas ateniense, os romanos no J\u00fapiter capitolino (\u2026) No que respeita ao governo do Estado, podemos dizer que o Cristianismo o transformou em ess\u00eancia, precisamente porque n\u00e3o se ocupou dele. Nos velhos tempos, a religi\u00e3o e o Estado formavam um todo (\u2026) Jesus Cristo ensina que o seu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo. Separa a religi\u00e3o do governo\u201d.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que a n\u00e3o constata\u00e7\u00e3o dessa ascens\u00e3o religiosa n\u00e3o diminui o m\u00e9rito do livro. <em>The Final Pagan Generation<\/em> \u00e9 uma obra elegante, erudita, robustamente documentada, com notas abundantes e bibliografia de excel\u00eancia. Mais do que recontar trajet\u00f3rias individuais, Watts ilumina com clareza rara o que mudou \u2013 e o que permaneceu \u2013 no s\u00e9culo IV. Seu livro n\u00e3o \u00e9 uma apologia do paganismo nem, tampouco, um libelo contra o cristianismo. Trata-se de um retrato fino da psicologia hist\u00f3rica de uma elite diante do fim de sua evid\u00eancia moral.<\/p>\n<p>Enquanto os \u00faltimos pag\u00e3os agarravam-se aos rituais, \u00e0s honrarias e \u00e0 est\u00e9tica de um mundo saturado de deuses, seus filhos encontravam no Cristianismo uma moral exigente, uma promessa de transcend\u00eancia e uma l\u00f3gica de vida que j\u00e1 n\u00e3o dependia do favor imperial. Watts escreve com evidente simpatia por aquele \u201cmundo perdido\u201d, e essa simpatia ecoa, consciente ou n\u00e3o, a longa tradi\u00e7\u00e3o moderna de nostalgia pag\u00e3 que vai de Maquiavel a Nietzsche. Ainda assim, o grande m\u00e9rito do livro est\u00e1 em permitir que o leitor vislumbre o momento exato em que uma civiliza\u00e7\u00e3o percebe \u2013 tarde demais \u2013 que seus deuses j\u00e1 n\u00e3o falam ao cora\u00e7\u00e3o dos homens.\u00a0<\/p>\n<p>Poucos historiadores conseguem t\u00e3o bem quanto Watts retratar uma transi\u00e7\u00e3o religiosa de tamanho impacto civilizacional nos termos dos dramas humanos individuais de alguns poucos personagens hist\u00f3ricos. Por isso, mesmo quando lido criticamente por seu neopaganismo t\u00e1cito, tomado como pano de fundo, <em>The Final Pagan Generation<\/em> permanece uma obra indispens\u00e1vel para compreender n\u00e3o apenas o fim do paganismo romano, mas o nascimento moral da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que o sucedeu \u2013 e talvez tamb\u00e9m para refletir sobre quantas \u201c\u00faltimas gera\u00e7\u00f5es\u201d ainda caminham hoje, satisfeitas e cegas, acreditando viver no centro im\u00f3vel da hist\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<p>Edward J. Watts nos brindou com uma obra madura, honesta e intelectualmente consistente, que recupera a mem\u00f3ria de quatro figuras fascinantes e, por meio de suas trajet\u00f3rias individuais, nos obriga a refletir sobre como civiliza\u00e7\u00f5es morrem \u2013 quase sempre sem perceber. A conclus\u00e3o geral que se pode extrair do livro \u00e9 que novas ordens socioculturais n\u00e3o nascem necessariamente da for\u00e7a bruta, mas da capacidade de oferecer sentido onde antes havia apenas o h\u00e1bito.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edward J. Watts \u00e9 hoje um dos nomes mais relevantes da historiografia anglo-sax\u00f4nica dedicada \u00e0 Antiguidade tardia. 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