{"id":104194,"date":"2026-01-09T20:06:48","date_gmt":"2026-01-10T00:06:48","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=104194"},"modified":"2026-01-09T20:06:48","modified_gmt":"2026-01-10T00:06:48","slug":"acordo-ue-mercosul-avanca-agro-celebra-industria-treme-e-brasil-busca-rumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=104194","title":{"rendered":"Acordo UE-Mercosul avan\u00e7a: agro celebra, ind\u00fastria treme e Brasil busca rumo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Ap\u00f3s 25 anos de impasse, o bom senso prevaleceu. O acordo comercial entre a Uni\u00e3o Europeia (UE) e o Mercosul est\u00e1 prestes a ser assinado, criando a maior zona de livre com\u00e9rcio do planeta: 720 milh\u00f5es de consumidores e US$ 22 trilh\u00f5es em PIB combinado.<\/p>\n<p>Segundo o professor Jo\u00e3o Alfredo Lopes Nyegray, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR), a principal vantagem do Brasil no acordo UE-Mercosul \u00e9 reunir tr\u00eas ativos raros: escala produtiva agroindustrial, base industrial diversificada (ainda que heterog\u00eanea) e mercado dom\u00e9stico robusto o bastante para sustentar investimentos e encadeamentos produtivos.<\/p>\n<p>&#8220;A Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o est\u00e1 buscando apenas &#8216;comprar mais&#8217;. Ela tenta construir previsibilidade de suprimentos e diversifica\u00e7\u00e3o geoecon\u00f4mica em ambiente internacional inst\u00e1vel. Acordos desse tipo viram instrumentos de estrat\u00e9gia, n\u00e3o s\u00f3 de com\u00e9rcio&#8221;, afirma Nyegray.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Para o Brasil, portanto, a vantagem n\u00e3o \u00e9 apenas tarif\u00e1ria. \u00c9 a possibilidade de reposicionar cadeias produtivas brasileiras como fornecedoras confi\u00e1veis para o mercado de alta renda e alto padr\u00e3o regulat\u00f3rio, com efeitos de reputa\u00e7\u00e3o e aprendizado institucional que transbordam para outros mercados.<\/p>\n<p>O acordo representa acesso premium para o agroneg\u00f3cio, press\u00e3o competitiva sobre latic\u00ednios e vinhos, al\u00e9m de insumos industriais mais baratos. Mas quem ganha de fato? E qual o pre\u00e7o dessa abertura? A resposta est\u00e1 nos detalhes de um tratado que n\u00e3o pergunta se o pa\u00eds est\u00e1 pronto \u2014 ele obriga o Brasil a escolher: moderniza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada ou protecionismo decadente.<\/p>\n<h2>Geopol\u00edtica: Acordo UE-Mercosul reposiciona Brasil no tabuleiro global<\/h2>\n<p>A escolha j\u00e1 foi feita. A maioria qualificada de pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia sinalizou apoio ao acordo com o Mercosul, encerrando 25 anos de impasse. O movimento representa mais que vit\u00f3ria tarif\u00e1ria: \u00e9 a reinser\u00e7\u00e3o do Brasil no circuito das economias de mercado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das vantagens tarif\u00e1rias, o pacto traz previsibilidade regulat\u00f3ria. O Brasil deixa de ser espectador e pode operar sob normas modernas, com estabilidade necess\u00e1ria para atrair capital produtivo.<\/p>\n<h2>Agroneg\u00f3cio garante acesso premium ao mercado europeu<\/h2>\n<p>Se o acordo tem um protagonista claro, \u00e9 o agroneg\u00f3cio brasileiro. A efici\u00eancia do produtor rural superou o protecionismo europeu: cerca de 99% das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas do Mercosul ter\u00e3o algum n\u00edvel de liberaliza\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria. O Brasil poder\u00e1 competir em igualdade de condi\u00e7\u00f5es em mercado de alto poder aquisitivo.<\/p>\n<p>Segundo Jackson Campos, especialista em com\u00e9rcio exterior, a assinatura reposiciona o Brasil no tabuleiro geopol\u00edtico em momento de cadeias globais fragmentadas. &#8220;O acesso preferencial ao mercado europeu estimula a integra\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras \u00e0s cadeias globais de valor&#8221;, destaca Rafael Cervone, presidente do Centro das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Ciesp).<\/p>\n<p>Caf\u00e9 sol\u00favel, sucos de laranja, frutas frescas e \u00f3leos vegetais lideram a lista de ganhadores. Nesses segmentos, a elimina\u00e7\u00e3o de tarifas aumenta margem de lucro e capacidade de investimento. O acordo tamb\u00e9m contempla cotas para setores sens\u00edveis: 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa reduzida e etanol para uso industrial com tarifa zero.<\/p>\n<p>Mas o benef\u00edcio n\u00e3o ser\u00e1 uniforme. A porta de entrada \u00e9 estreita e exige governan\u00e7a rigorosa. &#8220;O acordo premia a efici\u00eancia e padr\u00f5es internacionais. Capturar\u00e1 mais valor quem operar sob rastreabilidade e controle ambiental&#8221;, destaca Jos\u00e9 Luiz Mendes, consultor de estrat\u00e9gia e M&amp;A da StoneX. A vantagem competitiva vir\u00e1 da qualidade e do cumprimento de normas sanit\u00e1rias rigorosas.<\/p>\n<h3>Exig\u00eancias ambientais viram arma de protecionismo no acordo UE-Mercosul<\/h3>\n<p>Entre as normas rigorosas do acordo, uma se destaca como arma pol\u00edtica: sustentabilidade. As cl\u00e1usulas ambientais deixaram de ser adere\u00e7os diplom\u00e1ticos e viraram o centro da disputa comercial.<\/p>\n<p>O governo franc\u00eas utiliza crit\u00e9rios ambientais como arma de press\u00e3o para proteger produtores locais. Paris j\u00e1 suspendeu importa\u00e7\u00f5es de produtos agr\u00edcolas brasileiros que usam defensivos proibidos na Europa, transformando o debate tarif\u00e1rio em barreira regulat\u00f3ria custosa.<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 Luiz Mendes, da StoneX, o agroneg\u00f3cio brasileiro enfrenta novo paradigma de competitividade. &#8220;Empresas com rastreabilidade e controle ambiental rigoroso capturar\u00e3o as melhores cotas do mercado europeu. O acordo pune o amadorismo e recompensa governan\u00e7a corporativa. Sustentabilidade deve ser encarada como estrat\u00e9gia de neg\u00f3cio, n\u00e3o apenas como custo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>As normas sanit\u00e1rias e ambientais previstas no texto for\u00e7am o Brasil a adotar melhores pr\u00e1ticas internacionais. Se for pragm\u00e1tico, o agroneg\u00f3cio nacional usar\u00e1 essas exig\u00eancias para consolidar sua lideran\u00e7a global.<\/p>\n<h2>Ind\u00fastria nacional busca moderniza\u00e7\u00e3o sob press\u00e3o<\/h2>\n<p>Se o agro celebra, a ind\u00fastria encara o acordo com cautela e esperan\u00e7a. O pacto representa chance de interromper o definhamento das exporta\u00e7\u00f5es industriais para a Europa e reposicionar o pa\u00eds em mercado estrat\u00e9gico de alto valor agregado.<\/p>\n<p>O acesso preferencial ao mercado europeu abre portas para exporta\u00e7\u00f5es industriais brasileiras, com expectativa de moderniza\u00e7\u00e3o produtiva e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica por meio de coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com a UE. &#8220;\u00c9 fundamental que a implementa\u00e7\u00e3o considere per\u00edodos de adapta\u00e7\u00e3o e instrumentos de apoio \u00e0 competitividade&#8221;, afirma Fl\u00e1vio Roscoe, presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).<\/p>\n<p>Para a ind\u00fastria, diversificar mercados \u00e9 estrat\u00e9gia pragm\u00e1tica para reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer cadeias produtivas.<\/p>\n<h3>Vinhos e queijos europeus amea\u00e7am produtores locais<\/h3>\n<p>Mas h\u00e1 um pre\u00e7o a pagar. O livre mercado \u00e9 via de m\u00e3o dupla. Se o agroneg\u00f3cio brasileiro conquista espa\u00e7o na Europa, setores europeus de alto valor far\u00e3o o mesmo aqui, com postura ofensiva em segmentos onde t\u00eam tradi\u00e7\u00e3o e escala.<\/p>\n<p>Latic\u00ednios e bebidas finas lideram a lista. Queijos, leite em p\u00f3 e ingredientes l\u00e1cteos europeus chegar\u00e3o com for\u00e7a \u00e0s prateleiras brasileiras, junto com vinhos e bebidas premium. A entrada desses produtos deve pressionar pre\u00e7os e margens de lucro dos produtores nacionais.<\/p>\n<p>Essa realidade exigir\u00e1 reestrutura\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do mercado interno. Analistas preveem acelera\u00e7\u00e3o no processo de consolida\u00e7\u00e3o das empresas de latic\u00ednios no Brasil. Quem n\u00e3o buscar efici\u00eancia produtiva e padr\u00f5es internacionais enfrentar\u00e1 dificuldades para sobreviver. A concorr\u00eancia atua como motor da moderniza\u00e7\u00e3o setorial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos bens de consumo, a ind\u00fastria europeia domina o fornecimento de alta tecnologia: insumos qu\u00edmicos, farmac\u00eauticos e maquin\u00e1rio de precis\u00e3o essenciais para a cadeia produtiva brasileira. Em 2025, 98,8% das importa\u00e7\u00f5es brasileiras da UE (US$ 49,7 bilh\u00f5es) foram bens industriais, segundo a Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior (Secex).<\/p>\n<p>O acordo preserva instrumentos essenciais de pol\u00edtica industrial e assegura prazos de adapta\u00e7\u00e3o para setores sens\u00edveis como o automotivo. A mensagem, contudo, \u00e9 clara: o protecionismo perde terreno para a efici\u00eancia. &#8220;\u00c9 um avan\u00e7o estrutural necess\u00e1rio para o crescimento econ\u00f4mico de longo prazo&#8221;, diz Rafael Cervone, do Ciesp.<\/p>\n<h3>Setor automotivo ganha prazo para se adaptar<\/h3>\n<p>O texto aprovado nesta sexta (9) reflete pragmatismo ao estabelecer salvaguardas para setores sens\u00edveis como o automotivo, assegurando prazos de adapta\u00e7\u00e3o para que montadoras e cadeia de suprimentos se reestruturem.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o caminha junto com acesso \u00e0 tecnologia. O setor automotivo ter\u00e1 acesso facilitado a tecnologias europeias, vital para competitividade global. O objetivo \u00e9 integrar a ind\u00fastria \u00e0s cadeias globais de valor, elevando o padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o sem sacrificar emprego qualificado.<\/p>\n<p>Para entidades como o Ciesp, o acordo fortalece o Mercosul como plataforma de inser\u00e7\u00e3o internacional e incorpora compromissos de defesa comercial e coopera\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria. Isso cria ambiente de neg\u00f3cios mais seguro e previs\u00edvel para o investidor, garantindo que a ind\u00fastria se modernize com seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<h3>Desonera\u00e7\u00e3o de insumos abre caminho para inova\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A moderniza\u00e7\u00e3o tem combust\u00edvel garantido. A desonera\u00e7\u00e3o de insumos e bens de capital europeus viabiliza a transforma\u00e7\u00e3o do parque industrial brasileiro. Ao reduzir o custo de m\u00e1quinas e componentes de alta precis\u00e3o, o tratado permite que as f\u00e1bricas abandonem o sucateamento.<\/p>\n<p>O acesso facilitado a insumos de maior valor agregado \u00e9 vital para efici\u00eancia e competitividade. A ind\u00fastria ganha f\u00f4lego para investir em inova\u00e7\u00e3o em vez de custear impostos de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O acordo tamb\u00e9m estabelece regras modernas em propriedade intelectual e padr\u00f5es sanit\u00e1rios, alinhando o pa\u00eds \u00e0s melhores pr\u00e1ticas internacionais e elevando a sofistica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pacto prev\u00ea coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em \u00e1reas de fronteira, como captura de carbono e reciclagem de baterias. Essa transfer\u00eancia de conhecimento \u00e9 essencial para que a produ\u00e7\u00e3o atenda \u00e0s exig\u00eancias de sustentabilidade do mercado global, representando avan\u00e7o estrutural para setores como farmac\u00eautico e automobil\u00edstico.<\/p>\n<h2>Proje\u00e7\u00f5es: Acordo UE-Mercosul pode gerar US$ 9,3 bilh\u00f5es at\u00e9 2040<\/h2>\n<p>O ganho imediato \u00e9 institucional. O acordo sinaliza ao investidor que o Brasil respeita regras e busca estabilidade. A Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 \u00e9 o principal investidor produtivo no Brasil, com estoque de US$ 321,4 bilh\u00f5es em 2023, liderado por Fran\u00e7a, Espanha, Pa\u00edses Baixos e Alemanha, segundo o Banco Central. A formaliza\u00e7\u00e3o do pacto consolida essa posi\u00e7\u00e3o e atrai novos fluxos de capital.<\/p>\n<p>No m\u00e9dio e longo prazo, os n\u00fameros impressionam. Estimativas do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) apontam crescimento de 0,46% no PIB at\u00e9 2040, equivalente a US$ 9,3 bilh\u00f5es em riqueza adicional.<\/p>\n<p>O impacto social \u00e9 relevante. Cada R$ 1 bilh\u00e3o exportado para a UE gera 21,8 mil empregos no Brasil, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). O acordo movimenta massa salarial, amplia a base produtiva e fortalece a classe m\u00e9dia.<\/p>\n<h3>Assinatura deve ocorrer na pr\u00f3xima semana no Paraguai<\/h3>\n<p>O cronograma \u00e9 acelerado. Com o aval dos embaixadores em Bruxelas, Ursula von der Leyen deve viajar ao Paraguai na pr\u00f3xima semana para a assinatura oficial sob a presid\u00eancia rotativa paraguaia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a assinatura, o texto segue para o Parlamento Europeu, que deve se pronunciar em poucas semanas. O tratado pode entrar em vigor de forma provis\u00f3ria assim que for ratificado por pelo menos um pa\u00eds do Mercosul. Por ser acordo de compet\u00eancia exclusiva da UE em mat\u00e9ria comercial, as cl\u00e1usulas tarif\u00e1rias n\u00e3o requerem ratifica\u00e7\u00e3o individual de cada parlamento nacional europeu.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o liderada por Fran\u00e7a e Pol\u00f4nia n\u00e3o deve ser subestimada. Paris usou crit\u00e9rios ambientais como instrumento de press\u00e3o para acalmar seus agricultores, mas terminou isolada ap\u00f3s a It\u00e1lia mudar de posi\u00e7\u00e3o. O pragmatismo de Berlim e Madri prevaleceu sobre as resist\u00eancias francesas.<\/p>\n<h2>Uni\u00e3o Europeia busca blindagem contra China e EUA<\/h2>\n<p>Para a UE, o acordo \u00e9 necessidade estrat\u00e9gica em mundo fragmentado. O bloco busca diversificar riscos diante da agressividade comercial da China e das tarifas dos Estados Unidos. A aproxima\u00e7\u00e3o com o Mercosul garante \u00e0 Europa minerais cr\u00edticos e alimentos, reduzindo depend\u00eancias perigosas.<\/p>\n<p>A parceria com o Brasil permite \u00e0 UE projetar influ\u00eancia em regi\u00e3o rica em recursos naturais. Em troca, o Brasil ganha acesso a tecnologias de ponta e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A Europa tamb\u00e9m busca mercados para produtos de alto valor agregado, como queijos e vinhos, que encontrar\u00e3o no Brasil mercado em expans\u00e3o.<\/p>\n<h3>Acordo UE-Mercosul representa aposta contra onda protecionista global<\/h3>\n<p>O simbolismo do acordo vai al\u00e9m dos n\u00fameros comerciais. Em era de protecionismo e nacionalismos populistas, Mercosul e UE escolhem o multilateralismo. O pacto reafirma a cren\u00e7a na liberdade de empreender e na ordem institucional como motores do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Concluir o acordo \u00e9 resposta clara \u00e0s tend\u00eancias de fechamento econ\u00f4mico vistas em outras partes do globo. N\u00e3o se trata de criar alternativa \u00e0 hegemonia americana, mas de diversificar parcerias e fortalecer cadeias produtivas em cen\u00e1rio internacional inst\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 25 anos de impasse, o bom senso prevaleceu. 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