{"id":100386,"date":"2026-01-02T13:06:49","date_gmt":"2026-01-02T17:06:49","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=100386"},"modified":"2026-01-02T13:06:49","modified_gmt":"2026-01-02T17:06:49","slug":"relatorio-de-orgao-ligado-ao-senado-mostra-que-politica-economica-do-governo-lula-e-insustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=100386","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio de \u00f3rg\u00e3o ligado ao Senado mostra que pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo Lula \u00e9 \u201cinsustent\u00e1vel\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal divulgou o seu 107\u00ba Relat\u00f3rio de Acompanhamento Fiscal (RAF). Segundo o documento, publicado em 18 de dezembro, o ritmo de crescimento das despesas p\u00fablicas ultrapassa o das receitas, o que, na pr\u00e1tica, torna o cen\u00e1rio insustent\u00e1vel no longo prazo. O relat\u00f3rio \u00e9 especialmente cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao arcabou\u00e7o fiscal, implantado em 2023.<\/p>\n<p>\u201cToda e qualquer regra fiscal deve cumprir dois pap\u00e9is fundamentais: disciplinar os gastos e ancorar expectativas. Diante da extrema rigidez do or\u00e7amento p\u00fablico brasileiro, do acelerado crescimento das despesas obrigat\u00f3rias e das dificuldades de produ\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios, est\u00e3o sendo feitas exclus\u00f5es de despesas das regras, o que tem contribu\u00eddo para abalar a credibilidade do arcabou\u00e7o e alimentar incertezas sobre a sustentabilidade do atual regime fiscal\u201d, afirma o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>A IFI \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o t\u00e9cnico, sem filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, que monitora a economia e \u00e9 vinculado ao Senado Federal. Para os analistas do RAF, a substitui\u00e7\u00e3o do teto de gastos (2016) pelo arcabou\u00e7o (2023) rebaixou metas e permitiu que diversas despesas ficassem fora da apura\u00e7\u00e3o oficial. O documento cita, como exemplos dessas exclus\u00f5es, os precat\u00f3rios, despesas com defesa nacional, gastos tempor\u00e1rios com educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, aux\u00edlio a empresas afetadas pelo tarifa\u00e7o de Trump, ressarcimento de descontos indevidos no INSS, investimentos de estatais e a reestrutura\u00e7\u00e3o dos Correios.<\/p>\n<p>Com essas manobras, estimou o relat\u00f3rio, cerca de R$ 170 bilh\u00f5es em despesas ficar\u00e3o fora das metas nos primeiros tr\u00eas anos de vig\u00eancia da nova \u00e2ncora fiscal. Este cen\u00e1rio de desequil\u00edbrio persiste mesmo com o aumento da arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a IFI, a estrat\u00e9gia de ajuste focada em um incremento da receita tende a ser frustrada com obst\u00e1culos no parlamento e na sociedade, uma vez que a carga tribut\u00e1ria brasileira j\u00e1 \u00e9 uma das maiores entre pa\u00edses emergentes.<\/p>\n<p>\u201cA estrat\u00e9gia de ajuste fiscal pelo incremento da receita esbarra no fato de o Brasil, hoje, ser l\u00edder em termos de carga tribut\u00e1ria entre os pa\u00edses latino-americanos e emergentes, o que cristalizou resist\u00eancias a essa estrat\u00e9gia na sociedade brasileira e no Congresso Nacional\u201d, escrevem o diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, e o diretor Alexandre Andrade.<\/p>\n<h2>Proje\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e d\u00edvida<\/h2>\n<p>O documento apresenta suas proje\u00e7\u00f5es para a economia brasileira, destacando a desacelera\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a IFI, a economia deve crescer 2,3% em 2025, mas perder\u00e1 f\u00f4lego em 2026, com uma expans\u00e3o projetada de apenas 1,7%. Essa perda de ritmo reflete a modera\u00e7\u00e3o do consumo das fam\u00edlias e o enfraquecimento dos investimentos, influenciados por juros reais elevados \u2013 que por sua vez, n\u00e3o caem pelo descontrole nos gastos.<\/p>\n<p>No campo da infla\u00e7\u00e3o (IPCA), o relat\u00f3rio mostra sinais de arrefecimento:<\/p>\n<ul>\n<li><span><strong>2025:<\/strong> Proje\u00e7\u00e3o de 4,3%.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>2026:<\/strong> Proje\u00e7\u00e3o de 3,9%.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>M\u00e9dio Prazo (2027-2035):<\/strong> Converg\u00eancia suave para o centro da meta de 3,0%.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>A queda na infla\u00e7\u00e3o poderia abrir caminho para que o Banco Central iniciasse a redu\u00e7\u00e3o da taxa Selic \u2014 atualmente em 15,0% \u2014 a partir do primeiro trimestre de 2026. Contudo, o relat\u00f3rio aponta que o resultado prim\u00e1rio do Governo Central permanecer\u00e1 deficit\u00e1rio no curto prazo. Para 2026, estima-se um d\u00e9ficit de R$ 90,6 bilh\u00f5es (0,7% do PIB). Embora o cumprimento formal da meta fiscal seja considerado fact\u00edvel pelo limite inferior, a IFI alerta que isso depende \u201cexcessivamente\u201d de abatimentos e exclus\u00f5es.<\/p>\n<h2>Descontrole fiscal como pol\u00edtica<\/h2>\n<p>Diferentemente de administra\u00e7\u00f5es anteriores, o atual governo optou por inverter o ciclo pol\u00edtico tradicional, iniciando o mandato com um forte impulso fiscal \u2014 via Emenda Constitucional da Transi\u00e7\u00e3o, que gerou um aumento permanente de gastos de 1,7% do PIB \u2014 e visou manter a economia aquecida at\u00e9 2026.<\/p>\n<p>Essa trajet\u00f3ria reflete-se na deteriora\u00e7\u00e3o progressiva das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O indicador da d\u00edvida saltou de 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 77,5% em julho de 2025. A IFI projeta que a d\u00edvida chegar\u00e1 a 79% em 2025 e que atingir\u00e1 82,4% do PIB ao fim de 2026, enquanto a mediana das expectativas do mercado financeiro j\u00e1 aponta para um patamar de at\u00e9 84% do PIB.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal divulgou o seu 107\u00ba Relat\u00f3rio de Acompanhamento Fiscal (RAF). 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